Moderno ou ultrapassado?


Primeiro gostaria de deixar claro que “emergente” é qualquer coisa que está nascendo ou por vir ainda – uma nova geração, por exemplo. Emergente não é necessariamente um movimento organizado, uma instituição específica ou qualquer coisa planejada. É simplesmente um ciclo natural.

Me preocupo com a geração que está vindo. Sou crente em Jesus Cristo e, entendo o que é a Igreja (noiva de Cristo), como também a maneira que se organiza – em diferentes denominações, institucionalizadas ou não – com toda diversidade e seus paradoxos em meio a muito joio e trigo crescendo no mesmo campo. Independente disso tudo, precisamos entender novos tempos e também nossa condição Igreja. Infelizmente percebo uma geração que ainda não se deu conta de que o sistema em vigor – me refiro ao modelo atual da igreja – não tem muita vida pela frente. Ainda que pareça funcionar.

Uma coisa é ser contemporâneo (significa literalmente “que é do mesmo tempo”) e atual, outra coisa é ser anacrônico (fora do tempo, que ficou para trás). Ainda vejo muitos jovens, a grande maioria, querendo administrar esse sistema que já deu no que tinha que dar (que funcionou e também já foi uma novidade), lutando por perpetuar o moderno sem se dar conta que uma geração emergente, pós-moderna e pós-cristã está surgindo. Mas quem não concorda com isso, basta fazer uma pequena pesquisa para saber como foi a história da igreja nesses últimos 40 anos aqui no Brasil, assim verá que todo movimento tem seu tempo.

“As gerações anteriores cresceram em contato com uma igreja obtusa e sem sentido; assim, o modelo atual empenhou-se para apresentar a igreja como uma instituição relevante, contemporânea e pessoal. Mas as gerações emergentes estão crescendo sem nenhuma experiência com igreja, seja boa, seja ruim.” Dan Kimball

Essa nova geração está alimentada com informações do mundo todo, em todas suas religiões e seu pluralismo; todos querem transcender, pois também são espiritualizados pela cultura, não a bíblica.

“Alerta: qualquer programa ou paradigma, ou modelo, ou sistema que alegue ser eterno – ou trocando em miúdos, com funcionamento garantido – deve ser evitado a todo custo.” – Mark Oestreicher

“Em seu excelente livro A New Kind of Christian (Um novo tipo de cristão), Briam McLarem propõe uma analogia que acho extremamente útil. Parafraseando: o protagonista pergunta ao interessado: Se você tivesse que adquirir um meio de transporte confiável em 1910, o que você teria escolhido? – O interessado responde: Nessa época os automóveis já tinham sido inventados havia uns dez anos, então eu acho que esta seria minha escolha.
Ah, mas os carros eram ainda muito inseguros e as carruagens estavam no auge – eram mais fortes, melhor projetadas, mais baratas e fabricadas com qualidade como nunca antes na história.
É claro, elas – as carruagens – seriam descartadas nos anos seguintes.
Essa analogia explica a razão de haver várias igrejas modernas enormes fazendo muito sucesso nos dias de hoje; elas descobriram como fazer um ministério moderno, e continuarão a ter sucesso por mais algum [pouco] tempo.” – Mark Oestreicher

“Em Juízes 2: 10 lemos sobre um tempo quando “surgiu uma nova geração que não conhecia o SENHOR e o que ele havia feito por Israel”. Se isso aconteceu no antigo Israel, quando Deus participava de forma ativa e central da cultura, por que não aconteceria aqui e nos dias de hoje?” Dan Kimball

Não sei se você sabe que toda a Europa já se denomina pós-cristã (nesse mundo o pluralismo é uma norma, e apesar de buscarem o que é místico e espiritual, nada têm de Deus – buscam um composto eclético); e que nos EUA os jovens também caminham para essa direção. Estas evidências ajudam a entender o que é um mundo pós-moderno. Aqui no Brasil as coisas também já não funcionam como nos anos 90 a 2000. A geração emergente pensa de maneira diferente.

Um culto denominacional com bandas no estilo pop rock, uma decoração mais bacaninha, pregações em power point, danças e peças de teatro; tudo isso somado a uma linguagem mais coloquial, não é novidade para ninguém mais. Esse modelo de líder “sacerdote” (anacrônico), prédios que são chamados de “casa de Deus” (agora recosturaram o véu), um planejamento financeiro duvidoso, secreto, e que nada beneficia comunidades carentes, a falta de um plano missionário, pastores e cantores pop stars e uma infinidade de outros abusos, essa nova geração não engole mais.

Desafio todos os jovens a repensarem em seus métodos, sua teologia, seus ministérios, seus modelos, etc., em relação a toda sociedade e o futuro da igreja. Sei que esse é um assunto bem longo e complexo, cheio de coisas para ainda serem descobertas e discutidas, por isso quero lhe chamar a atenção para esse assunto: pós-modernidade e a igreja emergente.

Tropical

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