Uma proposta e visão para o terceiro milênio – AIRO


Duzentos líderes da tribo de Issacar mais homens comandados por eles… sabiam o que o povo de Israel devia fazer e a melhor ocasião para fazê-lo. ICR12.32

Segundo o escritor Charles Colson, “a maneira como vemos o mundo pode mudar o mundo. Como isso pode acontecer? Quando o cristão se compromete a viver sua fé”.

Uma visão é necessária para ser o dispositivo de ativação de todas as áreas de uma igreja local. A visão indica o modo peculiar de fazer o que algumas igrejas locais já fazem – aquelas que atendem ao propósito de Deus. Quando temos uma visão, temos um jeito especial/próprio/característico de fazer as coisas. É também o que nos dá identidade.

Já faz algum tempo que acredito que poderemos, como instituição igreja, deixar de ser – se é que ainda não aconteceu – relevantes neste terceiro milênio – a era da “pós-modernidade”. Onde nem Deus nem o homem ocupa o centro do universo, mas a pluralidade de tantos centros quanto homens ou deuses – tipo: cada cabeça uma sentença.

Nestes tempos de [pós]modernidade não existe a verdade, nem uma razão suprema ou até mesmo a justiça de Deus que é soberano, senão diversas verdades – a minha, a sua e de todos os outros, diversas razões e apenas interesses de grupos isolados como, por exemplo, das igrejas.

Minha sugestão é que, para termos relevância – enquanto instituição –  precisamos descobrir como podemos ser úteis para atender as carências. Para isso também é necessário identificar quais são as pessoas e seus específicos dons [chamados] e talentosos da Igreja de Jesus Cristo. No contexto deste universo, de todo tipo de gente, alguns buscarão apenas boa música enquanto outros, informações. Alguns querem um bom cafezinho para tomarem sentados a mesa enquanto apreciam a boa leitura, mas outros, uma roda de bate-papo. Muitos outros buscarão um espaço para criar, aprender, falar, dançar, assistir, ouvir, ajudar, descobrir, casar, ser socorrido, fugir, encontrar-se, incubar, investir, buscar apoio, expor idéias, etc…

Não será mais admissível que uma instituição seja um fim em si mesma. Uma instituição, principalmente se for igreja, precisará atender para fora dela. Precisará servir seus vizinhos, seu bairro e cidade. Precisará cooperar para destruir o caos em que os homens se encontram pela falta de valores e principalmente por não reconhecerem que somos todos carentes da graça de Deus pelo fato de sermos pecadores por natureza. Enfim, uma instituição não poderá mais existir, senão para ser como lâmpada acesa.

Por isso é que deveríamos, urgentemente, como igreja, repensar o jeito de ser e se fazer a mesma. Como escreveu Rob Bell em seu livro Velvet Elvis, não poderemos continuar reproduzindo quadros antigos, pois estes deixaram sua essência lá para trás. Chegou o momento da Igreja pintar novos quadros, mas com a essência que existiu lá no passado.

Chegou a hora repensarmos nos valores que são de um reino celestial – o reino de Deus. Precisar entender o que é uma contracultura. Precisamos entender a subversão de Cristo, de seus discípulos e de sua igreja. Como já ouvi de um cara [Ed René Kivitz], se não somos deste mundo, mas continuamos aqui, é porque precisamos sabotar este mundo de caos; fazendo o que é correto.

Precisamos saber o que é ser a nova criação de Deus, em [a partir de] Jesus Cristo.

Uma igreja local não poderá mais ter um homem qualquer como centro. Existem diversas funções de operação dentro do contexto Igreja. Se a Igreja de Jesus Cristo é o meio – a função – para expandir o reino de Deus aqui na terra, também é certo que dentro deste contexto existam diversas funções de utilidade – tanto os dons do Pai, do Filho e do Espírito Santo, como também inúmeros talentos. Sendo assim, haverão centenas de fontes/pessoas em todas suas habilidades e talentos, como uma rede de serviços formados atender a comunidade. Para transformar comunidades locais em pedaços de terra redimida.

