Bíblico sim, mas não profético.


Resolvi escrever mais um pouco sobre o assunto “dízimo”. Muitos já sabem minha opinião em relação a este preceito (pois é assim que o considero), porém não são todos que buscam uma maior compreensão. Porém escreverei somente o que acho necessário. Além disso, todos deveriam fazer como os moradores da cidade de Beréia que: “… ouviam a mensagem com muito interesse. Todos os dias estudavam as Escrituras Sagradas para saber se o que Paulo dizia era mesmo verdade.” (At. 17.11). Todos deveriam ir a qualquer site de busca e pesquisar dobre o assunto – expandir o conhecimento ao invés de aceitar goela abaixo qualquer coisa que ouvem só pela conveniência ou comodismo.

“Nunca somos mais enganados do que quando pensamos que estamos vivendo para Deus, mas na verdade vivemos para suas bênçãos”. Larry Crabb

Ouvi algumas vezes que as pessoas dão dízimos por obediência a palavra de Deus, mais especificamente ao tão famoso texto do livro de Malaquias. Eu ouso dizer que a maioria paga dízimos por medo ou interesse. Pois caso não o façam, o devorador não será repreendido, mas se entregam a décima parte de toda renda, as janelas dos céus serão abertas para que as bênçãos caiam sobre si – medo do devorador, inferno financeiro ou até mesmo do castigo de Deus por tão grande desobediência; interesse pelos resultados. Apesar disso, já ouvi de muitas pessoas que nunca pagaram o dízimo por medo, eu acredito. Porém, pergunto se continuariam tranqüilos caso deixassem de dizimar, se continuariam sem medo – do devorador, do castigo ou de Deus. Quem já deu alguma coisa a Deus para receber dele algum pagamento? Rm 11: 35-36

Lanço o seguinte desafio:
Quero que me respondam o que é o dízimo, quais as referências sobre o assunto, como ele foi instituído e com qual finalidade, de que forma ele era entregue, quem eram as pessoas que entregavam e quais eram os que se beneficiavam dele? E na nova aliança, quando é que o dízimo apareceu, quando foi que Jesus o pagou, como que ensinou sobre tal assunto, o que as cartas falam sobre ele, etc.? Se souberem responder essa leva de perguntas, farei outras para dar continuidade.

CREIO NO PRINCÍPIO DA CONTRIBUIÇÃO – QUEM PLANTA POUCO COLHE POUCO. EM CERTAS OCASIÕES, CONCORDO COM O SUSTENTO DE ALGUNS SANTOS [quando estes não têm condições] E A ARRECADAÇÃO FINANCEIRA QUE VIABILIZA UMA INSTITUIÇÃO LOCAL [desde que haja transparência]. MAS NÃO POSSO CONCORDAR COM UM PRECEITO TÃO ERRADO COMO A CONTRIBUIÇÃO OBRIGATÓRIA CHAMADA DÍZIMO. DIRIA QUE CHEGA A SER EM ALGUNS CASOS ISOLADOS, UMA GRANDE HERESIA – DESVIO.

“Que cada um contribua conforme resolveu no coração, não com tristeza, nem por obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.” II Co 9:7
“Cristo nos libertou para que sejamos de fato LIVRES!” Ga 5:1
“… todos ficarão sabendo que vocês deram ofertas porque quiseram e não porque foram obrigados.” II Co 9:5b

E se alguém me disser que esses textos acima dizem respeito as ofertas e não para dízimos, por favor me mostrem então os textos que revelam a contribuição da igreja primitiva na forma de dízimos.

