Trapezista ou trapézio?


Trapezista ou trapézio?


Tenho alguns amigos que não conseguem fazer diferença entre a Igreja e igreja, a invisível da instituição. Até entendo, pois as duas são bem compostas – como também está misturado o joio e o trigo – crescem juntas, ocupam os mesmos espaços e quase sempre andam pelos mesmos lugares. Diria que a segunda (instituição legal) é uma conseqüência, quase que necessária, da primeira (povo de Deus). Tem muita gente que é Igreja, quase todos, e está praticando a fé em alguma denominação qualquer. Por isso eu entendo que alguns não conseguem fazer uma divisão/distinção como a que eu tenho feito nesses últimos anos. Independente de grandes e boas intenções, da sinceridade das pessoas e da vontade de fazer a coisa certa, vejo que denominar um pequeno grupo da Igreja nem sempre poderá ser benéfico (em alguns casos, sim). Normalmente se estabelecerá uma doutrina local, de acordo com diferentes interpretações e cultura, que será um pouco ou muito diferente de uma outra denominação, chegando até a ser a causa de grandes divisões da igreja devido ao conjunto de regras que fora estabelecido.


Ao contrário do que muitos pensam, gosto das estruturas, mas não estou de acordo com a realidade atual que é o resultado da tanta “liberdade” que resulta em “cada um abre a sua própria igreja” de acordo com que bem entendem, sem nenhum compromisso com os princípios bíblicos. Penso que se a igreja denominacional está doente, é porque sua composição também está – seus formadores. Sei que existem algumas boas, poucas, mas saudáveis. Enfim, será que sempre terá que ser assim? Será que não poderemos fazer alguma coisa para mudar esse quadro? Se podemos, por onde então deveremos começar? Independente de lideranças, não somos todos responsáveis? E que legado deixaremos para os novos filhos?


Alguns anos atrás conversava sobre este assunto com um amigo, o Guilherme. Às vezes compartilhamos alguns sonhos que dizem respeito ao futuro da igreja. Foi ai que ele me contou a simples história do trapezista. Ele me perguntou o que seria necessário para que um trapezista largasse o trapézio para agarrar o outro. Essa eu acertei em cheio: “ele só precisa ver o outro trapézio chegando.” É óbvio. Então ele me disse que também deveria ser assim com a igreja. “Se nós quizermos que a igreja avance para um novo tempo, precisamos ser este trapézio que vem de encontro; que dará segurança para que larguem o que estão segurando. Ou seja, precisamos ser a mudança que queremos ver. Se formos este renovo de Deus, seremos este trapézio que chega ao encontro, não para suprir conveniências. Somente assim é que esta nova geração se lançará para aquilo que é correto. Largando o velho trapézio da religiosidade cultural e da falta de relacionamentos profundos.”


Em outras palavras, imagino que ele queria dizer que ainda não somos o que pregamos. Nossa pregação está muito teórica e pouco prática. Precisamos ter o sentimento que havia em Cristo Jesus. Precisamos amar uns aos outros. Precisamos, andar com Deus e amar de fato.



A estrada em que caminham as pessoas direitas é como a luz da aurora, que brilha cada vez mais até ser dia perfeito. (PV 4:18)



Faz mais de dois mil anos que o reino do Céu foi inaugurado na terra; mais um dia se passou; estamos mais maduros que ontem; temos que nos empenhar cada vez mais para desfazer o caos através da proclamação das Boas Novas do reino do Céu e, ainda poderemos dizer que o dia do Senhor fica mais próximo. Demorei para acreditar nisso, mas hoje penso dessa maneira. Antes, apesar de querer, não conseguia acreditar que veria as mudanças que demonstrassem um verdadeiro progresso em direção ao grande Dia do Senhor. Acreditava que tudo acabaria num caos maior ainda – acho que uns realmente caminham nessa direção se não aceitarem/crerem no concerto que Deus nos providenciou em Cristo. Mas mesmo para os que crêem, este avanço parece tão lento que é mais fácil desanimar e abrir mão de um ideal do que lutar pelo que é certo. Parece tão lento que às vezes temos a impressão de que retrocedemos, pois o mundo avança em descobertas de novas tecnologias, e o máximo que chegamos a ser, “é ser da última moda”. Enquanto o mundo se preocupa com as gerações emergentes, mau conseguimos ser contemporâneos, apesar da mensagem do evangelho ser de fato a grande novidade de Deus para qualquer grupo de pessoas; quer sejam ultrapassados, modernos ou pós-modernos.


Repetimos que cristianismo não é uma religião e sim relacionamento com Deus. Então deveríamos, por andar com o Pai, servir como verdadeiras referências – como uma cidade edificada sobre o monte, como sal com sabor, como lâmpada acesa ou um trapézio que chega ao encontro – para um mundo (ou uma igreja) tão distante da vida verdadeira. Mas temos nos tornado apenas uma subcultura – de gueto. Me parece, às vezes, que o relacionamento com Deus corresponde apenas a ritos e dogmas, por esse motivo não somos mais que pessoas religiosas. Está escrito que ninguém pode amar a Deus, a quem não vê, se não amar seu irmão a quem vê (IJO4.20). O relacionamento com Deus está, de maneira sobrenatural, exemplificado na maneira que lidamos com as pessoas. Infelizmente a igreja vive a excêntrica teoria da conspiração, como se o mundo e o inferno, representado por todas as situações e pessoas que nos cercam, estivessem, de maneira secreta, nos perseguindo a todo o tempo para nos destruir. Óbvio que o mundo e o diabo são inimigos de Deus e se opõem à sua vontade, que nossas maiores batalhas são as espirituais, porém nosso papel como Igreja é o de arrancar as pessoas que ainda se encontram sob esse domínio maligno. Temos que amar as pessoas, não condená-las ao inferno como se fôssemos severos juízes. Não há conspiração, sim um caos que precisa ser arrancado.