Da mesma maneira que é um centro de informações e serviços, deverá ser um fenômeno de socialização. Sem nenhuma restrição para interação, teremos um trânsito formado por todo tipo de gente. As pessoas poderão vir como são, para que depois sejam transformados no que devem ser.

Sem todo aquele aparato religioso que conhecemos tão bem; sem todo formalismo ou tradicionalismo que tanto comprometem toda liberdade que foi conquistada por Cristo, mas de maneira leve, nosso ensino deverá causar impacto para proporcionar inesquecíveis experiências, tanto aos da casa como também para os que nos visitarem. Um lugar que, pela graça de Deus, anuncie as boas novas do reino de Deus de maneira estimulante e criativa, para que de torne memorável e desejável – pelo que é A Verdade.

Que a hospitalidade e o amor sejam mútuos. Que o respeito seja também. Que cada um considere os outros maiores do que a si mesmo. Desta maneira, pessoas não poderão ser consideradas como números ou letras, mas pessoas-ícones. Mostrar as pessoas em quem o evangelho deu certo, não um dado de estatística institucional.

Boas ondas,

Tropical

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10 comentários em “Uma proposta e visão para o terceiro milênio – AIRO”

  1. Christiano 15 de Fevereiro de 2012 às 13:48 #

    “Uma instituição, principalmente se for igreja, precisará atender para fora dela. Precisará servir seus vizinhos, seu bairro e cidade. Precisará cooperar para destruir o caos em que os homens se encontram pela falta de valores e principalmente por não reconhecerem que somos todos carentes da graça de Deus pelo fato de sermos pecadores por natureza. Enfim, uma instituição não poderá mais existir, senão para ser como lâmpada acesa.” TENHO BUSCADO ISSO COMO PROPÓSITO DE VIDA – VIVER PARA SERVIR… AS VEZES É MUITO DIFICIL, NEM SEMPRE É MUITO GRATIFICANTE DEVIDO AS CARÊNCIAS DE PESSOAS DISPOSTAS E EMPREENDEDORISMO, MAS A SENSAÇÃO DE DEVER CUMPRIDO E PODER FAZER A DIFERENÇA NÃO TEM PREÇO… CHRIS sinedrio

    • Tropical - AIRO 15 de Fevereiro de 2012 às 14:06 #

      Valeu Chris, por sua contribuição.
      Mas alguns diriam que já estão fazendo isso – acreditam que as atividades duma igreja local [tipo cultos e assistência social] já cumpre o papel. Estes ainda não entenderem que nossa cooperação vai além disso. Que deveríamos viver segundo os valores de um reino celestial – uma contracultura. Não percebem que se o jeito de ser ou fazer as coisas é semelhantes ao de estruturas empresas, em nada temos a ver com o fato de sermos de “outro mundo”. Deveríamos viver valores para ensina-los. O papo é longo…

  2. Paulinha Pavan 15 de Fevereiro de 2012 às 19:18 #

    Oi Trops!

    Mto bom o texto! Também acredito nisso… acho que Deus está despertando a sua Igreja para um novo tempo, um novo modo…

    Mas de tudo que vc disse, para mim, ficou a impressão de que o local onde se reuniria a Igreja ainda seria bastante importante… qdo vc diz de servirmos a comunidade, de transformarmos os arredores em pedaços de terra redimida. Mas imagine quão mais rápido seria essa transformação, se cada crente assumisse essa postura diferente, os valores do Reino nos ambientes onde circula, com as pessoas com quem convive? Acho que hoje em dia os crentes tentam fazer da igreja local esse QG, onde as pessoas são amadas e cuidadas, mas ainda tem dificuldade de fazer isso em seus contextos, qndo estamos separados… E talvez isso faça o cristianismo perder “credibilidade” entre aqueles que não são cristãos.

