A Bola e Deus


“Bola é magia, bola é movimento. Brincar com ela é descobrir a harmonia e o equilíbrio do universo.” (Jornalista Armando Nogueira)

A muito tempo os antropólogos e psicólogos tentam entender e explicar o fascínio que o homem tem pela bola de futebol e não conseguem.
Ela, a bola, pode ser de meia, plástico, borracha, couro ou como era antigamente chamada no meu tempo de moleque, de capotão. Em qualquer formato, ela exerce em um garoto e também adulto, um magnetismo de dar inveja.
Ela, a bola, na sua ausência se transforma em pedra, vou explicar. Quando moleque estudava em um colégio de freiras e não era permitido levar bola para jogar futebol no intervalo de aula, também chamado de recreio, isso não era problema, uma pequena pedra era usada na quadra como bola, coitado era o goleiro. O que não fazemos para jogar bola.
Como a senhora explicaria a um menino o que é felicidade?
Não explicaria. Daria uma bola para que ele jogasse…” (Escritora Dorothee Solle)
A bola provoca alterações comportamentais que o homem sem ela tem dificuldades em alterar. Por causa dela, a bola, o racismo, as diferenças, as crenças são colocadas de lado, basta jogar uma bola para o alto e deixá-la cair em um campo gramado que negros, brancos, amarelos, cristãos, mulçumanos e todas as tribos se confundem em uma partida de futebol.
Em 1967, o Santos fez uma excursão e fez jogos de exibição em Lagos, o que causou um cessar fogo de 48 horas na Guerra Civil Nigeriana. Dizem que foi por causa do Pelé, mas na verdade, foi por causa dela, a bola. Sem ela, não existiria Pelé.
Na Copa do Mundo entre Irã e EUA em um ato de repúdio à política dos dois países, ambos os lados posaram para fotos abraçados entre si e trocaram presentes e flores antes do início da partida. Se não fosse a bola, esse momento não aconteceria.
A bola também gera intrigas, quem nunca brigou com a namorada ou esposa por causa de uma partida de futebol, que atire a primeira pedra. Como explicar para uma mulher o quanto gostamos de ver um monte de homens correndo atrás de uma bola e pior ainda, como explicar gostar de ver na TV um monte de homens falando sobre um monte outros homens que correm atrás de uma bola.
A bola na minha vida está sempre presente. Por causa dela, já joguei com febre, gripe e até braço quebrado. Certa vez abandonei um almoço que minha sogra havia feito para mim, foi só um amigo ligar e fui ao encontro da amada. Quem nunca foi ao pior bairro da cidade para jogar uma partida, bairro que não iria por nada nesse mundo. Não vou escrever aqui todos os sacrifícios que já fiz por ela, porque o texto ficaria muito longo.
“Se a bola soubesse o encanto que tem, não passaria a vida rolando de pé em pé.” (Jornalista Armando Nogueira)
O primeiro mandamento e mais importante, “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças” Mc 12:30, parece ser obvio na vida do crente.
Quanto comparo o sacrifício que faço para estar em contato com ela, a bola, com o sacrifício que faço para a coisas de Deus, acho que não pratico bem esse mandamento.
É duro comparar Deus com uma bola, mas é fato. Quando eu canto a música que diz “Eu bradarei dos altos montes Deus, eu te amo” minha consciência pesa, às vezes deixo de ir à igreja no domingo por cansaço, tendo carro, quanto mais subir um alto monte. Talvez subisse o monte para uma partida de futebol.
Quanto tempo tenho gasto com Deus? Quanto tenho me dedicado a sua causa? Quanto tempo tenho gasto em oração? Não quero responder agora.
Você pode não ter se identificado com o texto, até mesmo por talvez odiar ela, a bola. Faça então, um exercício textual e no lugar da bola, coloque seu surf, seu carro, sua chácara, sua namorada ou namorado, seu trabalho, seu play station, need for speed, Age of Empires, Sim City, Orkut, MSN, TV a Cabo ou aquilo que mais te prende e responda as perguntas acima e abaixo.
Não digo que temos que nos dedicar 100% a Deus, cada um tem seus afazeres pessoais (1 Cor 7:32, 33), mas Deus merece um porcentagem melhor. Estou longe de atingir essa meta.
Posso mesmo cantar “Eu bradarei dos altos montes Deus, eu te amo”?
ROBERTO “TUSA” FERREIRA

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2 comentários em “A Bola e Deus”

  1. Paulo David Muzel Jr 29 de Outubro de 2008 às 15:41 #

    >Fala ae Tusa,É algo para se pensar mesmo – o valor e espaço que temos dado para Deus em nossas vidas. Mas creio que o maior desafio é entender que temos uma só vida, e é dela que daremos contas. Ou seja, posso dizer que tenho atividades e tarefas variadas em minha vida, e para mim isso é uma dinâmica meramente organizacional, mas não entendo que Deus nos encare de uma maneira dividida. Tipo, “agora é o Tropical surfista; agora o Tropical pai e marido; agora o profissional; etc.” Creio que Deus nos enxerga como enxergamos nossos filhos – um todo, único e indivisível. Sem perder abater as responsabilidades, quero Deus em cem por cento das minhas atividades – minha vida deverá ser o verdadeiro culto. O altar, meu coração. Pois nós é que somos templos. Pai nosso que está no céu, santificado seja o teu nome [em mim].Valeu brow,Tropical

  2. Anonymous 29 de Outubro de 2008 às 17:12 #

    >Antes de terminar de ler eu estava me questionando: “Porque ele não fala da prancha também”. Mas no final fiquei feliz em ver mencionado o surf!!! hahahaSempre que o tricolor perde (algo que tem sido raro nos ultimos anos), eu penso: Que vício idiota!Vejo o futebol como algo importante para a minha vida, pois, assim como o texto diz, ele sempre me faz lembrar de como sou um impostor, gerando assim, uma eterna busca e dependência de Deus.Junior

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