Que morra o homem natural!


 

Apesar de saber que todos somos iguais, que somos de carne e osso e de que a nossa primeira natureza é descendência de Adão – corrompidos -; sempre me pergunto: no que somos diferentes dos outros? Pois estou considerando apenas dois tipos de pessoas: os que não reconhecem seus próprios pecados e os que reconhecem seus pecados e crêem em Jesus Cristo como único senhor e salvador – nesse caso a primeira e velha natureza deveria ceder lugar a uma nova natureza – o ser natural é morto para dar lugar a pessoa de Cristo. O convertido é um novo homem chamado de filho de Deus, pois nascera de novo – antes fora criado apenas a imagem e semelhança de Deus, mas depois fora gerado pelo Espírito Santo para se tornar filho.


Como disse Lewis, todo cristianismo se resume nisso: seremos reabsorvidos em Cristo. Nada além disso.


Isso quer dizer que o propósito de Deus é o de nos fazer iguais a Cristo. Fazer com que nossa natureza seja reabsorvida nele. Que Ele seja evidenciado através de nós. Que o nome dele seja santificado e glorificado em nós. Ele quer que o velho homem seja morto. Nada além disso.


Em que somos diferentes da antiga natureza?

Hoje em dia só ouço falar de prosperidade e curas milagrosas. O que mudou, se antes também queria as mesmas coisas? Qual seria o problema disso, uma vez que também é bíblico? Vou contar uma história para dar um exemplo melhor:

Há poucas semanas estava conversando com uma amiga quando, de repente, tocou o bip do celular dela – “Toca todos os dias nesse horário, para me lembrar de orar pela paz em Jerusalém. Está escrito que devemos orar pela paz de Jerusalém para que tenhamos prosperidade.” Na verdade essa minha amiga é uma mulher de Deus; ela faz parte do grupo dos que reconhecem seus pecados, mas o que ela me disse é a evidência de como não devemos proceder.


Três erros.

O primeiro é textual. Está escrito: “Orai pela paz em Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam.” SL122.6

Nesse caso a oração e a prosperidade é uma conseqüência do amor, não o contrário.

O segundo erro é o de motivo. Pois orar pela paz visando a prosperidade, é no mínimo contestável quanto a verdadeira motivação. Como os dizimistas que, esperançosos, aguardam as incontáveis bênçãos caírem das janelas celestiais (Dízimo: tremendo de um preceito. Contribuição: um princípio tremendo).

O terceiro erro é o de tempo. Orar por Jerusalém?! Seria correto desde que estivéssemos vivendo no tempo do rei Davi, na velha aliança, em que Jerusalém era a cidade santa, o palco das grandes festas e o lugar de adoração para os judeus, mas depois que Jesus destituiu o templo de pedra (que era o lugar onde Deus se fazia presente entre seu povo), para nos fazer habitação do seu espírito, depois que ele disse a mulher samaritana que não há lugar santo, mas que o Pai quer filhos que o adorem em espírito e em verdade; pergunto: deveríamos orar por Jerusalém – um lugar? Onde está a cidade santa? Onde está o trono de Deus? Deixem isso pra lá…


Hoje em dia só se ouve falar de prosperidade financeira e o sucesso pessoal. Como se o céu (cidade perfeita) nos valesse muito mais do que o próprio Senhor. Como se amassem mais as riquezas do Pai do que ele próprio. Ouvimos falar demais das antigas histórias dos reis de Israel, de suas conquistas e riquezas, mas muito pouco dos exemplos de Jesus Cristo ou de seus discípulos. Se ouve muito sobre o sucesso relacionado ao mundo contemporâneo – multiplicação de bens, sobre a beleza das aparências e posses – mas pouco se ouve sobre caráter, piedade, compaixão e divisão de bens (a não ser para se doar “aqui”). Me parece que, infelizmente, os preceitos da velha aliança estão em vigor nos dias em que a Igreja poderia desfrutar dos benefícios da graça. Os princípios não mudaram, mas os preceitos sim. Sabemos que somos filhos de Deus pelo sangue da nova aliança. Também não posso deixar de fora o fenômeno surgimento de novos ministérios de elites sociais como se fossem clubes de afinidades. Ministério de empresários, de surfistas, de motociclistas, de universitários, etc. Nada contra, desde que não se tornem grupos de classes e elites, mas que saibam exercitar a piedade e compaixão que resulte em ajuda aos que estão passando por necessidades.


Mas enquanto ouço sobre prosperidade financeira e sucesso pessoal, me confronto pela vida que Jesus e seus discípulos tiveram. Me confronto pela história da Igreja neo testamentária e pelos que marcaram a história no decorrer desses dois milênios. Me confronto pelas minhas motivações relacionadas a minha velha natureza e nova identidade em Cristo. Sempre me pergunto se deveriam haver diferenças entre as minhas ambições e a dos homens que não reconhecem a Cristo. Pelo que me parece, todos querem ter sucesso e serem reconhecidos pelos homens, mas quanto aos que querem buscar justificativas, tentam dizer que prosperidade e sucesso é um sinal de aprovação da parte de Deus pela boa conduta; como se Ele devesse ao homem. Porém, por mais que me falem sobre esse tipo de evangelho, não acho na história bíblica nenhuma base apoiada pela conduta de Jesus e dos seus amigos.


Deus quer que o velho homem seja morto, que não sobre nada dele, mas que Cristo seja formado em nós.



Que morra o homem natural para nascer o que é espiritual!



Boas ondas…


Tropical




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