Alguns ainda pensam que foi por causa de 20 centavos!


17jun2013-manifestantes-chegam-ao-cruzamentos-das-avenidas-faria-lima-e-reboucas-em-pinheiros-zona-oeste-de-sao-paulo-no-5-protesto-contra-o-aumento-das-tarifas-do-transporte-coletivo-1371505262094_1920x1080

Duvidei e acordei

Foi a dúvida que me fez acordar do sono. Isso faz pouco mais de uma década. Mas faz menos tempo que fiz a escolha que me colocou do lado de fora desse pequeno gueto. Faz seis anos apenas. A idade do meu primeiro filho, o Benjamim. Há seis anos era considerado um revoltado solitário. É óbvio que também existiam outros anônimos. Sempre existiram.

Foi quando questionei o sistema tirano que gosta de mandar de cima para baixo, de hierarquias verticalizadas e ações que privilegiam alguns poucos para serem uma classe de especiais. Já sabia que este é um modelo de Estado e, que o Estado sempre servirá para oprimir as classes em troca de sua própria riqueza, segurança e poder. E que para ser aceito pelo povo, tentam distrair-nos com entretenimento e o sonho da possibilidade de também sermos poderosos.

Dai percebi que outras instituições, todas, a uma foram concebidas juntas ao Estado.

Nada escapou.

Nem escolas.

Nem clubes.

Nem empresas.

Nem igrejas.

Todas são filhas desse mesmo padrão de gestão e organização.

Vendem a idéia de um paraíso perfeito.

Cobram as taxas desse lugar fictício.

Pois dependem do povo para se manterem no topo.

Por isso saiba, o Estado sempre será um lider tirano.

Hoje é dia 18 de junho de 2013.

Faz quase uma semana que participei de um tal Festival de Ideias.

Conheci gente sonhadora e cheia de boas propostas que visa a construção de uma sociedade mais livre.

Dai perguntei a um dos curadores desse evento se ele não considerava que nós, os pequenos grupos que tentam subverter o sistema, somos apenas mais um gueto insignificante comparado ao poder do Estado.

A resposta me foi dada de forma segura. Disse que esse pensamento, de que somos mais um pequeno gueto, faz com que sejamos ignorados pelos líderes. Essa ignorância por parte de quem está comandando de cima, é também nossa grande vantagem. Pois ao poucos, como ferrugem, estaremos minando as bases que sustentam o sistema em vigor. Ele ainda me falava bem entusiasmado:

“Estamos raqueando o sistema.”

Também gosto de uma outra sentença que diz que “somos sabotadores do sistema desse velho mundo.” O mundo que jaz.

Antes de seguir o texto é necessário dizer que minha história tem as raízes dentro da crença protestante. Por causa do meu pai que era descendente dos Novos Judeus refugiados da Alemanha, e minha mãe que havia se convertido aos 7 anos de idade. E que aos meus dezoito anos assumi a fé como uma convicção pessoal, não mais pela tradição de minha família.

Dai demorei, mas aprendi.

Aprendi que as igrejas enquanto seguirem nesse modelo de instituição, semelhante ao estado, estarão casa vez mais distantes da essência do evangelho de Deus.

Aprendi que o evangelho de Deus é o próprio Cristo.

E que em Cristo nos foi apresentado um modelo de justo governo.

Aprendi este justo governo é denominado, pela bíblia, de reino do celestial.

Aprendi que este reino diz respeito a um nova esfera de governo inserida dentro de um mundo em estado caótico.

Que este novo governo se faz primeiro dentro de cada indivíduo que foi redimido pelo Senhor desse reino.

Aprendi que a base desse governo é de justiça, para que haja paz e alegria.

Que cada indivíduo ou grupo de redimidos devem ser os agentes de justiça para sabotarem esses mundanos reinos de opressores.

Aprendi que o reino do céu é uma contracultura aos sistemas de hierarquias e classes de especiais.

Uma contracultura de valores.

