Moderno ou ultrapassado? – parte 2


 

Se a sua igreja não encontra nenhuma dificuldade para alcançar uma nova geração para Cristo, se a grande maioria das pessoas que frequentam os cultos de sua igreja local são entre 17 e 35 anos de idade, se os cultos de evangelismo são um sucesso incontestável, ou se você considera qualquer reunião para discutir estratégias para evangelizar uma grande perda de tempo e ainda pensa que não precisamos de absolutamente nada disso, poderá desconsiderar quase tudo o que escreverei abaixo, pois você ainda é moderno.
 
Quem conhece um pouco sobre a história atual da igreja ou já faz parte dela há pelo menos vinte anos, sabe que as coisas já não são tão fáceis de acontecer como eram antes. Pois apesar das grandes conquistas que tivemos durante aqueles anos, vejo que não é mais tão fácil, como era antes, ganhar os jovens para Cristo. Houve uma época em que a igreja era realmente muito distante da sociedade, apesar de sempre influeciá-la. Nessa época as denominações conhecidas eram as históricas, tradicionais e herdeiras da reforma de Lutero. Ainda ouvia-se pouco dos pentecostais, mesmo que tivessem um grande impacto ainda no início do século 20. Porém, pouco depois, começando ainda devagar na década de 70, o movimento neo-pentecostal foi ganhando força até atingir seu ápice no final do anos 80 e os próximos dez anos que se seguiram. Mas agora, no século 21, existe uma geração emergente e pós-moderna que difere em muito da maneira que pensavam seus pais.
 
Essa mudança é uma consequência da invasão do avanço tecnológico e a revolução da comunicação que ocorre em todo o mundo e nos conecta com tudo. Uma geração que tem um grande potencial pela enorme facilidade de se conseguir as coisas sem sequer sair de casa. A economia tem um grande poder de nos seduzir para fins de consumo totalmente desnecessários e individualistas (uma das grandes características dessa nova geração). Estilos musicais não são mais novidades, a moda que usamos não diz quem somos ou o do que gostamos. Mudaram os pensamentos sobre o que é família, casamento e sexo – o que podemos, o que nos é permitido, quais os nossos direitos, mas nada de consequências. Abusos de poder não são mais histórias isoladas que ouvimos só de vez em quando, elas estão todos os dias, escancaradas, em nossos meios de comunicação. O pior, ninguém escapa dessa guerra – políticos, trabalhadores comuns, religiosos (de padres a pastores), donas de casa, estudantes, crianças e idosos; são todos coadjuvantes duma história em que o principal culpado está oculto e alheio ao conhecimento da maioria. Para os jovens o entretenimento comum já não satisfaz mais. Todos buscam transcender de alguma maneira. Por esse motivo tanto faz se for por uma filosofia religiosa de meditação oriental, uma balada tecnera ou um “baseadinho pra toda hora”, pois fumar cigarro “não está com nada”. Os pais dos filhos são separados, os irmãos, só por parte de um dos dois. Todos crescem sem nenhum exemplo de perseverança para zelar pelos princípios. Os valores da sociedade estão mudando com forte velocidade. O pluralismo religioso fisgou a curiosidade das pessoas – mais que nunca, todos os caminhos levam a Deus e os evangélicos tornaram-se mais arrogantes por se apresentarem como os donos da verdade absoluta. Seus cultos cheios de estratégias já não passam de distração sem nenhuma novidade [não sei porque ainda insistem com esses formatos]. Seus líderes se tornaram presidentes de instituições que lutam por seu próprio reino usando os meios de comunicação como estratégia de marketing – e quem ainda não entrou nessa mída, esperam a oportunidade certa. Seus jovens também estão sem temor e, quando ganham certa autonomia, frequentam os mesmos lugares e fazem as mesmas coisas que os outros sem nenhum histórico.
 
Mas, apesar de tudo isso e muitas outras coisas, assuntos como sociedade sustentável, abusos do poder público e privativo, violência e desigualdade social são as pautas de discussão em todos os meios. Existe uma preocupação, uma busca, porém sem uma resposta prática. Todos queremos uma sociedade melhor, isso é fato. Por isso eu lanço o desafio que também já aceitei faz algum tempo: peço para repensarem no modelo que a igreja dispõe para essa geração emergente. Gostaria que se desprogramassem de toda a cultura religiosa moderna para analisarem qual o verdadeiro sentimento que os impulsiona a dar continuidade no que estão fazendo. Peço para analisarem o porque da dificuldade de se construir uma geração temente a Deus com os que já estão dentro das igrejas locais, o por que da saída dos jovens para um mundo que tão pouco tem a oferecer, o por que do desinteresse pela vida de Deus e seus eternos valores.
 
Tenho que lembrá-los que não é o modelo em si, apesar de reconhecer a necessidade e eficiência de um adequado. Porém o desafio maior está em descobrir como ser igreja para uma sociedade pós-moderna sem, de maneira alguma, abrir mão da essência da vida de Cristo e de seus ensinamentos – na verdade acho que precisamos resgatá-los. Tenho vivido e pensado sobre todos esses assuntos, mas a cada nova conversa, com cada grupo de pessoas que ouço, aprendo coisas novas. Melhor que ontem, hoje consigo discernir alguns outros fatos. Às vezes percebo que o foco estava errado, e por isso conto com a graça de Deus para acertá-lo. De tudo isso tenho a certeza de que a Igreja pertence a Cristo. Ele vai nos conduzir para um crescimento necessário. Creio que algo “novo” nos será entregue em pouco tempo. Porém não acho que se você será mais ou menos por concordar ou não com essas coisas, acho que apenas deixará de participar de um momento glorioso de transição.
 
A Igreja sempre será a noiva de Cristo, porém desde que foi estabelecida, seus passos têm sido diferentes, suas roupas e seus movimentos se contextualizaram ao longo da história, mas seus valores são os mesmos e seu propósito é único – a vida de Deus.
 
Este assunto não acaba aqui…
 
 
 
Tropical

Ainda sem comentários.

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