IMITADORES DE CRISTO – COMPLETO AVIVAMENTO


Hoje em dia é bem comum ouvir a palavra avivamento. Também são os da maioria que concordam que manifestações como de curas, oração em línguas, cair no espírito, chororos ou gargalhadas espirituais, dom de profetizar ou palavra do conhecimento são as principais características de um verdadeiro avivamento.

Foi no ano de 2006, num congresso do AIRO, de um amigo chamado Ronny Vitoreli que ouvi pela primeira vez a melhor e mais coerente definição sobre avivamento. Ele falava sobre as gerações deste tempo em um culto de missões, porém, de tudo o que foi dito, essa foi a frase que me marcou em definitivo: “… Uma geração de imitadores de Cristo.”

Desde meus primeiros dias de vida, no início da década de 70, freqüentei igreja. Meus pais eram da Metodista do bairro de Itaberaba em São Paulo. Por este motivo é que tive a oportunidade de acompanhar de perto algumas mudanças de comportamento que divide a igreja em dois principais paradigmas: tradicionais e pentecostais. Apesar do movimento pentecostal ter começado no início do século XX e ter passado por alguns períodos de baixa, o surgimento de novos líderes e de suas denominações fizeram com que o movimento retomasse grande força apenas no final dos anos 80, atualmente denominados neo pentecostais. Desde então a igreja moderna tem adotado “novos” usos e costumes – nada de novo. Como já disse, tive a oportunidade de presenciar esta transição e de viver dentro desses dois modelos. Mas será, como muitos têm afirmado, que apenas a mudança de um paradigma para outro pode ser chamado de avivamento? Afinal onde está o sentido, a essência de tal termo? Pois, pelo que percebi, a questão não está no formato si, mas na legitimidade da atuação do Espírito Santo de Deus em nossa vidas – pano pra manga…
Creio ser necessário identificar entre o que é simples adaptação de estilos para uma contextualização de linguagem de gerações, do que é de fato uma característica de avivamento.

Meu amigo Ronny entende que houve uma época da igreja em que a principal característica estava contida em estudos bíblicos, e que pelas evidências poderíamos dizer que tal geração ensinava que Deus era dígno de ser estudado. De tal forma acreditava-se que intimidade com Deus viria somente através da profundidade teológica – alguns menos ousados diriam que ao menos poderiam conhecer o caráter de Deus. Tem base, pois o próprio Jesus já disse que o erro é uma conseqüência da falta do conhecimento. Também é certo que Jesus disse que além do conhecimento, para não errarmos, precisamos de conhecer o poder de Deus – MT22.29.

Em contraste com a época passada, hoje em dia é mais do que comum conhecermos crentes que jamais foram a uma escola bíblica, ou que ao menos tenham o hábito da leitura bíblica. Também é comum pessoas que apesar de não conhecerem nada de teologia, dizem ter experiências sobrenaturais com Deus por causa da adoração no momento do culto formal. Por este e outros motivos é que poderemos dizer que atualmente as evidências dizem que Deus é dígno de ser adorado. Afinal está escrito que chegou o tempo que Deus procura verdadeiros adoradores e que o adorem em espírito e em verdade – JO4.23. Porém poderíamos levantar algumas questões como: O que será de fato adoração? Seria apenas um momento de culto ou uma música mais calminha? Como poderá ser Deus adorado em espírito e em verdade? (Leia o texto: Cartilha do Tropical)

Sem querer complicar mais, de fato Deus é dígno de ser “estudado” e dígno de ser adorado. Acredito que isso esteja dentro de um processo para um completo avivamento que se dará quando a igreja entender que Deus, em Cristo, também é dígno de ser imitado, não somente estudado ou adorado – EF5.1.

Será bom quando passarmos de uma geração de adoradores para uma geração de imitadores, pois nisso está contido o conhecimento e a adoração a Deus. Aprendi que a evidência de uma caminhada com Deus é a mudança do caráter. Se nós somos diferentes apenas no momento do culto e as nossas reações não resultam em mudança de pensamentos e atitudes para fora das quatro paredes da igreja, existe algo errado. Paulo, quando escreve aos tessalonicenses, diz estar muito orgulhoso da igreja local, pois eles haviam se tornado imitadores de Cristo e padrão para toda a igreja – ITS1.6-7.

