Estive num lugar assim:


O espaço era bem grande. Devia comportar, todo o complexo, algo em torno de 3 mil pessoas.

O lugar era um convite a imaginação. Uma grande obra de arte que envolvia o paisagismo bem adequado com a arquitetura que se harmonizava em diversos ambientes para atender todos os tipos de exigências – se bem que, pouco tempo ali dentro já era suficiente para não querer nada além. As artes que se estendiam pelos lugares eram das mais variadas técnicas e estilos – desde grafites que se fundiam em vitrais até grandes esculturas.

Os ambientes eram dispostos num complexo sistema de relação funcional. As partes se conectavam de uma maneira que facilitava o fluxo de pessoas e informações. Enfim, uma unidade coletiva e diversa.

Se me lembro bem, eram estes os ambientes:

1 – Artes – como se fosse o núcleo de uma grande célula, ficava bem no centro de todo o complexo. Era um buraco ao chão com uma pequena arquibancada circular para 500 pessoas, com o palco no nível mais baixo. Lá se apresentavam bandas, danças, teatros, musicais, etc. E todos os dias também faziam um culto, com pouco mais de uma hora de duração. Celebravam a vida de Deus, em Jesus Cristo. Apesar de ser o último dos eventos que participei, fiquei bem impressionado, pois não se parecia com o que eu estava acostumado e já desinteressado. Não era uma reunião orquestrada. Por isso, enquanto alguns balançavam com a música, outros continuavam sentados. Vi alternarem entre diferentes pessoas e grupos musicais. Todos falaram pouco e tocaram pouco, mas suficiente. Ainda tinham alguns da platéia que participavam “timidamente” com seus próprios instrumentos musicais. Acompanhavam de quase longe as bandas que tocavam. Achei terrivelmente rápido. Queria que continuassem o serviço. Eu estava bem a vontade comento dum prato mais colorido. As pessoas ficavam, apesar da falta de limites [paredes e portas]. Chegavam muitos e permaneciam quase todos.

Fora os serviços e apresentações formais, este lindo anfiteatro ficava livre para todos. Muitos ficavam por ali para fazer desenhos, ensaiar coisas, participar de oficinas, fazer uma boa leitura, ouvir música ou até mesmo curtir um ócio. Enfim, este era de todos, o lugar mais eclético.

2 – Cinema – havia uma pequena sala com capacidade para 100 pessoas. Era usada diariamente para reprodução de filmes que, volta e meia eram de autoria dos alunos da própria escola de artes e comunicação. Esta funcionava em dois horários durante toda semana, em uma das quatro salas de aula do próprio complexo. Tinham seções diárias com diferentes filmes e horários.

3 – Salas de aula – Eram quatro que podiam virar duas por terem paredes modulares. Ficavam em dois andares que eram interligados por uma linda escada externa, vermelha e larga. As paredes frontais eram de vidro e, quando as persianas internas ficavam abertas, dava vista para o grande teatro circular. Estas salas eram usadas para dar aulas e fazer oficinas.Também serviam para reuniões e palestras, além das apresentações de projetos.

4 – Espaço de leitura – parecida com estas livrarias modernas, pois tinha as prateleiras com poltronas, almofadas e bancadas entrepostas. Os livros estavam distribuídos em categorias de interesses. Éramos facilmente atendidos pelos que trabalhavam neste lugar.

5 – HUB – para mim, a área mais interessante e produtiva. Ali funcionava uma espécie de escritório coletivo. Algumas bikes ou sk8s ficavam ao lado de seus donos e mesas. Diversos tipos de profissionais pagavam um preço justo para usarem o local que era totalmente preparado para receber novos profissionais e também os visionários de projetos como, artes, tecnologia, saúde e educação – neste caso em específico, participavam do programa de incubadora. Todos porém, passavam por uma entrevista para se alinharem com a proposta do próprio local. Por exemplo, todos tinham que atender a um conjunto de valores: não poderia ser uma empresa sem responsabilidade social, educativa, sustentável, etc.

6 –  Café Bar – este não preciso explicar, senão apenas dizer que era o grande ponto de encontro entre todos os que freqüentavam o local. Era a porta de entrada. Ali todos eram atendidos e informados. Era uma espécie de balcão de informações. Todos que chegavam pela primeira vez, eram bem recebidos pelos garçons que serviam às mesas e sabiam de todo o resto.

O lugar se sustentava numa dinâmica de desenvolvimento de todas as partes integradas. Todos tinham acesso e necessidade de passar pelos mais variados ambientes. Havia cooperação mútua. Alguns dos que estudavam no local, também trabalhavam em áreas diferentes e, em todas as outras pediam para ser voluntários no serviço.

