A taça está quebrada…


Um novo amigo me convidou para falar.

Era um pequeno grupo de jovens – 13 a 20 anos.

Mas eu também não era o único convidado. Havia mais dois. Ambos já eram amigos. Eu porém, só os conheci lá. Sem os pormenores, vi que são bem eficientes na prática do evangelho – foi o que me pareceu.

Quanto ao evento, um acampamento.

A programação não trazia nenhuma novidade. Toda programação é o que já conhecemos bem – café da manhã, culto, almoço, gincana, banho, janta e culto – bem longo.

Nós, os convidados, somos chamados para falar. O jeito que geralmente se fala é na forma de pregação que, na minha opinião, é o jeito mais confortável [para o falador] e ineficiente – senão, muitas vezes, chato pra caramba.

Sempre prefiro passar os dias com a galera. Gosto de comer com eles, participar das atividades e fazer parte de toda programação.

Não gosto de falar sem conhecer ninguém.

Não gosto de não saber o que os demais falam.

Não me sinto bem no posto de celebridade – apesar de saber que muitos nestas condições não se sentem assim.

E pelo meu discurso subversivo, não poderia também fazer uma pregação, apenas.

Por isso tenho forçado minhas reuniões para uma boa conversa – sem medo das confrontações.

Neste evento em especial, que foi em Timbó – SC, tive uma experiência assim:

Na minha vez, decidi, como tenho feito, iniciar um assunto para depois dar a oportunidade para todos participarem com perguntas. Foi para minha surpresa e frustração. Surpresa pelo fato de ver o quanto todos já estavam mais que alinhados com o assunto. Frustração pelo fato de ter iniciado um assunto sem muita relevância – considerando que nesta aula, todos já eram mestres.

Como eles mesmos são acostumados dizer: fiquei de cara!

Errei no assunto.

Acertei na maneira de fazer a reunião.

Pois se tivesse feito do jeito convencional, na forma de pregação, sairia dali com uma idéia de missão cumprida, sem saber que era justamente o contrário – teria sido um grande engano.

Quantas vezes falamos e falamos para um público que não conhecemos? Falamos coisas que já sabiam, mas nos sentimos como portadores de notícias quentinhas. Quantas vezes subestimamos nossos ouvintes pelo fato de não sermos ouvintes também?

Tive que pedir desculpas pelo tiro errado.

Mas teria outras chances. Ficaria ali por mais dois dias. Suficiente para conhece-los melhor.

Quanto aos outros dois convidados tiveram as mesmas chances que eu tive.

Pelo estilo de vida que levam, que vai além do discurso, também poderiam subverter o jeito de se fazer reuniões.

Não precisavam fazer em forma de culto/pregação – púlpito/platéia…

Mas não. Não conseguiram.

Ficaram presos a velha forma.

Pregaram pra caramba – chato pra caramba [o primeiro discurso já teria dado – o segundo e terceiro, foram mais do mesmo].

Tinham muito mais conteúdo que eu – é sério.

Mas perderam a relevância do conteúdo quando deixaram de ouvir a galera.

Este episódio serviu para mim de lição.

Percebi, por mais uma vez, que para quebrar os paradigmas é necessário se dispor ao desconforto da reforma.

Percebi que muitos ainda continuam com um discurso diferente da atitude. Ouvi dizer assim: “… mas minha vontade era sentar-me e conversar com vocês todos… queria ouvi-los…” – Então porque não o fez?

Percebi que enquanto continuarmos como líderes de cima de um púlpito, como pessoas de privilégios e isolamento; teremos mínima relevância.

Moral da história.

Se mudássemos o jeito, seríamos surpreendidos.

Ora perceberíamos que nosso discurso já está velho, ora saberíamos o quanto a galera já andou – de fato.

Já conheço muita gente que poderia fazer diferença além do discurso, mas que ainda são reféns da velha forma. Eles já perceberam que o vinho já não se contêm dentro de uma taça que está furada, porém tentam, sem sucesso, tapar os buracos com os próprios dedos. O problema maior virá quando a taça for passada para outras mãos. Será tarde demais. O vinho terá caído por completo e a taça estará vazia.

Ainda são administradores de um velho sistema.

Ainda bebem um pouco do vinho que se esvai, mas não conseguem dar de beber aos demais. Por isso andam dando um pouco de água só para matar a sede.

Detalhe, já tem muitos que não se contentam só com a água – querem vinho!

P.S.:

Só escrevi de um ponto, a saber, a comunicação.

Este é um dos detalhes que existem não velha forma de ser e se fazer igreja. Tudo precisa ser repensado. Precisamos resgatar a essência.

Boas ondas

Tropical.

Sugiro que leiam: Formas

Etiquetas:

5 comentários em “A taça está quebrada…”

  1. Douglas 25 de Abril de 2012 às 18:32 #

    Fala Tropical!

    Obrigado pelo texto e observação em relação ao Conexão. Partilho dos seus apontamentos…

    ABS!

  2. Tropical - AIRO 25 de Abril de 2012 às 19:21 #

    Fala Douglas – ainda vamos conseguir mudar este cenário. Precisamos de ousadia e coragem.
    abxx

  3. JORGE BAZO 26 de Abril de 2012 às 10:38 #

    Cara, existe tanto material, temos hoje tantos recursos para comunicar, temos tanta tecnologia ai na mao, além disso, a mensagem, historia e liçoes da Biblia sao tao atuais, porém, “somos empurrados” pelo velho esquema….Sempre gostei “da inovaçao” no ensino, pero muitas veces fui brecado pelo “é deste jeito que se faz”….Graças a Deus sempre me mantive “renovado” e nunca desisti de comunicar de maneira contextualizada…parabéns Tropical, passo a passo chegaremos lá !!!

  4. Tropical - AIRO 26 de Abril de 2012 às 11:45 #

    Fala Bazo – como andam as coisas por ai?
    Já está de cidade nova?
    Já comprou a prancha de surf?

    Cara, é verdade – vc sempre foi um cara bem criativo.

    Saudades!

  5. Douglas 28 de Abril de 2012 às 00:13 #

    Fiquei pensando nesta questão da comunicação Tropical! No emissor e receptor, etc.. Aparentemente quando o emissor está disposto a inovação ela acontece, mesmo que lentamente. Entretanto, vejo que os desafios (e parece ser óbvio, mas na prática é preocupante e mais complexo) para um publico jovem (do sábado à noite, geralmente) e para outro não tão jovem (do domingo, “tradicionalmente”) é bastante diferente e este último nos inquieta um pouco mais. O que você acha?

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