Paraíso – a esperança do cristianismo e do capitalismo


Se eu digo que o capitalismo é uma religião, vou encontrar bastante gente que concorde com isso. Mas se digo que essa religião é praticamente a mesma do cristianismo moderno, ai sim descolo mais uma discussão.

Porém fica muito fácil defender essa tal idéia, pois, para ambos o paraíso é o propósito.

Paraíso que também, em ambos os casos, se alcança por esforço próprio.

Nos dois casos o homem vale pelo que produz.

Se trabalhar pra caramba, tem uma chance muito certa de ter sua casa própria, carro, fazer viagens, etc.

Se cumprir os dogmas [tipo os dízimos ou desafios de fé] de sua igreja local, participando das atividades com frequência, também vai ter uma chance muito certa de ter sua casa própria, carro, fazer viagens, etc.

Nos dois casos o homem só tem as coisas porque, antes de ter, fez por merecer.

Nos dois casos, os ricos se acham merecedores das riquezas que têm.

Nos dois casos, líderes enriquecem com produtos que são vendidos para classes de consumo.

Num dos casos, o estado oprime o povo com a cobrança dos impostos.

No outro, a igreja oprime o fiel com a cobrança do dízimo embasada em Malaquias 3:10.

A lista de semelhanças é grande…

Só sei de mais uma outra coisa que é bem semelhante, todos querem chegar num lugar onde a vida é muito boa.

Só que essas muitas igrejas desse cristianismo moderno, que pregam o paraíso, desconhecem que esse lugar de conforto jamais foi a esperança da igreja inaugurada pelos apóstolos, que também tinham suas raízes na cultura judaica primitiva.

A ESPERANÇA ERA A RESSURREIÇÃO PARA UMA ETERNIDADE COM O PAI.

Uma boa prova de que o paraíso não é uma solução proposta por Deus para o homem, é o próprio homem. Por exemplo, coloque qualquer um de nós num lugar maravilhoso, numa dessas praias que arrancam o suspiro de qualquer um. Numa lindíssima casa a beira mar. Além disso, uma ótima refeição, todos os dias. Bons carros, embarcações, pranchas de surf e, muita grana… Fácil! Todos já tiveram o mesmo sonho. Mas também tem alguns poucos que vivem assim.

Fiquemos lá por toda nossa vida.

Então, com toda a família e amigos.

Existirão muitos dias em que não suportaremos os que estão conosco, assim como também não nos aguentaremos em olhar nosso rosto no próprio espelho. Fora as dores de barriga. Os febrões e o próprio corpo que envelhece.

Tudo isso, no paraíso.

Logo, o problema do homem não é de lugar.

Não é o lugar onde ele está.

Nem o lugar para onde ele vai.

O problema do homem é o próprio homem.

O nosso problema, somos nós mesmos.

O evangelho de Jesus Cristo é o próprio Cristo. Não o paraíso!

Pois Cristo é um novo homem, o segundo Adão na versão de Paulo.

O primeiro nasceu no Paraíso e teve problemas… Mas estava no Paraíso!

Cristo em nós é a esperança da vida – duma nova vida.

Cristo em nós é a garantia de que o reino do céu pode ser estabelecido aqui na terra para, que o nome do Pai seja santificado. Não mais profanado.

Cristo em nós significa a morte do velho homem para que o novo apareça.

Enfim, os apóstolos da igreja primitiva, apenas diziam que também ressuscitaremos, pois Cristo havia vencido nosso último inimigo, que é a morte. Com isso estaremos garantidos num mundo futuro, onde o Papai do céu irá morar junto conosco.

Mas, muitos adeptos do cristianismo moderno trocaram de mensagem.

Trocaram a esperança.

Esperam pelo paraíso, mas com a cabeça do velho homem que, a cada dia fica ainda mais velho.

Boas ondas,

Tropical

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4 comentários em “Paraíso – a esperança do cristianismo e do capitalismo”

  1. Vinícius Piva 6 de Novembro de 2012 às 18:48 #

    Excelente reflexão.

  2. Hanna 7 de Novembro de 2012 às 03:24 #

    Agora sim! Rs Muito bom.

  3. Adalberto 16 de Novembro de 2012 às 09:48 #

    Ameaça, chantagem, barganha são as maiores armas que o ser humano criou para manipular escravos sem o uso da violência física.

    Quando eu digo, seja bonzinho que você vai pro céu, eu estou fazendo barganha.
    Quando eu digo, vá na igreja todo domingo senão você irá cair na fé, eu estou fazendo ameaça.

    E assim, eu sempre me pergunto, onde fica a graça de deus em tudo isso?
    Que deus misericordioso é esse, que fica lá no trono só esperando o nosso vacilo para nos castigar?

    Por outro lado, eu também me pergunto: Se não existisse essa cobrança toda, será que viveríamos como crianças mimadas que não temem o castigo?
    Praticaríamos todo o ilícito sabendo que Cristo limparia a nossa barra depois?

    Óbvio que expus dois extremos, mas existe uma atitude correta no meio disso. Qual seria? Eu ainda não encontrei.

    • Tropical - AIRO 16 de Novembro de 2012 às 11:34 #

      Falae Adal!
      Pow! Agora não poderá mais dizer que não te respondo…
      O objetivo do E.S. é nos conduzir para maturidade. Todos nascem bebês e crescem, mas se isso não acontece, é por alguma debilidade, etc.
      Enfim, qdo pessoas se tornam maduras, não precisam de cobrança. Da mesma maneira, não precisam de papinha na boca, pois sabem comer sozinhas. Inclusive, devem sabem que comida fará bem a saúde e qual poderá resultar num câncer.
      Todo homem maduro deve ser responsável e humilde – andando pelo caminho estreito.
      O meio é o crescimento!

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