Gospel e mercado


Faz uma semana que fui convidado para ir num coquetel de uma editora.

Não fui pela editora, pois apesar de ser consumidor, não presto tanta atenção em quem publica os livros quanto presto nos autores e seus títulos.

Também não fui pela festa, mas pelo autor Philip Yancey – ele estava lá. Gosto da maneira que ele escreve e também do conteúdo de seus livros, nada além disso. Enfim, sai bem decepcionado com o evento.

Era um evento de premiação relacionada aos bons números de mercado. Os convidados eram lojistas e pequenas editoras. Falaram de mercado, de números e sucesso de vendas. Falaram da empresa e de novas conquistas estruturais. Os revendedores de sucesso foram brindados com troféus, presentes e um jantar razoável. Chocante!

Se quer ouvi uma proposta que estivesse de acordo com a finalidade do evangelho do reino do céu. Não apresentaram nenhum dado de estatística sobre o alcance do evangelho através de livros. Não ouvi nada sobre um programa de incentivo a educação ou um plano de doações, nada sobre uma ação comunitária ou uma parceria com ONGs, nada sobre um programa de redução de custos finais, nada sobre o apoio missionário para regiões de difícil alcance. Não ouvi nada que agregasse algum valor espiritual a uma empresa que vende livros de fundamentação bíblica, teológica e religiosa. Chocante! Estava pensando que escaparia de presenciar o falso espirito cristão que estava sobre a ExpoCristã. Também estava lá.…

Onde foi parar o sentido das coisas?

Faz um tempo que li uma boa e distorcida, mas coerente com a realidade, definição da palavra gospel. Dizia que a melhor definição para a palavra é, antes de tudo, mercadológica. Se tratando só de música, o mercado gospel movimenta hoje mais de R$ 1 bilhão por ano e tem mais de 50 milhões de ouvintes estimados no Brasil todo. De acordo com pesquisas da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), é o 2º gênero mais vendido no país.

“O mercado de artigos de orientação teológica é gigantesco e tem aumentado muito. Ao menos 700 empresas se voltam, exclusivamente, para atender esse público, que tende a somar 55 milhões de convertidos até 2010. É um povo fiel na formação espiritual e não mede esforços em ler, ouvir e vestir artigos que o identifiquem como cristão”, diz Eduardo Berzin Filho, diretor da EBF Eventos, realizadora da feira ExpoCristã, hoje a maior vitrine do potencial neoevangélico no Brasil.

Uma declaração chocante, pois lhe falta a essência do evangelho. Bom, se você quiser pesquisar sobre o assunto, é fácil, basta dar um boa googada, e terá muitas coisa para ler.

Quero deixar registrado que não sou contra o surgimento de empresas que criam novas ferramentas e vendem produtos que podem nos ajudar para o conhecimento e crescimento, mas TOTALMENTE CONTRA a falta de princípios, moral e ética – explícito pela falta de proposta e finalidade de uma grande parte dessas pequenas e grandes instituições.

Talvez você tenha um sonho, de um dia gravar um CD ou escrever um livro… talvez abrir uma loja, uma livraria ou até mesmo ser uma grande editora. A questão está no propósito: para quê e por quê? Nós precisamos responder a estas perguntas e desconfiar de nossas reais intenções. Se sua finalidade é ganhar dinheiro, afinal o mercado isolado cresce muito mais que a própria economia, você está mais enganado do que antes de conhecer o evangelho do reino anunciado por Jesus. Na realidade isso é para tudo o que fazemos e o que somos em Jesus Cristo. Mas me deixa chocado o fato de que isto – essa gana pelo sucesso – está acontecendo em nome do evangelho – digo, de uma falso evangelho, de um falso espírito… Agora também terei que ter critérios ao ouvir uma rádio gospel, para comprar um livro ou até mesmo para ouvir uma música… terei que pesquisar a fonte.

Gospel = uma corruptela de “god-spell” que significa good tidings ou good news, em português, boas novas – evangelho.
Mas, infelizmente, hoje virou mercado. Como em quase tudo, somos mestres em deixar com que o sentido seja roubado.

Boas ondas,

Tropical

2 comentários em “Gospel e mercado”

  1. >Será que se Jesus visitasse esses lugares hoje faria como fez no templo e sairia chutando tudo a sua volta? (Marcos 11) – Não podemos perder o foco que é a pregação do Evangelho e o relacionamento com Deus e com o próximo.

  2. Kedyma Galdez 21 de Outubro de 2010 às 13:07 #

    >Cara de quem vê e não se vende. Sucesso!

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