A essência – uma geração de imitadores
Na realidade, temos que tomar cuidado com o monte de convenções que se estabeleceram para formar os cultos dos dias atuais e também com uma série de paradígmas estabelecidos. Temos que perceber que o formato em si é apenas para que haja ordem e identificação, e não a maneira que Deus quer se manifestar para a igreja. Senão acaba virando uma grande convenção religiosa e consequentemente deixaremos a essência de lado. Até mesmo porque nos dias de hoje temos uma série de igrejas seguimentadas que apresentam diferentes formatos – de surfistas, dos jovens, de profetas, da família, etc.

Tive uma experiência que me mostrou o quanto sou preconceituoso e que me serviu para perceber o que era uma convenção. Sou colaborador da MSC (Missão Surfistas de Cristo), filiada ao CSI (Christian Surfers International), e por isso estava participando de um congresso em Matinhos – litoral do Paraná. Numa das noites recebemos o Tom como pastor convidado (líder da JOCUM). Pelo fato de não conhecê-lo, fiquei totalmente chocado com o que vi. Imaginem vocês que o Tom tenha se apresentado de terno e gravata num congresso de surfistas. Fiquei totalmente chocado com o que vi. Não conseguia me conter pela tamanha indignação. Dizia para minha esposa: “… será que o cara não tem um mínimo de noção… e os organizadores, não perceberam que esse pastor é o maior religioso. Porque não convidaram outro cara mais livre?” A minha cara não escondia o constrangimento. E para piorar minha situação, o Tom me chamou, junto com minha esposa, para fazer parte de uma dinâmica contida na pregação. Nesta hora tive que disfarçar a cara de hostilidade a ele, pois agora era minha imagem diante da platéia. Não é necessário que eu conte qual foi a pregação, mas sim a finalidade do que O Tom queria ensinar aos surfistas. Quero dizer que tive que caír do cavalo para aprender identificar o quanto posso ser preconceituoso, pois tudo que ele estava querendo mostrar, era o quanto estávamos presos aos nossos próprios preceitos e formatos – paradígmas. A finalidade do Tom era mostrar que a essência não estava na maneira de se apresentar – de terno ou de bermuda – nem no formato da reunião – tradicional ou moderna – a essência estava na vida de Deus e o quanto dessa vida tinhámos como evidência em nós e através de nós. O que adianta ser um cara descontraído na maneira e vazio de Deus, ou que adianta se vestir de terno e andar com a bíblia de baixo do braço e ser vazio de Deus? O que adianta orar em línguas, levantar as mãos e dizer aleluias ou glórias a Deus se não tenho nenhuma evidência do caráter de Cristo?

A essência está ligada ao propósito de Deus, ou seja, a vida d’Ele em nós. Hoje sou amigo do Tom.

Como nasce um Paradigma
Paradígma significa formato, ou também um exemplo que serve como modelo ou padrão.
Um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula, em cujo centro puseram uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada para apanhar as bananas, os cientistas lançavam um jato de água fria nos que estavam no chão. Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros enchiam-no de pancadas. Passado mais algum tempo, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas. Então, os cientistas substituíram um dos cinco macacos. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada, dela sendo rapidamente retirado pelos outros, que o surraram. Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada. Um segundo foi substituído, e o mesmo ocorreu, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. Um terceiro foi trocado, e repetiu-se o fato. Um quarto e, finalmente, o último dos veteranos foi substituído. Os cientistas ficaram, então, com um grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse chegar às bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles porque batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria: “Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui…” Autor desconhecido

Talvez esse assunto também lhe chame muito a atensão. Durante algum tempo, me rebelei ao máximo em relação aos padrões já existentes e por pouco não me tornei um revolucionário de uma causa pessoal. Ficava totalmente inconformado ao padrão de culto estabelecido pela igreja e sempre questionava a liturgia aplicada. Quem disse que é necessário a leitura de um Salmo para iniciar um culto; por que deve-se chamar de louvor uma música mais agitada e de adoração uma música mais calminha; por que temos que começar com música e não com a pregação; para que púlpito; por que o culto deve ser sempre tão orquestrado – levante as mãos, repita, fale, cante etc?