    Tenho me incomodado muito com a hipocrisia que nos cerca e que sem perceber, alimentamos diariamente. Hoje penso que mesmo se nos esforçarmos em agir como filhos de Deus, mtas vezes pisaremos na bola e as pessoas (crentes ou não) deveriam estar mais acostumadas com essa idéia. Para o nosso Deus perfeito, a perfeição está no amor e não em sermos de fato perfeitos, no sentido de nunca errar. Perfeito é aquele que é capaz de perdoar, e de amar o pecador (isto é, todos nós). Já pensou que libertador seria se todos pudessemos viver assim, sem esse julgo de nunca poder errar? Para mim, no dia que a Igreja de Jesus entender isso, essa será a verdadeira revolução do amor, que fará com que sejamos relevantes na sociedade.

    Abraços!
    Saudades!

    • Tropical - AIRO 16 de Fevereiro de 2012 às 09:33 #

      Fala Paulinha. Vem em casa qq dia desses. Ai matamos as saudades, encontra a Vivi e as crianças… diz ai…

      Pelo que entendo, sempre existirá um local em que as pessoas se reúnem como igreja – pode ser qq lugar. Pois Igreja é qdo crentes [a partir de 2 pessoas] se reúnem – a assembléia dos santos. Mas qdo o lugar vira uma instituição, com CNPJ e tal, é que as coisas precisam ser diferentes, mas ainda não são. Este QG ainda é um lugar como qq outro. É como qq estrutura que não seja igreja. Vc entende isso?

      Estamos de acordo quando diz que cada pessoa precisa assumir uma postura diferente – viver os valores do reino em sua própria vida. Mas lhe pergunto, pq que isso ainda não acontece em maior parte entre crentes? Talvez vc responda que é pq ainda não aprendemos como deveria ser, ou ainda pq somos hipócritas… Mas onde é que estamos aprendendo tudo?

      Quanto ao que vc falou, da hipocrisia, pisada na bola e julgo, penso assim: http://tropical0771.com/2011/10/01/alguns-mestres-e-seus-jugos-pesados/

      Enfim, a conversa é um pouco longa. E pode ser que tb estamos falando de uma perspectiva um pouco diferente.

    • Tropical - AIRO 16 de Fevereiro de 2012 às 10:02 #

      Caraca, acho que não fui nada objetivo para lhe responder.

      Melhor assim:

      Primeiro –
      E se não somente vivêssemos [todos] os valores do reino em nossa vida, mas tb pudéssemos viver esses valores em nossas instituições?

      Segundo –
      Será que se vivêssemos os valores do reino [em nosso vida], poderíamos construir instituições com valores mundanos?

      Terceiro –
      Quando falamos dos valores do reino em nossas vidas, como uma só vida [integral], a igreja local q freqüentamos não estaria neste contexto? Caso esteja, como então poderíamos ter os valores do reino de Deus para uma rotina fora dela e, qdo dentro dela, aceitarmos outros valores?

      Quarto –
      Numa vida construída a partir de valores, não entra o jeito que fazemos igreja?

      Esquece todo resto e fique apenas com estas quatro perguntas.

      abxx

  3. Paulinha Pavan 16 de Fevereiro de 2012 às 22:55 #

    Hum… Refleti bastante hoje sobre esses pontos… vamos lá:

    Primeiro:
    Isso seria maravilhoso! E aliás, esse é o alvo, na minha opinião.

