Maranatha?


Nunca achei que a morte fosse algo fácil de se compreender. Até mesmo porque também nunca tive facilidade de aceitar a idéia de que um dia todos nós iremos morrer, e que eu não ficarei fora dessa. Então entendi que este dilema não é somente meu. Pois por pior que seja a nossa vida aqui na terra ninguém se propõe a morrer. Os homens sempre tentaram descobrir a fonte da juventude. Queremos de qualquer maneira arrumar um jeito de não envelhecer a assim prolongar a nossa vida aqui na terra dos viventes.

Quero dizer que aos meus 36 anos de idade ainda não fiz nenhum acordo com a morte. A morte não me cai bem.

Descobri então que Deus pôs a eternidade no coração do homem e que a morte não era o seu plano original.
A morte – tanto física como espiritual – foi a conseqüência de uma escolha feita por um homem – todos morremos em Adão (GN2.17). Herdamos a morte do pai de todos os homens. O pecado entrando na humanidade gerou a morte em todos nós. No Novo Testamento podemos constatar que esse problema ainda nos acompanha (RM6.23). Só que não perdemos a vontade de viver e pelo que me parece Deus não quis tirar a eternidade do coração do homem.

Deus então enviou o seu filho para resolver o problema da morte (JO3.16).
Antes de continuar é necessário esclarecer que existe a morte física e também a morte espiritual. A morte física significa separação deste mundo. Passamos desta para a dimensão do espírito. Já a morte espiritual diz respeito a separação de Deus. Se quando morrermos estivermos também mortos espiritualmente, isso significará separação eterna de Deus, o criador de tudo e que não foi criado por ninguém – Javé.

Deus então quis resolver o problema dessa separação e por isso enviou seu Filho – Deus se fez como um de nós – para morrer por nós e para que tivéssemos a vida eterna. A promessa de Deus é que iremos morar com ele nos céus. Está escrito que nós não somos desse mundo como Jesus também não era. Que ele viria nos buscar e nos daria um novo corpo, melhor, um corpo incorruptível igual ao dele depois da ressurreição. Ele também disse que lá não haverá choro, fome, doença, aflições etc. Que nós reinaremos juntamente com ele. Pô, me parece então que o céu deve ser um lugar bom para se morar.

Quando era pequeno achava que a vida eterna consistia numa grande “igreja” de culto permanente, quero dizer eterno. Que teríamos que ficar sentados ouvindo Deus pregar a respeito dele mesmo. Mal conseguia ficar ouvindo o pastor de minha comunidade local falar por trinta minutos. Dai então tentava me convencer de que Deus provavelmente falaria melhor do que qualquer pregador da terra. Dizia para Deus me fazer gostar do “culto” e do céu pois não queria ir para o inferno. Mais engraçado do que essa minha história é saber que alguns também têm uma idéia do inferno tanto errada. Pois pensam que lá haverá uma festa eterna com muita cerveja e mulherada. O pior é que estes já são homens formados. Pelo menos eu ainda era uma criança.

Mas descobri, depois de conhecer melhor ao Pai, que o céu é um lugar muito melhor do que esse mundo em que vivemos. Lá é o modelo da cidade que Deus preparou para seus filhos. Está escrito que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Caramba! Deve ser demais…

Mas crer nisso me faz ficar feliz e triste ao mesmo tempo.
Fico triste porque mesmo sabendo de tudo isso a respeito do céu, eu ainda prefiro viver. Parece um tanto esquisito não é?
Vivemos num mundo que não é muito fácil assim. Para mim que moro na cidade de São Paulo, vivo tendo que lidar com os problemas de uma cidade muito grande. Muito trânsito, violência, abuso de impostos, disputa comercial, poluição, sujeira nas ruas, desigualdade social, pessoas que se destroem, competitividade desleal, roubalheira política, juros abusivos, etc… pois poderia escrever muitas coisas mais e as conseqüências de cada uma delas.
Mas também tenho certeza que não somente eu prefiro viver. Pois se perguntasse a qualquer pessoa, antes disso fazendo-a consciente de todas dificuldades que temos como humanos, se por acaso gostaria de morrer… amanhã por exemplo. Bom, faço essa pergunta a você também. Acho que ninguém pensaria duas vezes, pois é lógico que preferimos viver apesar das dificuldades. Mas e as contas? No céu não teremos contas a serem pagas. E as dores de cabeça? No céu não ficaremos doentes. E a velhice então? No céu teremos um corpo incorruptível.
É… beleza… mas deixa eu viver mais um pouquinho.
É como que quando cantamos “maranatha, ora vem senhor Jesus”, mas também disséssemos, “mas espera, demora só mais um pouquinho.” (AP22.20)
Estranho não é? Hoje penso um pouco mais quando canto tal música.

Porém o que era estranho, passou a ter duas explicações para mim.
Ou nós não entendemos a glória da vida de Deus nos céus e todas suas promessas quanto a eternidade; ou temos a sensação, ainda que sem saber, de que não cumprimos o que deveríamos fazer. Não completamos a carreira que nos estava proposta.

Para mim um grande exemplo de quem sabia o que era o céu, é o próprio Jesus. Quando eu leio o início da tão famosa oração sacerdotal (famosa para os que lêem a bíblia), onde Jesus diz “me glorifica com a glória que eu tnha contigo antes que o mundo existisse”, eu entendo que ele está dizendo não agüentar mais a glória desse mundo corrompido, do seu corpo humano, das aflições terrenas e que já era chegada a hora pois ele havia completado a obra que tinha para fazer – glorificar Deus na terra. Agora você poderia pensar que é fácil dar exemplo do próprio Jesus. Será que não teria alguém mais “normal” para usar como exemplo?

Paulo.
Este cara diz que melhor é morrer do que viver. Isso mesmo, ele diz que é lucro morrer (FL1.21). Só que ele também entende que se o viver na carne traz fruto para seu trabalho, por esta causa é mais necessário permanecer vivo. Mesmo assim ele dizia que estava constrangido por achar incomparavelmente melhor morrer para estar com Cristo. Pô, me parece que Paulo entendia algo a mais do que eu. Um pouco mais a frente, numa outra carta, só que agora para seu amigo Timóteo, ele diz que agora sim havia chegado a hora de sua partida. Pois havia completado sua carreira da melhor maneira possível e guardado a fé. Costumo dizer que um homem que é amigo de Deus sabe muitas coisas. Inclusive a hora de sua partida.

Entendo que ainda há muitas coisas para fazer. Preciso frutificar na minha vida. Quero que Deus seja glorificado através do meu viver. Sei que tenho uma carreira que talvez ainda nem esteja percorrida pela metade. Isso explica de certa maneira meu constrangimento quanto a querer viver mais um pouquinho. Mas não ameniza o fato de saber que a vida na glória é tão melhor e mesmo assim quero acordar na terra por mais uns 40 anos.

Paulo David Muzel – Tropical
Boas ondas…

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