Cartilha do Tropical


 

Resolvi escrever como encaro algumas palavras.
Numa certa noite, num fórum de discussão, ouvi o termo “pastor de palavras”. Gostei e adotei, apesar de pretensioso demais considerando que nem chego perto do que seria um mestre da etimologia. Mesmo assim arriscarei para me fazer melhor entendido quanto a minha chatice. Chatice por confrontar pessoas quando escuto-as usando palavras para referir-se a coisas que no seu sentido original nada tem a ver. Em minha opinião as palavras quando mau aplicadas formam preceitos errados, e consequentemente, enganos. Segundo Jesus, o erro é consequência da falta do conhecimento.
 
Vou arriscar:
 
IGREJA
Não é um prédio. Não consigo chamar de Igreja uma construção/edificação. Não é um lugar onde se vai ou se chega.
É o ajuntamento de pessoas, mas precisamente os crentes em Jesus Cristo (nascidos de novo), sem estar associado a um prédio, denominação ou doutrina. É o corpo de Cristo. Etimologicamente são os chamados para fora. Eu e você somos ou fazemos parte da Igreja desde que não seja uma denominação qualquer – nada contra elas e muito menos tenho a ver com o tal ministério Igreja Local.
 
TEMPLO
Jamais poderei considerar, chamar ou me referir a qualquer que seja o edifício onde parte de Igreja de Jesus Cristo se reúne como templo. Templo não é um edifício, e caso alguém pense assim, pode ter certeza, Deus não mora ali – foi construído por mãos humanas. Este tipo de templo foi usado antes de Jesus e foi abolido por Ele mesmo para que nos tornássemos sua habitação.
Nós, os que cremos em Jesus como único Senhor, salvador e Deus, é que somos templos. O Espírito Santo vive em nós. Consequentemente, a profanação do templo não é desrespeitar leis doutrinárias dentro de um prédio de uma denominação. Seja ela qual for (exemplo, fumar lá dentro). Mas profanar o templo é corromper-se a si mesmo. Pecar contra a casa de Deus é o pecado em si mesmo ou contra teu irmão.
 
CASA DO TESOURO
Nem existe mais. Foi abolida junto com o templo. Se você não sabia, também não era o templo antigo, mas sim um depósito de mantimentos onde levitas e necessitados de todos os tipos tiravam sua comida.
 
LEVITA
Não é músico de igreja local. Não existe mais, pois acabou junto com o sacerdócio de Arão. Este deu lugar ao superior e mais perfeito sacerdócio de Cristo que era segundo a ordem de Melquisedeque. O próprio Jesus, sumo-sacerdote eterno e celestial nem era levita, nunca prestou serviços sagrados no templo antigo, e ainda era descendente de Judá. Mesmo assim tem crente querendo ser levita – por isso que eu digo, estão querendo recosturar o véu que Jesus rasgou.
 
LOUVOR
Não é somente a parte musicada de uma reunião de crentes. Quis dizer, não é somente a música; também é a música. Para mim é triste ver que restringiram o louvor a músicas.
Etimologicamente a palavra louvor significa “barulho” (literalmente). Mas dentro do contexto bíblico é muito mais abrangente – barulho, músicas, cantos, salmos, atitudes prática que exaltam o nome de Deus (YAWEH). Para mim louvor é o conjunto de ações, gestos e enaltecimento de Deus em nós.
Louvar e deixar Deus ser glorificado através de si mesmo além da música e também na música.
 
ADORAÇÃO
Jamais poderá ser somente a musiquinha lenta; pois da mesma maneira que se referem ao louvor como somente a música, também se referem a música lenta e calma como adoração. Costumo ouvir: “Quem irá fazer o louvor hoje? ou, Tem que começar com louvor e terminar com adoração.”
Adoração é o amor extremo e excessivo de uma pessoa em relação a alguém. Quando alguém ama dessa maneira, toda sua vida – seus atos – serve para honrar a pessoa amada. Em nosso caso, deveria ser Deus, Jesus e o Espírito Santo. Adorar é paixão intensa e presente em tudo o que fazemos ou pensamos, não a música mais calminha da parte musical da reunião.
 
CULTO
Não é somente a reunião da igreja de domingo ou qualquer que seja o dia. É a vida como um todo. Cultuar é dedicar-se integralmente a Deus.
 
ALTAR
Era o lugar onde os antigos hebreus (VT) sacrificavam a Deus – outros povos também faziam isso aos seus deuses. Mas atualmente atribui-se o nome a um púlpito de igreja local – o lugar onde o pastor prega. Porém para mim altar não é púlpito e nem palco de denominação local. Prefiro manter o sentido original que é “lugar de sacrifício”. Para mim, uma vez que somos casa de Deus (templos de carne e não de tijolos), que o culto deverá ser nossa própria vida e o louvor depende de uma atitude pessoal para o nome de Deus ser exaltado; altar é nosso coração – lugar de sacrifício.
 
SACERDOTE
Aprendi que na igreja neotestamentária o termo sacerdote jamais foi atribuído ao indivíduo, logo, sacerdote não é somente o pastor, profeta, apóstolo, líder, etc., mas todo povo de Deus. Somos um reino de sacerdotes. A divisão entre clero e leigo é um preceito maligno, e que tem como objetivo usurpar o poder que Deus deu a sua Igreja. Juntos somos um reino de sacerdotes independente do dom ou talento que pela graça de Deus recebemos – para edificação da Igreja.
Sacerdotes pelo fato de podermos andar com Deus, interceder pela nossa própria vida e também pelas pessoas que ainda estão perdidas.
 
 
 
É isso ai.
Por enquanto é somente isso, mas depois volto a escrever a minha cartilha.
Ouço das pessoas a seguinte pergunta: “Tropical, você realmente acha que isso tem importância? Que se as pessoas chamarem o músico de levita, (e assim por diante), mudará alguma coisa? Você acha que isso implica em perda de salvação ou comunhão com Deus? A minha primeira resposta é o quem tem acontecido de fato. Basta ouvir e assistir um pouco de programação evangélica e atentar ao que estão fazendo. Eu digo que tenho visto uma perda dos valores, da liberdade e do esclarecimento pessoal pelo fato da deturpação do sentido verdadeiro de cada ato de Jesus. Pois se não entendermos a mudança que aconteceu em Jesus, a troca de testamento e o que isso implica, cairemos numa malignidade religiosa. Pois tudo se tornará apenas um culto ritualístico e nada de vida com Deus. Costumo dizer que o conhecimento do significado das palavras, certo ou errado, forma uma geração, boa ou ruim.
 
Valeu galera,
 
Tropical
 
 

2 comentários em “Cartilha do Tropical”

  1. Carlos (Jamanta) 9 de Novembro de 2010 às 12:50 #

    >Cartilha do Tropical…Nome engraçado, porém com conteúdo que muito me interessa.De fato, "O erro é consequência da falta do conhecimento."Não me escandalizo ou me surpreendo com seu pensamento, apenas vejo que temos muito que aprender. Estou nessa fase, não sei se estou correto ou não, mas não quero apenas ler as escrituras, quero entender no detalhe essas passagens e traçar um paralelo com o que vivemos atualmente.Pagina 2 . . .Hasta !!!

  2. Kedyma Galdez 9 de Novembro de 2010 às 13:49 #

    >A cartilha. Vc já tem um esboço do Manifesto. Se realmente há de vir o Reavivamento que tanto profetizam, com certeza será em função de uma nova leitura da Bíblia e, consequentemente, a mudança de estilo de vida.

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