    Segundo:
    Infelizmente acho que seria possível sim…pela hipocrisia: por ser mais fácil manter o que já existe, por as pessoas terem preguiça de estudar e pouca ousadia e disposição pra propor mudanças relevantes e bancar isso, enfim…

    Mas claro que penso que o sensato seria alguém que vive os valores do Reino construir instituições condizentes com esse padrões. Mas dado o cenário atual, fica difícil de saber quem são os “culpados” pela construção das instituições que temos hoje. O fato é que todos nós contribuimos para que as coisas fiquem do jeito que estão, ou não. E eu tenho esperança, (muita esperança) de que é possível transformar, colorir, mudar a forma, reformar as coisas agindo diferente dentro de instituições corrompidas. Pq a instituição é feita de pessoas, que são passíveis de mudanças, de reconsiderações, de serem transformadas pelo Espírito Santo. (E aquelas que não estão disponíveis pra isso, tudo bem tb! Tem espaço pra eles tb no reino… eu não acredito que só os reformadores vão pro céu… rs)

    Terceiro:
    Acho que sim. Quando vc está fora de uma instituição tem mais liberdade para agir de acordo com o que vc considera certo (até por estar livre do jugo do rabino – eu li o texto). Ao mesmo tempo, eu acredito numa revolução mais silenciosa… acho que o resultado costuma ser mais duradouro e sustentável (e ainda nos deixa menos estressados e com menos gastrite! rs). Para exemplificar, vc entra nessas instituições com humildade e, silenciosamente, joga pequenas sementes de pensamentos, gestos, amor, mudanças. Será que não era mais ou menos assim que Jesus agia qndo entrava todos os dias pra pregar no templo (cuja platéia estava cheia de fariseus e hipócritas)? Ou quando convivia durante anos, (3 no mínimo) com toda sorte de pecadores que, mesmo vivendo perto de Jesus não abandonavam seus pecados?
    É um exercício de extremo domínio próprio, amor, compaixão, compromisso com as pessoas, tolerância… Mas hoje tenho esperança nisso. “Cristo em mim, a esperança da glória”. Quer incentivo melhor que esse? 🙂

    O quarto está embutido no terceiro 🙂

    Abraços!
    Ps: vc ainda mora na mesma casa? Seria mto bom visitar vcs!

  4. Tropical - AIRO 17 de Fevereiro de 2012 às 10:46 #

    Eh, a conversa é longa… começou antes e não vai terminar aqui. Mas é assim mesmo q funciona. Enfim, é exatamente disso que tenho falado – “construir instituições condizentes com esse padrões”. Detalhe, já existe isso em alguns lugares e posso lhe mostrar.
    Mais duas coisas:

    Coerência
    Tem a ver com a história de ser uma coisa fora da igreja instituição e outra dentro. Enfim, tem a ver com a que vc respondeu – que é possível viver de dois jeitos diferentes. Tudo bem – é possível sim, mas a msg que passamos aos outros ficará comprometida pela falta de coerência. Um bom exemplo de incoerência: dizer que não é a favor do aborto, mas a favor da pena de morte. Com um sujeito desses, não dá para conversar, pois não tem coerência.
    Então seremos incoerentes se o jeito que fazemos igreja é diferente do jeito que acreditamos. Isso nada tem a ver com o fato de homens serem ou não perfeitos, mas com o fato de ser coerente com as coisas.

    Esperança e glória
    Esta tua frase: “Mas hoje tenho esperança nisso. “Cristo em mim, a esperança da glória” – acabei de escrever sobre isso:
    http://tropical0771.com/2012/02/16/progresso-ou-esperanca-do-que-depende-o-mundo/

    abxx

    P.S.: Ainda moro no mesmo bairro – vc tem nossos telefones?

  5. Paulinha Pavan 23 de Fevereiro de 2012 às 18:18 #

    Pô, demais Trops… Eu gosto muito das coisas q vc escreve. Hoje tenho mais maturidade pra entender e contribuir pra esse debate. Tenho me alimentado bastante aqui no blog…

    Eu não tenho seus tels não… de nenhum de vcs! e acho q nunca fui na sua casa nova… me escreve um e-mail mandando seus contatos? Tb quero te contar de umas coisas q tenho pensado ultimamente… ia ser mto bom rever vcs!

    abç!

  6. Tropical - AIRO 6 de Março de 2012 às 10:34 #

    Leiam este http://tropical0771.com/2012/03/05/estive-num-lugar-assim/

    Pois tem a ver com a proposta.

    abxx

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