Aprendi que igreja é uma turma que cuida de assuntos externos, que dizem respeito as necessidades do povo.

Aprendi que a igreja nunca foi a finalidade de Deus, mas o meio para se estabelecer a ordem onde existe o caos.

Um meio para se estabelecer o reino de justiça.

Dai toda aquela conversa que tive no tal Festival de Ideias me fez lembrar de quando comecei atacar a cópia desse sistema de estado antiético que se reproduz também como instituições igrejeiras. Lembrei de como, há seis anos, lidavam com as questões que desmontariam o sistema de gestão deles. Questões como a ilegítima cobrança de dízimos, o modelo de hierarquias, a troca do nome de pessoas por títulos que são posicionais, a falta de um modelo transparente e sustentável, o proselitismo que fazem, etc. A tudo isso davam de ombros. Pois não imaginavam que logo outros começassem a duvidar.

E começaram!

E não é mais um caso de alguém isolado aqui e outro acolá.

Não é o caso de alguém que empunha uma bandeira.

Mas sim do despertamento de mais uma geração.

Uma geração que não vai mais comer do mesmo prato de comida que estão servindo por ai.

Uma geração que está aprendendo a se alimentar de boa comida, não mais aquela papa regurgitada.

Dai a relação que faço disso tudo com o manifesto que tivemos ontem, dia 16 de junho de 2013 – é de que um novo movimento de despertar já começou nessa nova geração. Isso faz um tempo, talvez um pouco de tempo. Mas suficiente para se alastrar como a ferrugem que corrói o duro ferro. E alguns ainda pensam que foi por causa de apenas 20 centavos.

Ignoraram a pequena ferrugem que ganhou corpo do tamanho de quilômetros de ruas por todo Brasil.

As redes sociais serviram para alguns jovens raquearem o sistema.

A sabotar o governo.

Contudo tenho que confessar minha frustração que é segundo a fé que tenho em Jesus, o Messias de Deus. Imaginava que aqueles que se reúnem como igreja (entende-se como os que se dizem povo de Deus), pudessem acordar de seu sono matutino. Imaginava que pudessem deixar de lado o conjunto doutrinário de suas facções religiosas, para abraçarem a fé que nos liberta de uma vida sem sentido. Imaginava que pudessem abrir mão de suas bandeiras, como exigiam ontem na manifestação das ruas.

Boas ondas,

Tropical

P.S.: Considerem que usei o manifesto que foi organizado pelo MPL (Movimento Passe Livre), como um exemplo pontual. Pois logo que outros aderiram as marchas, muitas outras coisas aconteceram que poderiam ser analisadas de diferentes óticas. Não é o caso.

Etiquetas:, , , , , , , , , ,

Ainda sem comentários.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Coletivo TraçaUrbana

o c o r p o e n t r e d o t e c i d o u r b a n o

De volta ao Manual

Pensamentos sobre o amor de Deus na vida cotidiana

projetosilva

Ukulele e Voz ,Letras Simples e Pensamentos Sinceros...

Don Charisma

because anything is possible with Charisma

Do Pensamento no Deserto

CRÔNICAS, ARTIGOS, ENTREVISTAS E IDÉIAS DE LUIZ FELIPE PONDÉ

Nelson Costa Jr.

" Ceci Est Un Dieu "

Marco Juric

Fotografia

Teologia Hermenêutica

Sobre os equívocos, exageros, métodos e possibilidades de interpretação teológica no pensamento cristão.

TROPICAL - AIRO

espiritualidade

Sandro Baggio

Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

A Bacia das Almas

Onde as ideias não descansam

espiritualidade

drnerium

Just another WordPress.com site

Uma pausa para o café.

Porque precisamos de uma pausa.

jonasmadureiradotcom.wordpress.com/

"Quebre os grilhões da cela, mas não se assuste se o prisioneiro não sair, talvez a cela seja absurdamente confortável."

Reino & Sacerdote

Trabalhando para que a Igreja cresça e que o Reino avance!!! Ap 1.5,6

%d bloggers like this: