Qual deve ser nosso modelo de liderança, como Igreja?


Por Frank Viola

Nós, como homens, se formos honestos, gostamos de ter o povo de Deus olhando para nós. Mas isso não tem nada a ver com Jesus Cristo… Quão antigos o poder e a segurança forem, vocês herdaram esta mentalidade. Vocês herdaram esta prática na qual vocês tiram os seus sustentos dos dízimos. Para mudar isto, é preciso um corajoso e bravo indivíduo que chegue ao ponto de desespero e diga: Eu não quero saber o quanto vai custar, eu não vou participar de algo que machuca o povo de Deus.” Enquanto vocês aceitarem dinheiro do povo do Senhor, vocês serão parte de uma classe separada. Eles sempre olharão para vocês de uma maneira doentia.

Para sermos honestos, ao tratarmos do assunto estrutura de liderança que caracteriza a igreja contemporânea, veremos que é hierárquica e posicional. Isso provém de uma mentalidade posicional que confunde autoridade com papéis a serem preenchidos, descrições de trabalhos a serem cumpridas, títulos a serem exibidos e posições a serem galgadas. Segundo a mentalidade posicional, termos como pastor, presbítero, profeta, bispo e apóstolo são títulos representativos de ofícios eclesiásticos – um ofício é um papel sociológico identificado com um grupo. Ele constitui uma realidade independente em relação ao caráter e às ações da pessoa que o assume.

Em contra partida, a noção de liderança no Novo Testamento, tem suas raízes em uma mentalidade funcional que entende autoridade desde o prisma do funcionamento orgânico das coisas. Ou seja, a mentalidade funcional visa dar expressão a vida espiritual.

No Novo Testamento, liderança tem a ver com a valorização da singularidade dos dons, da maturidade espiritual e do serviço sacrificial de cada membro. Ela tem a ver com funções, não com ofícios. Suas ênfases recaem sobre tarefas, não sobre títulos. E sua principal preocupação é com a atividade em si: pastorear, orientar, profetizar, supervisionar, ensinar, etc.

No português claro: o pensamento posicional preocupa-se com substantivos, enquanto o pensamento funcional enfatiza verbos.

Dentro da moldura liderança posicional, a igreja conforma-se às estruturas militar e gerencial da cultura contemporânea, No contexto liderança funcional, a igreja opera à partir da vida – a vida divina.

Quando o povo de Deus está equipado e as estruturas hierárquicas estão ausentes, o pastoreio mútuo naturalmente ocorre.

Intrínseca às igreja com mentalidade hierárquica e posicional, está uma máquina política que trabalha nos bastidores. Esta máquina promove certas pessoas a posições de autoridade e poderes eclesiásticos. Em contrapartida, as igreja com mentalidade funcional, a responsabilidade mútua e a interação amistosa entre os membros são algo inerente. Eles ouvem o Senhor juntos. Eles afirmam uns aos outros em relação aos dons dado pelo Espírito. Eles se encorajam mutuamente na direção de Cristo.

Em suma, a orientação da liderança no Novo Testamento é orgânica e funcional. A orientação hierárquico-posicional é fundamentalmente mundana.

Observe a Jesus e os gentios/idéia hierárquica de liderança:

Nosso Senhor estabelece um contraste entre o estilo de liderança hierárquica do mundo gentílico e a liderança no Reino de Deus. Após ouvir o pedido de Tiago e João para que lhes fossem concedidos lugares privilegiados ao lado do seu trono, Jesus respondeu-lhes o seguinte:

“Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Mateus 20. 25-29

E novamente:

“Os reis das nações dominam sobre elas, e os que exercem autoridade sobre elas são chamados benfeitores. Mas, vocês não serão assim. Ao contrário, o maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e quede que governa, como aquele que serve.” Lucas 22.25-26

A palavra grega para autoridade é exousia. Em todo o NT você jamais encontrará tal palavra num contexto onde um crente em Cristo tem exousia (poder de autoridade ou direito de exercer poder) sobre outro crente. A palavra grega para “exercem poder” é katexousiazo. Kata , significa “para baixo”. Exousiazo, significa “exercer autoridade sobre”. Então katexousiazo significa autoridade de cima para baixo – liderança hierárquica. Jesus está condenando esse modelo entre os que são seus. De acordo com Jesus, os gentios é que exercem autoridade de cima para baixo. Eles governam, dominam e controlam pessoas, não deve ser assim entre nós.

Não mais Frank Viola

Dentro de nossas igrejas, de quem são as cadeiras cativas e as primeiras fileiras dos auditórios? Quem são os abençoados com copos d’água, melhores lugares das mesas, lenços para enxugar o suor, vagas de estacionamento previamente guardadas, manobrista, carregadores de malas, créditos em livrarias e cantinas da própria igreja local? Quem são os que requerem maior honra e prestígio para si? Quem são os que tomam salários para pregar a Palavra de Deus? Quem são os tiram ofertas sem dar contas? Quem são os que dão ordens e reivindicam obediência cega? Quem são os detentores de poder amaldiçoador a rebeldes de suas ordens? Quem são os que se denominam cobertura ou pai espiritual? De quem são os dedos com anéis de ouro e pedras rubis? Quem são os que gostam de dar “carteiradas” do tipo: “Eu sou o [título/cargo] Fulano de Tal.”? – Parágrafo tirado do texto “Romano demais”, neste mesmo blog: tropical0771.com

Boas ondas

Tropical

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7 comentários em “Qual deve ser nosso modelo de liderança, como Igreja?”

  1. Tropical - AIRO 25 de Fevereiro de 2014 às 11:25 #

    Reblogged this on TROPICAL – AIRO.

  2. samuelcdddejesus 25 de Março de 2014 às 10:56 #

    Recomendo um livro também muito bom sobre esses assuntos (http://www.graodetrigo.com/) esse amado irmão também tem a função de ensinar, existe um livro dele(Deixa meu povo ir) e outros mais que também tratam esse assunto.
    Sobre a questão de liderança vejo 2 extremos: 1-O da obediência cega e 2-O da independência. O modelo de liderança na “Igreja” realmente na maioria está deturpado,existe mais força humana em dominar e conduzir do que o próprio Senhor da Igreja direcionando, e fazendo. Por outro lado também vejo a questão da independência de muitos membros, digo isso em relação a muitas pessoas não quererem praticar Filipenses 2:3 Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.Ou seja , considerar nossos irmãos superiores a nós mesmos e nunca pensar que se tem a ultima palavra revelada,Muitas “líderes” deixaram a pureza por conta do que o povo fez com eles,por que para o povo o líder que é bom é o que rouba,o que fura os olhos do povo,o ladrão, esse sim é o que presta para o povo,por isso muitos perderam a pureza e a e foco do modelo de liderança da Igreja que Jesus sonhou.
    Recomendo também um livro muito bom sobre esses assuntos
    (http://www.graodetrigo.com/) esse amado irmão David W. Dyer, também tem a função de ensinar, existe um livro dele(Deixa meu povo ir) e outros também tratam esse assunto.

    • Tropical - AIRO 25 de Março de 2014 às 11:34 #

      Pow Samuel! Valeu a indicação. Vou ler e depois falarei sobre o assunto.

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