Pensava sobre este assunto de dia e de noite. Minha vontade era de virar o culto de cabeça para baixo, começar de traz pra frente e deixar com que o povo fizesse o que quizesse, e por pouco não me perdi totalmente da essência. Mas com o tempo descobri que formato por formato, cada um tem o seu. De acordo com as influências, também tenho os meus formatos. Então entendi que pouco ou nada adiantaria se fosse de acordo com o meu modelo para o culto. Logo todos seriam apenas orquestrados por um novo padão religioso.

Num determinado dia estava checando meus e-mails e dentre eles recebi um do meu amigo Pávio. Dizia: “O formato igreja TEM que ser mudado, não em algo novo, muito pelo contrário, tem que voltar para o que Deus quer.E o formato que Ele deu é VIVO.”

Isso me abriu os olhos, pois já estava perdendo totalmente o foco. Uma semana depois estava almoçando com outro amigo – Serginho – e ele me disse: “Deus não tem um formato específico – isso é nosso – temos que resgatar a essência independente do formato.” E depois ainda me lembrei do primeiro capítulo do livro de Ester, onde diz que o rei Assuero deu um grande banquete a todo povo de uma pequena cidade chamada Susã. Todos bebiam sem constrangimento o vinho real de acordo com a generosidade do rei. Bebiam em vasos de ouro e vasos de várias espécies. O grande lance é que independente do formato do vaso, o vinho era o mesmo – era vinho real.

Parecia haver me esquecido que o importante não era a maneira que bebemos, mas se o que estamos bebendo é o vinho real, ou seja, não importa qual o formato do culto desde que a essência seja a vida de Deus pelo seu próprio Espírito. Então entendi que se o vinho for real, não importa o paradigma.

Se fizermos uma reunião como igreja, a faremos para celebrar a vida de Deus. Não deveríamos pensar que se vamos a um culto, faremos isso para buscar ou nos encontrar com Deus. Essa idéia parte de um princípio religioso, pois à partir do momento em que entregamos nossas vidas a Jesus Cristo, passamos a ser casa de Deus; melhor ainda, templo do Espírito Santo. Este por sua vez, não depende de reuniões ou ajuntamentos formais, pois o próprio Espírito Santo se move ao nosso favor – RM8.26-27 – para que o nome de Deus seja santificado através das nossas vidas. Jesus estabeleceu um reino de sacerdotes e reis. Pelo Espírito Santo temos acesso direto a presença de Deus. Temos que tomar cuidado para que o formato não seja um limitador para o que Deus deseja fazer.

“É MAIS FÁCIL DESINTEGRAR UM ÁTOMO DO QUE QUEBRAR UM PARADÍGMA”. (Albert Einstein)

A bíblia fala que Jesus é a expressão exata de Deus – HB1.3. Uma geração de imitadores de Cristo, é uma geração que expressa a vida de Deus – seu caráter, poder, misericórdia, graça, amor etc.

Avivar – tornar(-se) mais forte, mais intenso; aumentar, aviventar(-se), intensificar(-se), tornar(-se) mais realçado, mais nítido; destacar(-se), [o caráter de Cristo]

Tropical


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8 comentários em “IMITADORES DE CRISTO – COMPLETO AVIVAMENTO”

  1. Thalita 23 de Setembro de 2009 às 07:03 #

    >Obrigada por edificar minha vida com suas palavras!Gosto muito do seu blog, que achei por acaso e que leio vez em quando.By the way…Vejo que não sou a única que enxerga além da religião. Posso dizer que sou até mais ousada, indo aos cultos da Bola de Neve às quartas e a missa aos domingos. "Formatos" completamente diferentes, mas que, com devido discernimento do que é 'verdade' em cada lugar, e principalmente, com o coração em Deus, são 'casas' onde levo a minha adoração ao Senhor. Deus já me falou que não interessa a Ele se vou à missa ou ao culto (já sofri muitos dilemas com esta questão), e sim, O interessa como tenho vivido minha vida, se tenho sido cristã NA PRÁTICA. Me pôs até um pedinte na rua pra me dizer que "não existem mais verdadeiros cristãos". CHO-QUEI. Mas esta era a intenção de Deus mesmo… rsFique na Benção! P.S. Sim, já aceitei Jesus como Meu Senhor e Salvador.Não, não acredito mais nos ídolos da Igreja Católica.

