Alguns mestres e seus jugos pesados


Jugo

Dependendo da denominação/igreja, ser crente é bem difícil. Primeiro porque muitas são as igrejas que ganham adeptos para serem mais crentes às suas doutrinas do que para Jesus – diria eu que para esses crentes é mais ofensivo quando ouvem falar mau de seus líderes e suas respectivas igrejas do que se ouvirem alguém rejeitar ao próprio Deus. E se você duvidar, faça o teste.

Estranhamente preferem o chato tradicionalismo que anda de mãos dadas com o formalismo entediante somado ao pesado legalismo – a isso também dá-se o nome de “religião das aparências” – do que o leve jugo de Jesus Cristo.

Em lugares deste tipo o funcionamento é mais ou menos assim: existe uma espécie de avaliação para saber quem é mais ou menos crente ou, quem tem mais ou menos fé. Exemplos comuns são: tua fidelidade quanto a entrega dos dízimos e também adesão a todos os desafios financeiros, tua submissão [cega] ao líder, tua presença no culto [quase que todos os dias] e participação de todas as campanhas [de fé, de prosperidade, de cura e libertação, de conquista da nova terra, de melhor ano de toda sua vida, de glória da segunda casa, de adoração, de compra de cadeiras, etc…

Como se não bastasse, ainda proíbem de colocar na boca até mesmo uma gota de qualquer que seja a bebida alcoólica. Quanto aos shows, filmes do cinema e teatros, independente do conteúdo, se não estiverem na categoria gospel [que hoje em dia é melhor definido como mercado], dizem que é do diabo e, se você esteve por lá, a brecha foi aberta. Pior será se for em dia de culto, pois o teu pecado torna-se quase que imperdoável. Visitar outras denominações, não pode! Namorar sem consentimento do líder, só se estiver louco. E se duvidar de alguma coisa ou do fundador da igreja, trocarão o nome do seu pai pelo nome de Coré.

Mais exageros a parte, usam tudo isso para avaliarem, segundo suas próprias normas, se você está apto para um novo posto eclesiástico – cuide para não ser reprovado e saiba que a única nota aceita é um 10. Sendo assim a graça dá lugar a lei da performance e o peso do jugo de Cristo dá lugar a jugos de outros mestres bem menos preparados.

Preferem o jugo pesado.

Preferem carregar cargas que não suportarão por muito tempo.

Querem impor essas cargas a outros.

Abrem mão do leve jugo de Jesus.

Conta-se que na época de Jesus os rabinos tinham conjunto de regras diferentes segundo suas próprias interpretações de como por a Torá em prática. Chamavam isso de jugo do rabino. E se alguém seguia certo rabino, aceitava-de seu jugo…

Acho isso bem coerente. Pois ainda hoje tem tudo a ver com as igrejas e seus pastores/bispos/profetas/apóstolos e seus jugos – suas interpretações de como por as Escrituras em prática. Isso só é tão mau porque chamam suas interpretações como a verdade de Deus e, qualquer coisa diferente do que interpretaram é do diabo. Estes consideram suas doutrinas como sãs. Dai surgem esse montão de coisas que são esquisitas até demais. Em minha opinião, aceitar essas coisas é o mesmo que escolher um jugo bem pesado. Talvez também seja o caso de ainda não terem conhecido a maneira de Jesus.

MATEUS 11.30 – JUGO SUAVE DE JESUS.

… e as vezes surgia um rabino que ensinava um novo jugo e uma nova maneira de ensinar a Torá. Isso era raro e extraordinário.

Então o extraordinário acontece. Surge o novo rabino autorizado por Deus e identificado por João. Um mestre que detona toda uma religiosidade pesada e ainda abre as portas do reino do céu para que todos pudessem entrar, não somente judeus.

E no famoso texto do sermão da montanha é como se Jesus dissesse: “VOCÊS OUVIRAM OUTROS MESTRES INTERPRETAREM ESSES TEXTOS ASSIM, MAS EU LHES DIGO O QUE DE FATO DEUS QUERIA DIZER COM ISSO.”

Aqueles antigos rabinos tinham termos técnicos para esse processo infindável de proibir, permitir e fazer interpretações.

ELES CHAMAVAM ISSO DE “LIGAR E DESLIGAR”.

Desse modo, um rabino ligava certas práticas e desligava outras. E quando ele dava tal autoridade aos seus discípulos, dizia-se que lhes “dava as chaves do reino”.

JESUS FALA DENTRO DE UM CONTEXTO CULTURAL DOS JUDEUS DA ÉPOCA – Mateus 16.9 e 18.18

Ou seja, Jesus fala aos seus discípulos usando a linguagem corrente da época. Ele disse que à partir daquele momento não somente rabinos ou mestres tinham poder para interpretar a maneira de como viver a prática do reino dos céus, mas todos seus discípulos – pois o Espírito Santo seria neles para que andassem de acordo com a vontade do Pai.

NÃO FOI A CARNE NEM O SANGUE QUE LHE REVELOU…

Se não existisse nenhuma confusão antes de Jesus ter dito isso, eu diria que foi depois deste episódio que todo problema começou. Mas não foi!

O problema está no fato de que apenas alguns poucos se acham no direito de “ligar e desligar”.

O problema está no fato de que a maioria abriu mão de sua responsabilidade de Igreja para entrega-la a uns poucos que “ligam e desligam” a sua própria vontade e cobiça.

O problema está no fato de que deixamos de lado a discussão sobre o quê as Escrituras dizem de fato. Deixamos de confrontar como os bereianos faziam. Deixamos de seguir o exemplo de Paulo na questão dos Gentios que se convertiam aos montões e a opinião de alguns judeus quanto a este assunto – leia Atos 15 para entender a discussão.

O problema é que deixamos de “desligar” as esquisitas interpretações de mestres que gostam de por um pesado jugo sobre as pessoas.

O problema não está nessas novas doutrinas em si, mas na rigidez delas que são como grandes paredes de concreto – inflexíveis – que servem apenas para qualificar quem são os do lado de lá e os do lado de cá – os de lá não prestam. Doutrinas deveriam servir para nos fazer entender a vida de Deus, não para serem como deuses. Pois se essas doutrinas sustentarem toda sua fé, e num momento deixarem de fazer sentido, seu relacionamento com Deus ficará comprometido.

Jesus nos deu as chaves do reino quando sabemos “ligar e desligar” práticas que são verdadeiras e práticas que não fazem nenhum sentido.

Enfim, se quiserem podemos sentar para examinarmos as escrituras a respeito disso que acabei de escrever. Poderemos ligar ou desligar alguma coisa aqui.

Boas ondas,

Tropical

Ref.: BELL, Rob. Velvet Elvis: repainting the Christian faith. Grand Rapids: Zondervan, 2005.

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2 comentários em “Alguns mestres e seus jugos pesados”

  1. SILVIA SCHIOPPA 7 de Outubro de 2011 às 19:54 #

    PARABENS!!!

    Qual é a sua visao quando na palavra diz; “O que DEUS uniu nao separe o homem, ou o que o homem liga na terra DEUS liga no céu..

    Voce acredita que JESUS entregou a chave do reino para cada um que o aceitou como SENHOR e SALVADOR. Voce afirma isso. Eu fiquei com um baita ponto de interrogação na minha alma, é isso mesmo???

    Eu sei DEUS vai te abencoar ainda mais,

    Abraços,

    Silvia

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