Um pouco do que penso
Que é muito difícil romper com uma cultura que, ao decorrer de anos, se torna algo petrificado. Penso que é difícil se desfazer de um preceito. Einstein disse que é muito mais difícil quebrar um paradigma do que explodir um átomo. Penso que muitos dos que entregam seus dízimos e os que pregam, não o fazem de sacanagem, mas crêem de verdade. Também não duvido das boas intenções, porém, faz sentido para mim o dito popular que alerta a respeito do lugar que está cheio das boas intenções. Penso que no dia em que as denominações assumirem que o dízimo não é uma obrigatoriedade e que, nem Deus castigará pessoas caso estes não dêem, logo muitos pararão de contribuir – uma realidade triste, mas necessária. Penso que teremos, como Igreja, um novo e grande desafio: sermos generosos, exercermos a gratuidade ou aprendermos a doar, a entregarmos ofertas por amor a Deus e ao próximo. Penso que muitos pastores terão que arrumar emprego por causa desse grande choque – como se Paulo, entre outros, depois que foram chamados e assumiram uma função diante da igreja do Senhor, nunca mais tivessem que trabalhar – nesse sentido, merecedores de honra. Penso que o assunto dízimo não é uma questão tão simples ou, como muitos dizem, “um assunto sem importância e, por isso deixe de se preocupar”. Mas penso que este assunto é de extrema relevância, pois mexendo nisso, estaremos mexendo num fundamento de um sistema mundano que, infelizmente, também absorveu a igreja institucionalizada e, que por este motivo, precisamos resgatar valores do reino dos céus . O fato é, se mexermos nisso, muitos terão que procurar emprego, perderão regalias, e portas serão fechadas. Em minha opinião, é difícil escapar disso.

Diáconos
Somos cooperadores, co-pastores, co-sacerdortes e nada do que temos é nosso. Somos corpo – Cristo é a cabeça da Igreja. Somos mordomos do rei. O dinheiro que recebemos, a família que temos, as pessoas que estão ao nosso lado, nossos alunos, nossa casa, trabalho, enfim, tudo pertence a Deus – 100%. Será que poderemos dizer “nosso” – ?!
Daremos contas de tudo o que foi posto em nossas mãos e 10% não te isenta nem justificará sua vida diante do dono de todas as coisas.

Pior é que entregar o dízimo virou uma maneira de transferir responsabilidades. Quem dá o dízimo acha que a obrigação do sustento de missionários, os cuidados aos necessitados e toda assistência passa a ser da igreja local. Mas também, culpa desse ensino que diz ser “pecado administrar o próprio dízimo”, pois isso quem faz é a própria instituição e seus líderes. Donde é que tiraram este ensinamento?

“Tomei o livrinho da mão do anjo, e o comi; e na minha boca era doce como mel; mas depois que o comi, o meu ventre ficou amargo (AP10.10)”. Creio que nossa pregação é muito boa porém difícil de ser vivida.

Será que voltamos ao velho tempo e a casa do tesouro se tornou a instituição “x” ou “y” enquanto nosso lar está numa condição precária?

“Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos sujeitos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra. (RM7.6)” “Pois, com efeito, o mandamento anterior é revogado por causa da sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual nos aproximamos de Deus. (HB7.18-19)

Na velha aliança Deus havia escolhido uma tribo para que o servisse em tendas e depois no templo construído por Salomão. Eram os Levitas uma tribo sacerdotal. Hoje, pela morte e ressurreição de Jesus somos um Reino de Sacerdotes – o sacerdócio de Cristo é universal, não apenas uma classe de pessoas especiais. Deus nos fez habitação de Seu Espírito. Somos casa de Deus e templo do Espírito Santo. Somos a casa do tesouro e os sacerdotes que se entregaram 100%. Quando nos reunimos somos igreja e noiva de Cristo. Temos diferentes dons – tanto os de Jesus como os do Espírito Santo – para que sejamos aperfeiçoados (EF4.1-16). Temos a unidade conquistada por Jesus para seu “corpo” (JO17). Fomos feitos filhos de Deus (JO1.12) e agora podemos chamá-lo de Pai (MT6.9). Somos livres…

O papel de Jesus Cristo [dentre outras coisas], foi o de libertar pessoas.
O papel da Igreja também é de libertar, não sujeitar. Somente assim seremos uma nação [pelo sistema do reino do céu, não daqui debaixo].

P.S.: Leia também, neste blog: “O dízimo é para cristãos?

Boas Ondas,

Tropical

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4 comentários em “Bíblico sim, mas não profético.”

  1. Angelica 13 de Fevereiro de 2011 às 22:26 #

    >Nossa Tropical, esse texto veio ao encontro do que eu precisava e buscava!

  2. Paulo David Muzel Jr - Tropical 14 de Fevereiro de 2011 às 12:23 #

    >Fala Angelica. Quem é vc?

  3. Angelica 14 de Fevereiro de 2011 às 12:38 #

    >Rsrs!Esposa do Fluvio (Cristo Salva)

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  1. Dizimistas ou mordomos? | Tropical – AIRO - 22 de Novembro de 2011

    […] Dízimos é para cristãos? […]

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