Jesus, o ungido! O que mais ele é?


 

Já fui acusado de reconhecer Jesus Cristo apenas como salvador, não como Senhor. Foi pelo fato de não concordar com um preceito que, pela pessoa com quem eu conversava, tinha uma opinião divergente e por isso considerava parte da santa doutrina bíblica. Tive que considerar a acusação avaliando todas as minhas reais motivações que estavam relacionadas ao assunto. Cheguei a conclusão, depois de mais uma série de pesquisas de estudos, conversas e confrontações, de que no caso em específico eu estava bem certo. Porém a auto avaliação me fez enxergar que realmente, dentro de certa ótica, poderia considerar que Jesus não estava como Senhor de toda minha vida, apenas em áreas mais fáceis de se sujeitar ou até mesmo por conveniência. Independente de pontos de vista que me serviriam de justificativas, pedi perdão a Deus, expus minhas dificuldades e limitações, além de dizer do meu real desejo em servi-lo. Sempre digo que não tenho medo de ser confrontado, acusado ou coisas do tipo. Busco sim, reavaliar cada caso e, se constatar o erro, concertar-me.


Mas sempre que me lembro deste episódio, consigo somar mais uma série de atributos na pessoa de Jesus, o ungido. Não somente o de salvador e senhor, mas também o de amigo e mestre, por exemplo. É nesse caso, o de mestre, que escreverei um pouco mais.


“Temos dissimulado com tanta persistência o poder do evangelho… que é desculpável que aqueles que o julgam por nós duvidem que ele seja mais eficaz e inspirador do que os patéticos palpites que adornam os escritos filosóficos.” Canon B. F. Westcott


Se também reconhecemos a Jesus Cristo como mestre, por que é que temos seguido um caminho tão diferente ao dele? Porque a nossa mensagem apenas anuncia as bençãos de Deus em detrimento do compromisso de alunos que deveríamos ser? Por não o imitamos em simplicidade, mas sempre estamos buscando a glória dos homens, seus poderes e reinos? Por gostamos tanto de status – inclusive o eclesiástico?


“Aceitamos que a nossa religião efetivamente se afaste de Jesus como amigo e mestre, e da nossa existência cotidiana como santa vocação ou compromisso com Deus. Alguns trocam a vitalidade divina e a integridade pessoal pela conduta ritual; outros podem se contentar com uma série isolada de “experiências”, em lugar da transformação do caráter.” Dallas Willard (A conspiração divina)


Hoje, pela manhã, conversava com uma amiga de trabalho sobre as questões da graça e do perdão. Foi por causa de um e-mail que recebi. Era uma reportagem sobre a verdadeira história de um ex-sequestrador que fora transformado pelo amor de Deus, evidenciado através de sua própria vítima. “Síndrome de estocolmo!” – é um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro. Essa foi a primeira coisa que ouvi dela.

Sem querer defender ou atacar os estudos que tentam decifrar a alma humana, fiquei chocado em ver o quanto algumas pessoas, através de um conhecimento meramente humano, sempre tentam anular toda e qualquer ação sobrenatural. Me parece que para cada atitude humana existe uma resposta científica ou psicológica. Com isso, tentam sempre – não sei se sistematicamente – anular qualquer ação de Deus no homem. Pergunto, porque é que sempre tem que ser a tal síndrome “x” ou “y” e não apenas a vida de Deus num ser humano, redimido pela morte e ressurreição de Cristo, que o faz ter atitudes de amor incondicional? Digo, assumam logo que não acreditam em Deus como o único criador de todas as coisas – como a essência da vida. Não tem compatibilidade dizerem que crêem num Deus que é soberano sem lhe atribuir poder, louvor e glória.


O pior dessa história é que isso também acontece no âmago da igreja. Pessoas que professam a fé em Jesus Cristo, não o reconhecem mais como mestre. Acreditamos sem questionar que as últimas pesquisas tem mais a nos ensinar sobre o amor e sexo, sobre finanças, sobre família e educação dos filhos, sobre relacionamento entre amigos e colegas de trabalho, do que o próprio Jesus nos ensina. Isso nos mostra em quem nós verdadeiramente depositamos nossa confiança.


“Perdemos totalmente a noção da diferença entre informação e sabedoria, e os nossos atos revelam isso.” D. Willard


“Fica difícil, se não impossível, edificar uma cristologia plausível com base num Jesus ingênuo, equivocado, desafortunado ou ignorante.” Tomas Oden


A extinta escola dominical, que nos anos setenta e oitenta ainda era comum nas igrejas mais tradicionais, deu lugar a novos tipos de seminários e ensinos de “como tocar o nosso negócio” ou “como conduzir a nossa carreira” em nome de Jesus Cristo (Cl3.17, 23). D. Willard ainda ressalta que “pouco se faz para ensinar as pessoas a fazer o que ele [Jesus] fez e pregou… quem sabe de um seminário ou curso teórico e prático oferecido no programa de educação cristã que verse sobre como amar os inimigos, abençoar aqueles que o amaldiçoam, fazer o bem aqueles que o odeiam e orar por aqueles que cospem em você e tornam a sua vida infeliz?” (cf. Mt5.44)


Apesar de saber o quanto nossa velha natureza tem nos atrapalhado em reconhecer Jesus Cristo em todos os aspectos que lhe são devidos, graças a Deus que pelo Espírito Santo hoje também podemos reconhecer o quanto estamos distantes de seu propósito – Cristo em nós. Temos tempo de nos arrependermos de nossos pecados para sermos colaboradores com Ele na proclamação do evangelho do reino celestial, não terreno.


Será que o evangelho que eu vivo, prego e ensino tem uma tendência natural de me fazer e também as pessoas a se tornarem alunos de Jesus em tempo integral?


Como já ouvi e escrevi, o verdadeiro avivamento se dará quando formos imitadores de Cristo, não somente estudiosos ou adoradores.


“Jesus é digno de ser aprendido, adorado e imitado”. Ronny Vitoreli



Boas ondas,



Tropical



Etiquetas:, ,

Ainda sem comentários.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Coletivo TraçaUrbana

o c o r p o e n t r e d o t e c i d o u r b a n o

De volta ao Manual

Pensamentos sobre o amor de Deus na vida cotidiana

projetosilva

Ukulele e Voz ,Letras Simples e Pensamentos Sinceros...

Don Charisma

because anything is possible with Charisma

Do Pensamento no Deserto

CRÔNICAS, ARTIGOS, ENTREVISTAS E IDÉIAS DE LUIZ FELIPE PONDÉ

Nelson Costa Jr.

" Ceci Est Un Dieu "

Marco Juric

Fotografia

Teologia Hermenêutica

Sobre os equívocos, exageros, métodos e possibilidades de interpretação teológica no pensamento cristão.

TROPICAL - AIRO

espiritualidade

Sandro Baggio

Trilhando o estreito caminho entre o cinismo e a ingenuidade.

A Bacia das Almas

Onde as ideias não descansam

espiritualidade

drnerium

Just another WordPress.com site

Uma pausa para o café.

Porque precisamos de uma pausa.

jonasmadureiradotcom.wordpress.com/

"Quebre os grilhões da cela, mas não se assuste se o prisioneiro não sair, talvez a cela seja absurdamente confortável."

Reino & Sacerdote

Trabalhando para que a Igreja cresça e que o Reino avance!!! Ap 1.5,6

%d bloggers like this: