A cara da conveniência*


Conheci um cara que teve certo sucesso.

Foi pastor de uma famosa denominação.

Reconhecido por todos e também respeitado.

Contudo não era o manda chuva.

Pois ele estava no mesmo nível de todos os demais Prs Fulanos.

Abaixo do cobertor, visionário, apóstolo, fundador, presidente e a grande Voz.

UFA!

Mas acima de todo resto.

Eles eram amigos (o respeitado pastor e a Voz).

Só que num dia se desentenderam.

A Voz falou alto demais e pediu o que não deveria.

Embora, muitas outras vezes, falado já havia.

Porém, em questões menores, não tão importantes.

Só que desta vez, soou contra a amada do respeitado pastor.

Ele teve que escolher.

Decidiu por ouvir uma outra voz.

A do próprio coração.

A voz do coração ecoou e o pastor se casou.

Não teve outro jeito, senão ir embora.

Pois não sabia que nesses tipos de igrejas, somente um pode falar mais alto.

Então o pobre pastor começou sua carreira solo.

Dizia que a Voz, que outrora era virtude pura, na verdade era puro controle maligno.

Abriu sua própria igreja e tentou falar diferente do que, até então, aprendera da primeira voz.

Se especializou na desmontagem dessas esquisitas doutrinas.

Pura teoria!

Pois no fundo no fundo, diferente não fazia.

Só estava contrariado.

Magoado.

Era apenas um problema de relacionamento.

Estava chateado com a Voz, mas gostava do tom e o ritmo dela.

Era pessoal.

Não conceitual.

Nem mesmo ideológico.

E apesar de tentar dar um tom um pouco diferente.

Cantava a mesma música.

O tempo passou e passou…

E o casamento, rotina também virou.

E a igreja não vingou.

Somente a si mesmo se enganou.

Até que um dia, sua própria igreja também falou.

Falou?!

E o pobre pastor, mais uma vez, também não gostou.

Então repetiu o que outrora dizia:

Esta voz… acho que ela que é do maligno.

Perdeu a razão!

Só que não teve outro jeito, senão também deixar sua própria congregação.

Mais uma vez estava na rua.

Andando pra lá e pra cá.

Até que querendo, foi parar no mesmo lugar.

Voltou onde começou.

Só não sabemos se já terminou.

Geralmente consideramos alguma coisa boa e verdadeira quando ela produz resultados. Pior ainda é que este tipo de consideração é, na maioria das vezes, tendenciosa. “Se o resultado me trouxe benefícios, então é boa a coisa.”

E se esta coisa boa, aconteceu para a maioria, tal regra acaba por definir o comportamento moral humano.

Neste esquema, o bom é determinado pelo normal, e o normal é determinado pela média estatística.

Enfim, não é porque tal coisa é boa para mim ou para a maioria, que seja de fato BOA e VERDADEIRA.

Já deu para entender que, em geral, desconfiamos pouco de nós mesmos.

O problema, para nós, sempre será externo.

Pura ilusão.

Boas ondas,

Tropical

* Interpretação feita a partir da própria ótica deste que escreve.

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4 comentários em “A cara da conveniência*”

  1. Nanda Ferreira 17 de Outubro de 2013 às 23:27 #

    excelente escrita!

  2. felipe 17 de Outubro de 2013 às 23:45 #

    muito bom

  3. Adal 18 de Outubro de 2013 às 12:18 #

    Como disse uma vez Sartre: O inferno são os outros!

  4. Luis Gustavo 25 de Outubro de 2013 às 00:44 #

    Incrível, pois eu conheci um pastor assim também. Me chamou na sua casa para falar mal da tal voz antiga, dizendo que igrejas que tem um dono são feudos, e quem opera é o maligno. Mas por razões que a própria razão desconhece, como gado marcado voltou para o feudo da tal Voz !!!!!!!!!

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