AIRO – uma visão


É uma palavra grega usada em alguns trechos da bíblia e que é traduzida como tomar ou levantar, tirar, levar, tirar do meio, pôr de lado ou cortar de acordo com cada contexto. Mas para mim, o verbo com o qual mais me identifico é “tomar” – no sentido de “levantar”.

UM SONHO

Com base na palavra de Jesus que diz a respeito da grande seara (Mt 9. 35-38), a proposta do AIRO é contribuir para que o jovem cresça – seja levantado e confirmado por Deus – dentro do seu chamado ministerial e, de acordo com o seu talento, seja enviado para as missões – urbanas (escolas, bairros, clubes, instituições, casas, ONGs, etc.), global e transcultural. É também a proposta do AIRO contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos jovens através da aplicação de princípios cristãos e projetos que visam a transformação do indivíduo e do meio em que vivem, utilizando esportes, artes, serviços e saúde como ferramentas de integração e bem estar social. AIRO é a integração de dons e talentos para servir a Deus e consequêntemente todas as pessoas.

EXEMPLOS

É natural que uma empresa tenha seus departamentos. Dentro deles, equipes de profissionais habilitados para desenvolver e executar projetos. Gostaria de citar como exemplo uma agência de comunicação e propaganda onde, numa estrutura comum, os departamentos existentes são: criação, atendimento, mídia, rtv, planejamento, produção, revisão, finanças, cpd, telefonia, recepção e compras. Tanto para ter bons resultados como para crescer, todos os departamentos devem trabalhar para suprir as necessidades de um todo. Somar é a palavra certa. Provavelmente se algum departamento faltar, outro terá que fazer o serviço. Imagine que a equipe de criação tenha que atender o telefone, fazer o atendimento ao cliente, cotar preços de mídia planejar e produzir. Creio que não fariam direito o que sabem fazer – criar. Mas para que a criação se desenvolva com qualidade, formou-se uma dinâmica de trabalho com pessoas de diferentes talentos – para atender, negociar preços, planejar, produzir etc.

Creio que a dinâmica de trabalho – voluntário ou contratado – como igreja, não possa ser diferente disso. Mas ainda existem muitos talentos que estão escondidos ou foram deturpados. Algumas pessoas ainda se perguntam sobre o que poderiam fazer para servir de maneira adequada. Dando a entender com isso que ainda ignoram seus talentos ou desconhecem sua vocação. Todos temos talentos – uns mais e outros menos (MT25.15), todos já fomos vocacionados (chamados para algo específico). Lembro de amigos de minha adolescência que se destacavam em qualquer tipo de atividade. No meu caso, não tinha tantos talentos. Mas aprendi que deveria me desenvolver no que sabia fazer e não lutar por fazer algo que jamais seria alguma coisa.

É muito comum que, quando descobrimos nossa capacidade de se fazer algo com certa facilidade, tentemos desenvolver projetos ou realizar sonhos sem a ajuda ou reconhecimento de outras pessoas de diferentes chamados – sozinhos. Infelizmente o modelo da igreja moderna fez com que ela se dividisse em denominações, as quais se esforçam pela imortalidade de suas placas em detrimento da essência do evangelho de Cristo e da diversidade de dons. A ironia disso é que existem outros pequenos reinos dentro dessas mesmas igrejas locais (MT12.25). Não podemos ser donos daquilo que não é nosso (JO3.27). Somos servos (MT25.14), despenseiros (ICO4.1-2; IPE4.10) e embaixadores de um reino (EF6.20).

Poderemos entender melhor essa diversidade e o resultado que isso poderá ter se imaginarmos uma equipe de dança se preparando para um novo musical. Para que tenham êxito é necessário que, antes de mais nada, tenham uma grande proposta – atual e pós moderna [essa é a minha opinião]. Porém ainda não será o suficiente. Eles precisarão de uma equipe que vá além de bons dançarinos, quero dizer, que nem sejam dançarinos. Precisarão de um grande diretor que irá fazer da história escrita uma grande representação capaz de levar entendimento ao público e transcendência. Precisarão de bons produtores de cenário, figurino, música, iluminação, imagem, efeitos especiais, etc. Cabeleireiros, maquiadores e auxiliares. Ainda precisarão de uma boa equipe de marketing para desenvolver o projeto de divulgação com acessoria de imprensa, veículos especializados e peças de campanha publicitária. E sem nos esquecermos dos esquecidos, temos ainda o pessoal de serviços como, instaladores, pintores, faxineiros, costureiras, passadeiras, porteiros, segurança, etc. Enfim, várias pessoas de diferentes dons trabalhando para um objetivo comum. Quando que a única preocupação dos dançarinos, seria a de ensaiar exaustivamente.

UMA VIDA

Isto já é uma realidade em muitos meios. Por que não na igreja? Nós poderemos isso se conseguirmos entender, em primeiro lugar, que nosso chamado é um todo integrado. Temos que parar de profanar nossos dons com a divisão de nossa vida, separando-a em vida profissional, familiar, espiritual, etc. Pois Deus nos vê como uma única pessoa. Ainda que os cenários sejam diversos, temos que entender que somos apenas um diante de Deus e que daremos conta dessa única vida que temos. Precisamos parar de dizer que, hora trabalhamos secularmente e, outra hora exercemos nosso ministério, querendo dizer com isso que a vida se divide entre igreja e vida ordinária. Nós somos Igreja. Igreja nunca, em termos bíblicos, foi um lugar onde se vai. Ministério e trabalho é a mesma coisa, mas no que diz respeito a vida do reino do Céu, em todos os lugares, fazendo o que for, a qualquer hora e em tempo ou fora de tempo, apenas com ferramentas diferentes, temos uma única finalidade: a vida de Deus em nós e através de nós.

