Romano demais


Dentro de nossas igrejas, de quem são as cadeiras cativas e as primeiras fileiras dos auditórios? Quem são os abençoados com copos d’água, melhores lugares das mesas, lenços para enxugar o suor, vagas de estacionamento previamente guardadas, manobrista, carregadores de malas, créditos em livrarias e cantinas da própria igreja local? Quem são os que requerem maior honra e prestígio para si? Quem são os que recebem para pregar a Palavra de Deus? Quem são os tiram ofertas sem dar contas? Quem são os que dão ordens e reivindicam obediência cega? Quem são os detentores de poder amaldiçoador a rebeldes de suas ordens? Quem são os que se denominam cobertura ou pai espiritual? De quem são os dedos com anéis de ouro e pedras rubis? Quem são os que gostam de dar “carteiradas” do tipo: “Eu sou o [título/cargo] Fulano de Tal.”-?

Esse modelo de liderança já está tão difundido em nossa cultura que já atingiu os guetos eclesiásticos. Que este tipo de liderança, de cima para baixo, seja um modelo comum entre os que não tem a fé em Jesus Cristo, entre os que desconhecem os princípios de um governo celestial, tudo bem; mas aceitá-lo entre os que se dizem cidadãos de um reino celestial, não dá para aceitar e ficar quieto. Também é bem óbvio que não são todos que pensam e agem dessa maneira, porém já está claro que tal modelo de liderança já ganhou muitos adeptos em tempos modernos.

Um bom exemplo de que todos fazem isso, tantos os que se acham alguma coisa, como os que se acham pessoas comuns, mas também alimentam o paradigma; aconteceu a pouco tempo quando fui convidado para celebrar uma cerimônia de casamento. No dia da festa, cheguei ao local e, sem nenhuma pretensão, tentei descobrir como estava a organização – se havia alguém responsável por toda a dinâmica da festa: entrada de padrinhos, noivos, daminhas, músicas, etc. Porém não me deram muita atenção. Acho que pensavam: “Quem é esse curioso?” Contudo, a parte interessante dessa história, aconteceu logo depois do fim da celebração. Pessoas que haviam me tratado com certa desconsideração, vieram para me pedir desculpas “pois eu não sabia que o senhor era o pastor…” Em poucos minutos ganhei mais prestígio do que nunca havia ganho em toda minha vida. Não me detive a nenhuma dessas pessoas e, ao invés de aceitar as desculpas, disse que deveriam me tratar com respeito e atenção, independente de quem sou. Logo a pronta resposta foi: “Que é isso pastor. Honra a quem honra” e o blá, blá, blá de sempre. Enfim, conversei bastante naquela noite. Tentei deixar bem claro que devemos tratar todas as pessoas com igual respeito, mas porém, se entre nós houvesse alguém digno de maior honra, esse tal não era eu.

Palavras de nosso Senhor Jesus Cristo:
“Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo; como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. Mateus 20. 25-29

Estaremos agindo como verdadeiros loucos se estivermos atrás desse tipo de honra – a honra de ser servido por sermos líderes: de célula, de departamentos, como pastores, etc. Deveríamos servir. Esses tais que deveriam dar o copo d’água, carregar malas, receber as pessoas e deixar os melhores lugares para elas, convidar para suas festas os que não podem lhe dar nada em troca, fazer questão de pagar o café, servir à mesa em dia comemoração, buscar gente sem importância nenhuma, enfim: servir!

Voltando ao texto do evangelho de Mateus.
A palavra grega para autoridade é exousia. Em todo o NT você jamais encontrará tal palavra num contexto onde um crente em Cristo tem exousia (poder de autoridade ou direito de exercer poder) sobre outros crentes. A palavra grega para “exercem poder” é katexousiazo. Kata, significa “para baixo”. Exousiazo, significa “exercer autoridade sobre”. Então katexousiazo significa autoridade de cima para baixo – liderança hierárquica. Jesus está condenando esse modelo entre os que são seus. De acordo com Jesus, os gentios é que exercem autoridade de cima para baixo. Eles governam, dominam e controlam pessoas, “não deve ser assim entre vocês”.

“Jesus Cristo, quando veio para este mundo, foi a pessoa mais livre que tocou este planeta. Seu trabalho principal foi libertar pessoas. Ele é o grande libertador. No seus dias ele libertou as mulheres. As mulheres o seguiram aonde ele foi. E quando ele morreu na cruz, elas estavam lá com ele. Quando ele ressuscitou, foram as mulheres que o viram primeiro. Jesus tinha uma visão muito exaltada dos seus seguidores. Ele tinha uma visão exaltada das mulheres num tempo em que elas eram oprimidas e suprimidas. Ele era um libertador. Existe algo em Jesus que torna as pessoas livres de verdade. Jesus diz: “quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo”. A marca de um servo de Deus é que ele venha libertar pessoas. Não governá-las. Não controlá-las. Mas libertá-las. O papel mais importante de uma igreja, é o de libertar pessoas. E este é o ministério de Jesus.” Frank Viola – Conversa franca com pastores

Boas ondas,

Tropical

Enviado de meu iPod

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5 comentários em “Romano demais”

  1. Eliane Alves 10 de Fevereiro de 2010 às 14:30 #

    >Uallll, dispensa comentários! O que dizer depois disso?

  2. Paulo David Muzel Jr 12 de Fevereiro de 2010 às 18:50 #

    >Tenho um dicionário bíblico – Vine (antigo e NT) – e um NT interlinear- Grego e português.Qdo Jetro disse a Moisés para fazer alguma coisa, disse para colocar homens sábios que soubessem julgar o povo – Êxodo 18. Está em hebraico (não sei se antigo ou novo), não grego. Há grande diferença de sentidos.A palavra que tenho em tal dicionário é (verbo) shãphat – tem muitos sentidos e vc deveria ler aqui. E o substantivo é mishphãt: quer dizer "julgamento de direitos". Ou seja, Moisés não estabeleceu liderança, mas juízes. Independente disso, o modelo de liderança neo testamentário, não é o de governo ou domínio. Quero dizer, nem há liderança, mas referências de homens mais velhos, sábios, experimentados na caminhada com Deus, maduros, etc. Reconhecidos dentre a Igreja e que andavam ombro a ombro com todos, não acima. Eram co-pastores com Cristo. P.S.: Essa foi uma responta q precisei dar, pois me perguntaram se Moises, pelo conselho do seu próprio sogro, não teria ele, instituído líderes sobre o povo.

  3. Nelson Costa 16 de Fevereiro de 2010 às 15:37 #

    >O homem Jesus de Nazaré revelou em sua humanidade tal grandeza e profundidade que os Apóstolos e os que o conheceram, no final de um longo processo de decifração,só puderam dizer: humano assim como Jesus só pode ser Deus mesmo!Excelente texto Tropical!Forte abraço!

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