Qual resposta certa e a maior distância da terra?


Foi numa padoca bem bacana, no bairro de Campo Belo. Era um começo de noite.

Estava lá esperando um amigo para mais um café de idéias.

Ele estava um pouco atrasado. Mas tinha um bom motivo. Os pais dele estavam em São Paulo para uma breve visita. Eles são germânicos, aposentados e cheios de ótimas histórias. Um bom subsídio para isso é que por pouco mais de uma década eles viveram como missionários em tribos guaranis – próximas da fronteira do Brasil com o Paraguai.

O que não esperava era que eles também viessem para nosso bate papo.

Foi ótima surpresa. Pois já sabia que dali eu poderia tirar novas e boas lições.

Deixei de lado as primeiras idéias e aproveitei para ouvi-los mais.

Entre uma e outra xícara de café pude ouvir duas ótimas frases.

A primeira que ouvi foi:

“Temos o péssimo costume de responder às pessoas questões que elas não têm.”

Como quem não responde nada a ninguém, ainda criamos novas questões.

As respostas que não respondem as perguntas, pelo fato delas não existirem, podem virar novos dilemas.

Geralmente as questões são mais simples de serem respondidas – mesmo que não sejam tão evidentes. Só que nossa falta de sensibilidade e clareza não nos permite eficiência na resposta. Escrevo isso pensando sobre o evangelho de Cristo.

Isso me fez lembrar de uma boa resposta dada por Jesus:

“Filho, se anime, os teus pecados estão perdoados.” (MT9.2)

Bem! Como eu não estava na cena e o relato me dá espaço para imaginação; se fosse comigo ficaria um bem frustrado. Pois diria ao mestre, em alto e bom som:

“Pecados?! Eu quero é andar! ANDAR!

E minha pergunta seria:

“Podes me fazer andar?”

Mas é também necessário dizer que, assim como hoje, os caras atribuíam o estado deplorável da paralisia como uma resposta ao pecado do próprio indivíduo. Um claro castigo dos céus.

É também certo dizer que na narrativa não existe nenhuma evidente pergunta da parte do paralítico, mas sim uma maldosa e recôndita questão da parte dos mestres da lei que estavam por ali. Tipo:

“Quem você pensa que é?”

E a mais simples resposta que Jesus poderia dar foi esta:

“Sou o Filho do Homem. Eu tenho autoridade para perdoar pecados como também para fazer esse paralítico andar. Vejam!”

 A resposta foi simples pelo fato de ter sido direta, objetiva, prática e que também tirava a dúvida.

Ainda mais um pouco sobre o assunto.

Imagino que se perguntássemos qual seria o grande problema da vida de tal homem, ninguém arriscaria dizer outra coisa senão a aparente paralisia física. Afinal, todos imaginamos que boa saúde e dinheiro no bolso representam bem a isenção dos problemas comuns. Porém Jesus sabia que na ordem de problemas que aflige toda humanidade, o pecado ocupa isolado a primeira posição, não a paralisia. Ouça as pessoas e verá que o problema não está na complexidade da vida, mas no simples motivo de sua morte espiritual devido ao pecado não reconhecido. Mas a simplicidade do evangelho é que Jesus nasceu, morreu pelos nossos pecados e ressuscitou; nos dando esperança para vida eterna. O que passar disso são respostas evasivas.

A segunda frase que ouvi foi em forma de pergunta:

“Tropical, você sabe qual a maior distância da terra?”

Respondi:

“Sei lá! Seria, por acaso, uma volta nela mesma até chegar onde eu comecei?”

“Não! É a distância entre sua própria mente e o seu coração.”

Pura verdade!
Exemplo fácil é o que sempre acontece. Já entendemos em nossa mente que devemos ter uma vida piedosa, cheia da compaixão que estava em Cristo; porém não sentimos nada ao olhar a situação em nossa volta. Enxergamos as pessoas como se fossem árvores. Não choramos por nós mesmos e muito menos pelos que sofrem. Não ajudamos e, se tiver então que colocar a mão no bolso, até da memória apagamos o que aprendemos através da bíblia. Sabemos que deveríamos acumular tesouros nos céus, mas somos loucos pelas coisas da terra. Amamos apenas os que nos fazem o bem e jamais convidaríamos para nossas festas os que nada têm.

Enfim, você poderá completar a lista das coisas que já sabe, mas que não pratica.

A distância entre o cérebro e o coração pode demorar uma vida inteira para ser percorrida, mas com a ajuda que temos do Espírito Santo de Deus, poderá durar menos que alguns segundos. Não sei se sei bem como isso acontece, mas creio que acontece.

Boas ondas,

Tropical

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One Comment em “Qual resposta certa e a maior distância da terra?”

  1. Paulo David Muzel Jr 19 de Novembro de 2009 às 12:18 #

    >Complemento.A vida realmente é bem complexa, devido principalmente a condição em que nascemos – nossa natureza decaída. Não entendemos muitas coisas pelo fato de termos nossos olhos vendados. Mas se conseguirmos discernir nossa velha natureza (só com a ajuda do ES), a vida começará a ser mais simples (acho que ai q está o drama – como assim!?). Mas quero lembrar que "simples" não quer dizer que é fácil. Simples pelo fato de enxergarmos realidade e o que realmente nos aflige. Difícil pelo fato das duas naturezas estarem em grande guerra (a nova contra a velha).Agora tentarei um exemplo. Obs.: Pelo amor de Deus, é apenas uma filosofação, jamais uma doutrina / regra.Se concordarmos q pecado é o msm que errar o alvo, poderemos partir de um ponto. Certo?O medo de viver sem ninguém e de n ser amada(o), pode ser considerado um pecado, apesar de ser bem comum, pois implica a falta de fé. Lembre-se tb que o contrário da fé não é a dúvida e sim o medo. Uma pessoa com medo precisa da fé do ES para viver em paz. Poderíamos dizer que o medo – resultado da incredulidade – é uma conseqüência do pecado, que é a própria incredulidade. A complexidade (dilemas, perguntas mau respondidas, amor e ódio, solidão, ambições e sonhos não realizados, etc.), da vida, é fruto do pecado original. Nesse sentido eu quis dizer que se identificarmos isso, a reposta se torna simples: precisamos ser reconciliados com o Pai. Precisamos de perdão.O pecado é complexo.O perdão é simples. Jesus morreu pelos nossos pecados.

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