Não era muito difícil de ser ouvir que mais um novo projeto havia saído da incubadora. Isso motivava todos os demais. Todos os jovens queriam fazer parte de algo que fosse relevante para transformar os espaços de nossa sociedade – em novos valores. Todos aprendiam a subversão e comprometimento de Cristo. Sabiam que espiritualidade era vida vivida em toda sua rotina.

A freqüência era de maioria jovem e estudantes. Aos finais de semana iam muitas famílias com suas crianças pequenas. Para estes, havia um belo gramado que era a extensão do campinho de futebol, com um pequeno parquinho infantil, além da livraria e das oficinas de artes. Tudo funcionava ao mesmo tempo para atender a um único propósito em comum: a vida de Deus. Por isso, a base estava sobre os valores do reino celestial. As pessoas envolvidas tinham cooperação mútua. Respeitavam uns aos outros sem se acharem qualquer coisa diferente dos demais. Suas funções eram praticadas para atender e servir. Sabiam ensinar e produzir.

Enfim, continuo sonhando…

… mas se você também passou por lá, acrescente os detalhes que não descrevi. Quem sabe conseguiremos reproduzir isso para que seja realidade…

Tropical

Sugiro que leiam:

Uma proposta e visão para o terceiro milênio – AIRO

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8 comentários em “Estive num lugar assim:”

  1. Gezz 16 de Março de 2012 às 22:23 #

    Esteve foi?

    Hum…
    Eu gosto da ideia de igreja-bar…um lugar que as pessoas dependem dele.
    Precisam estar lá…igual as pessoas que bebem muito precisam…

    Enfim, gostei do espaço que flui, que faz fluir.

    Abraço Tropical! =)

    Ps. Depois que eu li fiquei pensando se não era o lugar lá que você visitou na Austrália, do Hillsong.

  2. Lucas Mendes Gabriel 29 de Março de 2012 às 17:32 #

    Esse lugar é lindo! É quase perfeito!
    Fiquei abismado quando passei por cada um dos “stands” e pude sentir uma paz incrívelmente real. Quem sabe não possamos construir esse sonho? Deus pode tudo!
    Só sei que senti uma imensa vontade de estar lá, apesar de não me entreter com artes.
    É bem improvável que lembre de mim, mas você participou com uma turma de São Paulo no primeiro Impacto que fui, e pregou em um dos acampamentos de canaval que frequento anualmente. Pra ser mais exato, nos anos retrasado e passado, respectivamente. Um grande abraço Tropical! Deus te abençoe ricamente. Você é especial.

    • Tropical - AIRO 29 de Março de 2012 às 17:39 #

      Fala ae Lucas – manda uma foto ai – assim ficará mais fácil de eu lembrar.
      Cara, nós estamos caminhando para isso – pode crer e trabalhar. Vc vai pisar num lugar assim. abxx

  3. Chris Sinedrio 5 de Abril de 2012 às 12:46 #

    faltou só um espaço com tatames…rsrsr e lógico um lugar para as ctrianças tb quem sabe um brinquedoteca com jogos e atividades ludicas… e um espaço tb para ação social, pois há outras necessidades que tb precisam ser supridas…

    Chris Sinedrio

    • Tropical - AIRO 5 de Abril de 2012 às 13:17 #

      Certo Chris – o espaço de crianças está registrado.
      Quanto ao um espaço para ação social, vc precisa rever seus conceitos, pois tudo se trata disso – é uma grande ação social. A não ser que vc tenha tentado dizer “um espaço para assistência social”. Dai OK. Apesar de ter uma gde diferença de assistencialismo.

      • Chris Sinedrio 5 de Abril de 2012 às 16:19 #

        Isso assistencia social, um local de reintegração, onde as necessidades basicas de alimentação e até saúde pudessem ser supridas tb… As pessoas estão cansadas de ouvir sobre o Evangelho elas querem ver o Evangelho funcionando, agindo no dia-a-dia delas. E não adianta jogar pro Governo, porque nunca funcionou e não vai funcionar…Gostaria de ver o Corpo de Cristo agindo mais nesse sentido, servir a comunidade ao invés de ser servida por ela… mas tudo isso depende de nós comerçarmos a fazer diferença sair do papel e dos sonhos e fazermos acontecer.

        • Tropical - AIRO 5 de Abril de 2012 às 17:38 #

          Quem disse em governo?
          Apesar da questão toda ser de governo mesmo. Nesse sentido, é sobre uma nova esfera de governo que envolve um novo conjunto de valores para criar uma nova sociedade – tudo isso é igual a contra-cultura.
          Isso sim vai muito além de assistencialismos ou da obra social como um propósito (finalidade).

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