O que não quero ser


 

Quando o assunto é igreja, percebo que algumas pessoas sentem-se um tanto preocupadas quando falam comigo. Claramente preocupam-se que pela racionalidade das palavras eu abandone minha fé na salvação em Jesus Cristo. Respeito tais pessoas, mas preciso que entendam ao que me dispus e qual é o meu papel neste palco evangélico.
Primeiro eu tenho que dizer que já sei o que não quero. Não quero dar continuidade nesse sistema que está em vigor – o sistema que institucionalizou a fé e denominacionalizou a Igreja fazendo-a igreja com “i” minúsculo.
Não quero ser mais um construtor de templos enganando as pessoas dizendo que ali é a casa de Deus enquanto isso foi abolido por Jesus para que nos tornássemos casas vivas.
Não quero ser refém dos meus próprios achismos tornando-me tão pobre ao ponto de não poder mais sair desse cativeiro de vaidades.
Não quero que meus filhos sejam herdeiros de uma geração religiosa que pelo poder controlam pessoas sedentas pelas bênçãos que em detrimento da liberdade de não terem nada (poderiam ter tesouros eternos e tornar-se amigas de Deus), escolheram riquezas perecíveis.
Não quero abrir mão do favor de Deus que não mereço e dos seus princípios para dar lugar aos preceitos de barganha, troca e merecimento.
Não quero me tornar um crente performatico que, pelo cumprimento da cartilha denominacional e da agenda eclesiástica, alcance reconhecimento e confiança de Deus. Interessante isso, Deus confiando no homem…
Não quero ser mais um anacrônico sacerdote, sem citar os atalaias e levitas sem tribo, que com uma agulha e linha nas mãos tentam recosturar o véu que foi rasgado por Jesus a mais de dois milênios. Pois pelo seu sangue de foi nos dada a chance de ficar perto de Deus por toda a eternidade.
Podem ter certeza que eu poderia escrever mais algumas páginas para descrever o que não quero, pois as marcas da institucionalização da igreja se tornaram tão claras que ficou muito fácil apontá-las. Resolvi pular fora desse barco antes de me afundar, antes de me tornar um refém, porém não deixei de ser parte da Igreja – a invisível. Só não quero dar continuidade a isso tudo. Não quero ser administrador desse mercado evangélico em que a moeda mais valorizada são os montões de pessoas gerando receita para manter reis e seus templos de pedras enquanto templos de carne passam necessidades. Por isso a disputa pelos fiéis através das mídias são descaradas e frases do tipo: “é aqui que o milagre acontece”, ou testemunhos do tipo: “minha vida antes e depois desta igreja”, são tão comuns.
Quero ser parte de uma Igreja onde o termo sacerdote, a exemplo da Igreja neotestamentária, nunca foi atribuído ao indivíduo, mas a um povo – todos os que foram lavados pelo sangue de Jesus Cristo.
Quero ser parte de uma Igreja onde dons, talentos e ministérios servem apenas para edificação e aperfeiçoamento do Corpo de Cristo e não para verticalização de hierarquias onde líderes ocupam o topo da pirâmide.
Quero ser parte da Igreja que atende ao pobre e necessitado antes de qualquer construção, reforma ou decoração de prédios. Que considerem lares como verdadeiras casas do tesouro e indivíduos como verdadeiros templos.
Quero ser parte da Igreja que entendeu que lugar de adoração não é na igreja X ou Y, nem no culto de domingo e nem em qualquer que seja o monte; que entendeu que Deus procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade independente da hora, do dia e lugar, sabendo que a nossa vida deve ser um verdadeiro culto. Que profanar o templo não é vender ou fumar dentro de uma igreja local, mas é corromper-se em si mesmo, desconsiderar o irmão e desprezar o necessitado.
Quero ser parte da Igreja que entendeu que somos mordomos de Deus, que daremos contas de tudo o que dissermos e fizermos, de tudo o que ele nos deu e do que temos – de como administramos isso – e que 10% não limpa a nossa barra, não amordaça o devorador e nem abre as janelas do céu. Pois se Deus nos fez sacerdotes em Cristo, não possuímos nada. Tudo e dele, somos apenas mordomos, não donos e muito menos sócios.
Quero ser parte da Igreja que aprendeu seguir Jesus carregando o próprio caixão, sabendo que ser discípulo é para tornar-se servo dos outros. Que ser amigo é o resultado de uma longa caminhada junto ao mestre, e ser filho é o maior milagre que Deus fez por nós – deu-nos esse poder mediante a fé do Espírito Santo.
Me dispus a fazer parte de uma reforma – primeiro em mim – abrindo mão de preceitos e termos que servem de agulha e linha para recosturar o véu da separação entre o homem e Deus. Quero que este véu continue como Jesus o deixou, além de rasgado, apodrecendo cada vez mais. Quero a salvação pela graça mediante a fé. Quero que Deus me ensine o caminho além do véu para ser a evidência de sua graça.
Porém continuo achando, em relação a tudo isso que está acontecendo, que os que querem dar continuidade nesse sistema, que muitos desses líderes são verdadeiros crentes em Jesus Cristo; e os que erram, o fazem sinceramente. Ainda acho que são poucos os falsos. Mesmo assim não quero nada disso.
Paulo David Muzel Jr – Tropical
Enviado de meu iPod

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