“Concluímos que repetidas advertências não serão suficientes para afastar a ameaça do tradicionalismo. Precisamos ser vigilantes. Devemos, diariamente, rogar a Deus por Sua proteção. O que é tradicional ganha força daquilo que é familiar. Tememos mudanças. Consagramos o comum. Porém, o familiar naturalmente se torna árido, perde sua vitalidade… A história da Igreja confirma nossa conclusão. Faltando perseguição e líderes consagrados e comprometidos com a Palavra, a Igreja não tem força própria para se reformar. Jesus a comparou a uma figueira que, ainda que tivesse aparência, idade e tamanho para produzir fruto, nada de valor tinha para oferecer a seu dono (LC13.6-9). O viticultor, perdendo a paciência, manda cortar a figueira. Só o fruto satisfará o Senhor da Igreja (v.9). Por isso, Lutero sabiamente reconheceu que a Igreja necessita de uma reforma constante.” Russell Shedd – Lei, graça e santificação –



Tenho certeza que é necessário uma reforma. A igreja deve ser renovada (pessoas renovadas = Igreja de Cristo = instituição saudável), ou será fiscada pelo tradicionalismo religioso, pelo formalismo morto e também pelo legalismo hipócrita – que é o composto do mundanismo secular. Só para se ter uma idéia, nesses últimos 38 anos, desde o meu nascimento freqüentei igreja e não sai dela. Minha família é de tradição protestante e por isso minha escola bíblica foi na Metodista. Naqueles tempos a igreja já se dividia em dois principais rótulos: tradicional e pentecostal. Já havia alguns que desejavam ver o equilíbrio entre eles. Então da esperança surgiu um chamado “movimento neo-pentecostal”, mas infelizmente, hoje posso constatar que nossas instituições só pioraram. Temos ai um grande paradoxo.


Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa renovação da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele. (RM12.2)

Está muito claro para mim que desde Adão a história de Deus é contada de geração em geração que vai se renovando. Dessa maneira o propósito de Deus tem se cumprido. Propósito = finalidade = vida de Deus em nós e através de nós.

Nós somos a presente geração na qual Deus quer cumprir seu propósito de escrever sua história através de nossas vidas até que o dia se torne perfeito (PV 4:18) – de fato Jesus é o dia perfeito. A pessoa (Igreja) que vive somente de culto em culto, de campanhas em campanhas, não poderá dizer que tem a verdadeira vida. Tem que haver comunhão além preceito. Igreja não pode ser definida/resumida ao culto formal ou um conjunto de regras e tabus. Entendo que o verdadeiro culto acontece desde o momento em que me levanto da cama até a hora de voltar para ela. O culto a Deus é uma vida integral e completa, onde a celebração a Deus junto com os irmãos em Cristo também está inserida.


Porque, assim como em um só corpo temos muitas partes, e todas elas têm funções diferentes, assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo por estarmos unidos com Cristo. E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo (RM12.4-5). Ou seja, temos que amar uns aos outros como irmãos em Cristo e nos esforçarmos para tratarmos uns aos outros com respeito (RM12.10). O corpo precisa ter comunhão – relacionamentos profundos e não superficiais.

Então pensem quando damos graças a Deus na Ceia do Senhor… todos que bebemos do cálice estamos tomando parte no sangue de Cristo. E, quando partimos e comemos o pão, estamos tomando parte no corpo de Cristo. Prestem a atenção, todos comemos um mesmo pão, que é um só; e por isso somos um só corpo. Entenderam? (ICO10.16-17).


Realmente creio que o verdadeiro avivamento é o caráter de Cristo formado em nós. Pois se as pessoas enchergarem em nós o próprio Cristo; meu irmão, o que isso poderia causar? Vocês devem conseguir imaginar.


A IGREJA (NÓS) PRECISA IR PARA ISSO. POR ISSO PRECISEI ESCREVER. PARA QUE ENTENDESSEM O QUE É IGREJA, GERAÇÃO, HISTÓRIA E OUTRAS COISAS.


Por isso tenho esperança de que poderei viver e ver essa geração impactando o mundo, quero dizer, nossos vizinhos e amigos; o mundo porque a Igreja está espalhada pela terra. Precisamos aprender a viver de acordo com o sentimento de Cristo (FL2.5). Nós precisamos desse renovo de Deus para não entrarmos em nenhum tradicionalismo religioso – isso seria um veneno mortífero. Precisamos desenvolver um relacionamento verdadeiro e profundo com Deus – por isso que Ele nos enviou o Espírito Santo para morar em nós.



Quero ser trapézio.



Deus nos dê graça.


Tropical



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One Comment em “Trapezista ou trapézio?”

  1. Rodrigo Balieiro 20 de Outubro de 2009 às 12:00 #

    >BACANA Quando tiver um tempo livre, me chame para falarmos mais das coisas de Deus e dos homensUm abraço, RODRIGO BALIEIRO

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