Reflexão na Praça da Sé


 

Após ter resolvido problemas na secretaria da fazenda, caminhei até a praça da Sé afim de pegar o metrô. Chegando na praça da Sé, como ainda tinha tempo, resolvi aproveitar melhor o meu dia no centro de São Paulo e começei a observar melhor a minha volta. Retirei as minhas pedras do bolso e as coloquei ao chão, limpei minha mente de todos os valores e pré-conceitos para não acusar ninguém e apenas questionar. Como um olho de uma câmera de um cinegrafista, comecei a caminhar e observar.
Como um bom paulistano que não conhece seus monumentos, fui conhecer a catedral da sé, na verdade já estive lá com 17 anos quando era office-boy, entrei e fiquei vislumbrado com os enormes pilares, afinal é uma dos maiores templos góticos do mundo. Nesse momento me veio a mente a pregação que havia ouvido de um missionário, homem de Deus, pastor de jovens ovelhas que questinou por que santificamos o que é profano e profanamos o que é santo?
Como estava iniciando uma missa, sentei e participei daquele momento. Me espantou ao ver que ninguém possuia uma bíblia como é de costuma nas Igrejas evangélicas. O Padre começou a falar sobre a vocação dos apóstolos, falou de Pedro e de Mateus. Durante o decorrer da missa muitos foram os questionamentos. Numa igreja tão grande, por que só tem perto de 100 pessoas? Num lugar onde passam milhares de pessoas por dia eu colocaria o Padre Marcelo para rezar a missa. Por que quando uma igreja evangélica constroi um templo enorme existem tantas críticas se o maiores templos são católicos? Por que tanta religiosidade? Por que Deus parece estar tão distante?
A missa continuou, veio a santa eucaristia, enquanto o Padre consagrava os elementos da ceia, o coroinha tocava um sino, como que anuciando a entrada no “santos dos santos”.
Veio o ofertório, o Padre falou da necessidades de se manter a catedral e literalmente, migalhas foram entregues a Deus, pequenas notas e moedas. O Padre anunciou os avisos e falou que na semana que vem haverá um estudo sobre o dízimo, lembrei do vaticano.
Finalizada a missa andei pela catedral, passei diante da cripta onde está o índio Tibiriça e o Regente Feijó, personagens que só conheço de nome. Então sai da catedral, desci as escadarias e tive um “Déjà vu”. Haviam nas escadas alguns mendingos e me veio mente o trecho da bíblia em atos dos apóstolos onde Pedro ao entrar no templo cura um coxo então me perguntei, por que esses milagres não acontecem nos dias de hoje? Me veio a resposta que talvez estejamos muito arraigados a esse mundo e pensando muito em nos mesmos (Lucas 9:23).
Mais a frente observei uma roda de pessoas mais ou menos no mesmo número das pessoas que assistiram a missa. Elas estavam vendo uma peça de teatro ao ar livre. Era uma comédia sobre o cotidiano das pessoas. Andei mais um pouco e havia um pastor pregando e umas 15 pessoas em volta, o pastor criticava as mulheres por cuidar muito da aparência, gastando dinheiro com cosméticos e outras coisas. Um detalhe, só tinha homens na roda. Andei mais uns metros e estava a equipe da Eliana (Record) fazendo chamadas com o público sobre as revelações mágicas do “Mister M”. Andei mais um pouco e encontrei outra rodinha, essa um pouco mais cheia, outro pastor, agora dizia ao público os males da televisão. Num certo momento ele perguntou quantos da roda eram crentes, 95 % levantou a mão. Serão sãos cuidando de sãos ou cegos guiando cegos?
Após uma passagem pelo museu cultural da caixa, peguei o metrô.
Como havia deixado as pedras ao chão de praça da sé, continuei a observar as pessoas e questionar.
Dentro do vagão, um silêncio, somente o som das rodas batendo nos trilhos. Ninguém conversava com ninguém. Uma senhora lia um livro, um rapaz verificava seu jogos feitos na lotérica, na esperança de uma vida mais digna, outros apenas olhavam o nada e quando olhei para ao lado, havia uma menina vestida de calça jeans e blusa branca, até ai, tudo normal, mas o cabelo, pintado inteiro de um azul mais forte que a cor do céu. Questionei-me, quem deve estar mais seguro de si, ela ou os “normais” do vagão.
Terminei a minha aventura comendo um X-Salada Bacon perto de casa. Peguei algumas pedras no chão coloquei-as no bolso, retornei o back-up de meus valores e pré-conceitos e voltei para a minha realidade.
Roberto “Tusa” Ferreira
Conclusão, quer ver o que Deus vê, passe um dia na praça d

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2 comentários em “Reflexão na Praça da Sé”

  1. Paulo David Muzel Jr 5 de Janeiro de 2009 às 04:54 #

    >Fala ae galera, mais uma vez o Tusa dá uma canja e nos manda um de seus textos. Valeu Tusa, acho boa a reflexão e o seu desafio no final do texto: “quer ver o que Deus vê,…” Concordo que uma boa forma é dar um rolezinho de metrô até a Pça da Sé; mas eu acrescentaria outro desafio: “Quer sentir o que Deus sente ao ver todas estas coisas?” Te digo, só com um coração transformado pelo Espírito Santo, mas isso vai fazê-lo perder a própria vida. vlw

  2. Thiago Paz 5 de Janeiro de 2009 às 11:54 #

    >Pena que ele não passou no viaduto do chá…

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