  2. >Há um livro interessante qe li que fala um pouco a respeito disto tudo: "Igreja por que se importar?" do Philip Yancey. Bem legal…Christiano.

  3. Paulo David Muzel Jr 23 de Setembro de 2009 às 16:41 #

    >Thalita, vlw pela sua mensagem.Deus continue nos dando muita graça e sabedoria para sermos verdadeiros filhos – íntimos dele.

  4. Paulo David Muzel Jr 23 de Setembro de 2009 às 16:44 #

    >Fala ae Sinédrio…Vc é o cara. Já li o livro que vc falou. Tem uma frase nele que eu memorizei: "sai da igreja pq vi pouca graça ali, voltei pra ela pq não achei graça em nenhum outro lugar."Mas ainda estou noutra pegada – diferente disso que ele quer dizer.

  5. Gezz 13 de Outubro de 2014 às 02:00 #

    Muito Bom Tropical =) Tava procurando algo sobre avivamento =)

    • Tropical - AIRO 13 de Outubro de 2014 às 11:32 #

      Falae Gezz! Qado vem a Capital? Dai precisa passar aqui em casa e conhecer o ZAK.
      Mas oo que achou dessa definição de avivamento?

  6. Gezz 14 de Outubro de 2014 às 01:44 #

    E aí, Tropical!?

    Gostei sim!
    Pois tem o conhecimento, o poder e o amor envolvidos. Né?Alma, espírito, razão sentimento, tudo junto…vou tentar ser sucinto e explicar por que estou pensando nisso.

    Por aqui teve um movimento chamado avivamento global e eu meio que torci o nariz. Não sei se você conhece.Eu sinceramente não conheço…
    https://globalawakening.com/

    Confesso que não gostei do “anuncio” feito…e nem fui ver…mas fiquei com esse tema na cabeça…alguns colegas foram…mas nem conversei muito a respeito só ouvi eles falando que deu pra sentir Deus, que as pessoas caiam e que tinha um mover sobrenatural ou coisa assim…

    E essa semana agora o pastor falou disso na igreja. Que precisamos de um avivamento. Daí eu queria entender mais e isso e se possível buscar então, esse tal avivamento. Deixar de apenas torcer o nariz e buscar algo mais profundo seja avivamento ou o que for que Deus quiser nos dar.

    Nem sei como chamar ou deixar de chamar isso. Mas fato é que precisamos de mais vida, não é? Enfim, gostaria de reunir isso conhecimento da escritura o poder de Deus e obediência…Que Deus nos ajude e nos dê mais do que pedimos ou pensamos para que seu reino se expanda e que a nossa relação com Deus seja melhor e mais alegre e mais viva!

    Simmm Preciso conhecer o Zak e rever a sua família =DD

    Eu aviso quando for aí…acredito que só para dezembro….

    Um abraço!!

    Se vier surfar nas areias vermelhas daqui me avise =) ehhe
    Ps.: achei legal que aqui nesse texto você não fala tanto da forma, mas da essência =)

    • Tropical - AIRO 14 de Outubro de 2014 às 17:22 #

      Pow! É pq escrevi esse texto num tempo em que atacava menos a forma – valeu a dica!!!
      E apesar de ter escrito bem antes, nunca deixei de me lembrar que avivamento se resume em ser igual a Cristo – todo resto são modismos, qdo isolados como eventos.
      E olha q ser igual a Cristo me parece um tanto chocante, por matar todo esse sentimento de Adão [raça humana].
      Mas, estamos contando com sua visita, qdo vir de férias. E nós, quem sabe um dia iremos prae!!!

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