O almoço é de graça


 


Realmente a graça não é nada comum ao homem natural. Somos motivados pelas recompensas e trabalhamos por salários e, por melhor que seja seu chefe ou a empresa onde você trabalha, só lhe pagam pelo serviço que você fez, não pelo que não fez. Damos presentes para quem antes nos deram, mas se os que ganharam nossos presentes não nos retribuírem numa próxima oportunidade, provavelmente não ganharão nenhum outro. Convidamos para nossas festas as pessoas que nos convidaram anteriormente, mas terá que haver reciprocidade, senão ficarão de fora na seguinte. Amamos os que nos amam. Os padrinhos de casamentos geralmente são os que melhor podem nos presentear. Amigos continuarão amigos enquanto a troca for de igual para igual, enquanto a retribuição for da mesma proporção. Não gostamos de pessoas que pisam em nossos calos e os amigos que fizerem isso, não durarão por muito tempo. Enfim, somos todos bem interessados no que poderemos ganhar e avaliamos bem se qualquer pessoa merece mesmo o que queremos dar. Já ouvi um velho ditado: “Não existe almoço de graça” – no mínimo diremos que da próxima vez, nós é que pagaremos a conta, só para não ficarmos devendo nada. Sempre existiu, da parte do ser humano, algum interesse que está por trás de cada boa ação. Ricos atletas que doam boas quantias de dinheiro para instituições de caridade, não abrem mão das deduções de seus impostos, como também não deixam de chamar algum veículo de mídia para registrar e anunciar ao mundo suas boas ações. Boas ofertas nos dão o direito de testemunharmos de cima de um púlpito. Homens bons se acham merecedores de sua salvação, melhor, nunca se acharam perdidos. A mão direita que ajuda o necessitado não se priva em contar o que fez para a mão esquerda, esperando assim o merecido reconhecimento. Posso dizer que até quando o somos piedosos, fazemos isso para auto promoção. Realmente a graça não é comum ao homem natural – tanto para se dar como também para se ganhar.


Geralmente ouço pessoas dizerem que não é justo que Deus poupe um grande pecador, como se também dissessem que todo mal precisa ser punido – “É muito fácil para vocês cristãos (evangélicos, crentes, seja qual for o rótulo), aceitarem o sacrifício de Jesus. Fica fácil não assumirem as próprias responsabilidades, mas coloca-las nas costas de Jesus”. As pessoas que pensam assim querem dizer que o homem precisa pagar pelo mal que fez. Elas não acham que um assassino possa ser perdoado por Deus pelo sacrifício de Jesus Cristo. Nesse sentido eu pergunto para quem então é que Jesus morreu? Pelos bons?

Geralmente se toleram pecados que causam pouco dano a consciência e, nesse sentido, o pecado também está apenas pela moral que cada indivíduo tem. Geralmente, quem pensa assim, sempre se acha vítima e jamais aceitará ser colocado na mesma categoria de assassinos, ladrões e prostitutas; afinal nunca chegaram tão longe assim. Pois a graça em nada é comum ao homem natural – precisa merecer para receber. Porém, a grande incompatibilidade das pessoas que pensam dessa maneira é a de que também não acreditam em condenação eterna – não existe inferno. Nesse caso a idéia se inverte: “Ninguém pode merecer um castigo desses. Deus não seria tão injusto assim.”

Caramba! Primeiro não querem que Deus seja gracioso, depois não querem que Deus condene pessoas pelo fato de não terem aceitado o concerto com Ele através de Cristo. Realmente não faz sentido. Ou Deus é gracioso demais ou Ele é severo demais. Querem um deus esperto como o homem natural para não dar presente tão precioso para quem não presta, mas também querem um Deus com a piedade do homem natural para não condenar tão severamente, mesmo que o pecado seja contra a eternidade. Acho melhor dizer auto piedade, pois estão temendo pelas próprias vidas. O contra ponto é que se acham bons demais para serem colocados na categoria de injustos – “Não precisamos de perdão, pois nada fizemos de tão ruim.”


Num certo ponto, quando dizem que todo mau precisa ser punido, estão certos. Deus estabeleceu princípios que regem sobre toda natureza criada. Um homem que comete adultério pagará pela escolha que fez em sua própria vida. Só quem viveu ou acompanhou uma situação dessas, conhece o caos que se segue a cada escolha ruim que se fez. O homem colherá um fruto da espécie da semente que plantou, seja ela boa ou má. Um homem que é viciado em pornografia, quer seja ele crente ou não, colherá um péssimo relacionamento com a sua própria esposa e ainda ficará comprometido em suas amizades. O que planta para a carne colhe a própria morte, mas o que planta para o espírito, colhe a vida eterna. Nesse aspecto ninguém ficará impune.


Porém o grande rei Davi nos dá um bom exemplo da dimensão que o pecado alcança. Depois de cometer um grande erro (adultério e homicídio), disse algo que desvenda todo mistério: “Contra ti somente pequei e fiz o que é errado aos teus olhos.” O pecado de Davi não somente atingiu pessoas, mas também ultrapassou a dimensão natural para atingir o próprio Deus.


O homem nunca poderá pecar somente contra si mesmo e também não poderá pecar somente contra alguma outra pessoa, mas todo pecado é contra Deus, pois desobedece o segundo grande mandamento de amar ao seu próximo como a si mesmo; infringindo assim a lei do amor de Deus. Todo pecado que o homem comete é contra Deus, sendo assim, pecamos contra o Pai de toda a eternidade. Quando não reconhecemos nossos pecados e não nos arrependemos deles, rejeitamos o sacrifício de Jesus Cristo, dizendo, de certa maneira, que não reconhecemos/aceitamos seu concerto quanto ao que diz respeito da inimizade dEle com o homem. Nesse sentido nosso pecado está relacionado com a eternidade. O homem que procede dessa maneira rejeita o próprio criador acusando-o de mentiroso por dizer que o sacrifício de Jesus não é necessário e nem suficiente. O homem que não crê no único filho de Deus que tira o pecado do mundo permanece nas trevas de sua própria capacidade limitada, pois não passará da sepultura.


Estou escrevendo isso como resposta aos que pensam que não é justa a graça de Deus manifesta em Cristo e que isenta desde o menor até o maior de todos os pecadores da mesma maneira que condena o homem que não se arrepende e não aceita a Jesus Cristo como senhor e salvador. Deus viu a incapacidade humana de se reconciliar com ele, e nesse sentido Ele nos colocou todos num mesmo nível – não existe melhor e nem pior. Nos colocou num mesmo nível ao ponto de fazer da sua graça suficiente a todos os quantos crerem em sua salvação através do sacrifício de um único homem: Jesus Cristo.

À mesa de Jesus se sentam todos os pecadores que reconhecem quem realmente são. Se eu dissesse assassinos, prostitutas ou ladrões, muitos não se identificariam com a facilidade com que Jesus nos identificou somente pelo sentimento que se esconde por trás de cada intenção. Por isso tenho que dizer que orgulhosos, individualistas, auto suficientes, preguiçosos, gulosos, vaidosos, invejosos, fofoqueiros, chefes, ricos ou pobres, briguentos, impacientes, impiedosos, separados, pegadores, os que falam palavrões, amantes de si mesmos, mesquinhos, gananciosos, usurpadores, acusadores, corintianos e principalmente os que não se acham nada disso. Estão todos convidados a se sentarem à mesa. É de graça, pois você não poderia pagar mesmo.



abs


Boas ondas,


Tropical








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One Comment em “O almoço é de graça”

  1. Rafael 14 de Junho de 2012 às 14:07 #

    Muito 10, Tropis.

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