DUAS LEIS

Precisamos quebrar os paradígmas do trabalho voluntário. Aprendi que um homem de Deus deve viver considerando duas leis: da graça e da causa e efeito.

É comum enxergar dois distintos grupos de pessoas. O primeiro grupo diz, de alguma maneira, que não seria certo trabalhar exaustivamente para Deus como é comum fazer em nossos trabalhos seculares (isso não passa de preceito humano e moderno). Pois a graça nos basta e apenas uma vida ganha para Deus representa festa nos céus. Ainda fazem mal uso de versículos da Bíblia para justificarem a falta de maior empenho no anúncio das Boas Novas. Sei que é bem possível contarmos com a graça de maneira equivocada. Como se nosso esforço ou capacidade fosse totalmente anulado pela graça, sendo que na verdade, a graça também está nisso.

O segundo grupo diz que se não fizermos os trabalhos como se fazem dentro de intituições seculares (aqui continua o preceito humano que profana o que é santo e santifica o que é profano), usando somente pessoas habilitadas – músicos profissionais, artistas de verdade, roteristas credenciados etc. – não consiguiremos nunca chegar a qualidade desejada – o tal padrão de excelência já tão mau compreendido.

Será que a resposta a esse dilema não estaria na compreensão dessas duas leis – princípios: graça e causa e efeito? A Bíblia diz que devemos fazer conforme as nossas forças tudo o que vier às nossas mãos para fazer, pois as obras são apenas para este tempo (EC9.10). A Bíblia também nos ensina que tudo o que plantarmos, iremos colher de acordo com a espécie da semente (GL6.7). Se você quiser que sua equipe de dança apresente um grande número, ou que sua equipe de teatro represente tão bem ao ponto de se confundir com a realidade, ou que o coral tenha as melhores vozes, e ainda os músicos estejam totalmente afinados… todos devem se dedicar ao máximo. Talvez se cansem de tanto ensaiar, mas terão que se esforçar um pouco mais. Isso que chamamos de lei da causa e efeito.

Agora sim. Chegamos ao limite de nossas forças. Estamos exaustos e não poderemos ir mais além. Esse é o grande momento. O momento em que Deus acrescenta a sua graça para colhermos mais do que plantamos. Para irmos além de onde conseguiríamos chegar. Ganhar mais do que mereceríamos. Quero dizer que chegamos num extremo e Deus nos levará além dos nossos limites. Então, não justificaremos com a graça nossa falta de maior empenho. Deus virá em poder sobre cada pessoa ou equipe, pois encontrará multiplicado o talento dado a cada pessoa. O mundo poderá ser testemunha da vida de Deus em nós – pela graça e pelo princípio. Então muitos serão alcançados – uma multidão.

Temos que nos empenhar para cumprir nosso chamado, utilizando nossos dons combinados a uma diversidade de muitos outros talentos/pessoas, trabalhando bastante e contando sempre com a graça acima de nossos esforços e capacidade, pois a graça nunca deixará de ser algo que não merecemos.

O PROPÓSITO

Numa empresa comum ou agência de propaganda a meta seria cumprir os prazos. O objetivo, satisfazer os clientes e por final o propósito seria ganhar dinheiro. Se todo esquema não virar dinheiro, a empresa deverá fechar. Ouvi uma frase que justifica o propósito comercial: “O que fica é o dinheiro.”

Numa igreja local não poderia ser diferente. Deveríamos ter algumas metas definidas. Objetivos que justificassem as metas e o propósito sempre será a vida de Deus. “O que fica é a vida”. Primeiramente em nós e depois através de nós (RM8.18-19). Nada valerá, nenhuma estratégia será justificável se não terminarmos em vidas. Posso ter um monte de departamentos, equipes super organizadas, trabalhos exaustivos e organização máxima, se o resultado disso tudo não estiver relacionado a vidas alcançadas para Deus, não valerão os esforços.

SINTEZE

AIRO É VIDA GERANDO VIDA.

Devemos estar cientes:
1 – do objetivo
2 – do propósito
3 – que mensagem queremos passar para as pessoas da comunidade (como equipe ou individual)?
4 – o que gostaríamos de despertar nas pessoas da comunidade (como equipe ou individual)?

Tropical

P.S.: Escrevi esse texto há 4 anos atrás. Foi uma tentativa de explicar às pessoas de minha antiga igreja local qual era a idéia do AIRO. Hoje em dia, quando me perguntam qual o nome do meu trabalho, é esse mesmo nome que uso e pretendo continuar usando-o – AIRO. Mas não o divulgo e nem faço campanhas para marcá-lo, pois isso iria contra o que tenho escrito e contra mim mesmo. Apenas publiquei o texto para registra-lo e porque acho que pode acrescentar um pouco mais.

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