[des]respeitando as autoridades


  • “Precisamos orar mais!”

Sempre concordo com isso.

  • “Precisamos agir mais que somente orar!”

Também concordo sempre.

Pois agir me parece tão necessário quanto orar.

Dai não nos faltam referências bíblicas para validarmos essas duas afirmações. 

Só que, quanto a oração, fui convencido por Paulo que não sei fazer como convêm.

E foi o próprio Paulo que também me confundiu quanto a prática e ação.

Dai duvido das traduções e interpretações do texto de Efésios 6:12.

Pois se nossa luta não é contra carne e sangue, deixemos que os piores bandidos fiquem às soltas – me refiro aos políticos e magistrados.

E quanto a esses montões de CPIs [que para nada servem mesmo], acabemos de vez com o show.

Não desejem mal a Dilma[s], Lula[s], Sarney[s], Eduardo[s], Fernando[s], Renan[s], Paulo[s], Saddam[s], Bush[s], Osama[s], Obama[s] e Hitler[s]. Pois eles não são [ou foram] tão maus assim… 

Apenas oremos por eles!

E vamos guerrear [em oração] contra os demônios que os empoderaram.

Estamos de acordo?!!!

… 

Talvez… talvez… 

… 

Um amigo me desafiou a escrever sobre o específico texto da carta de Paulo aos Efésios.

Segundo ele, tal texto “desarticula [em muito], a luta concreta por justiça social”.

Isso me faz sentido.

… 

Tanto me faz sentido que me arrisco em escrever “contra” tal literalidade bíblica.

Pois se o Novo Testamento me dá base para supor que autoridades [exousiai] espirituais podem inspirar governantes, também posso concluir que tais autoridades podem ser boas ou más, angelicais ou demoníacas. Caso contrário, se fossem somente boas, se elas só podem vir de Deus, o que poderíamos dizer do governo demonizado de Hitler?

Enfim, as autoridades terrenas são um reflexo dos poderes daqueles cujas mãos elas caíram. E a tentativa do uso do texto de Efésios para desarticular a luta pela justiça social é, nada mais que, uma pretensiosa tentativa das autoridades que lideram de cima [katexousiaso].

Sejam elas quais forem.

Estejam elas onde estiverem.

Logo, não posso jamais, ter uma interpretação absolutizada do texto e contexto de Romanos 13, onde Paulo diz que não há autoridade exceto de Deus. 

Devo relativizar.

Pois o próprio Paulo, quando escreveu isso, já havia sido preso várias vezes e, em pouco tempo mais, ele seria executado pelas autoridades romanas. 

Ou seja, sua vida difícil e morte “deslegalizam” o capítulo 13.

Inclusive, existe da parte de alguns exegetas, a defesa de que esse texto de Romanos 13 poderia ser uma interpolação – não um texto escrito por Paulo considerando todo o contexto anterior ao capítulo da carta aos Romanos.

Em contra partida, Jacques Ellul acredita ser um texto do próprio apóstolo:

“Vemos que há uma progressão do amor de amigos para estranhos e então para os inimigos, e aí então a passagem ocorre. Em outras palavras, devemos amar os inimigos e, para esse fim, devemos até mesmo respeitar as autoridades, não as amando, mas aceitando suas ordens. 

E Alphonse Maillot, relata isso diretamente no final do capítulo 12: 

“Não se deixe ser subjugado pelo mal, mas subjugue o mal com o bem. Deixe cada pessoa (portanto) ser sujeita às altas autoridades”. 

Em outras palavras, Paulo pertenceu àquela igreja cristã que, no começo, foi por unanimidade, hostil ao Estado, ao poder imperial, às autoridades, e nesse texto, ele está então, moderando essa hostilidade. 

Ele está lembrando aos cristãos que as autoridades também são pessoas (não havia o conceito abstrato de Estado).

Pessoas como elas mesmas, que deveriam ser aceitas e respeitadas também. 

Ao mesmo tempo, Paulo demonstra uma grande retenção nesse conselho. Quando ele diz para pagar os tributos – impostos a quem impostos eram tributos – somos lembrados direitinho da resposta de Jesus quanto ao imposto. 

Muito mais audaciosamente, Jesus diz que:

“… não devemos respeito nem honra aos magistrados e às autoridades. O único que devemos temer é Deus.”

O único a quem é devida a honra é a Deus.

 

… 

Enfim, minha análise é um tanto sucinta.

Cabe muito mais sobre esse assunto que continua em aberto.

Sem mais delongas, acredito que aquele que se opõe as injustiças, podem ter um fim como o de Paulo ou do próprio Cristo. Quanto a isso, se não quiser terminar como eles, apenas ore. Assim, quem sabe, autoridades se convertam e, todos teremos bons lideres – que não exerçam poder tirano.

Boas ondas, 

Tropical

Referência: Anarquia e cristianismo – Jacques Ellul 

3 comentários em “[des]respeitando as autoridades”

  1. VILMA BRANDÃO 23 de Fevereiro de 2015 às 17:00 #

    Jesus, ao passar por este mundo como homem, disse que veio para estabelecer o Reino de Deus. Em nenhuma passagem o vemos pregando contra qualquer governo. A ordem que Ele deixou foi, IDE POR TODO O MUNDO PREGAR O EVANGELHO À TODA CRIATURA.

    • Valletti 23 de Fevereiro de 2015 às 17:14 #

      Vilma, estabelecer um reino [entende-se por governo], dentro de outro governo, já não seria uma posição? Melhor, imagine os EUA vindo ao Brasil para estabelecer-se… já não seria motivo de guerra?

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