Salvos de quê?


Sempre questiono as pessoas a respeito de que nós somos salvos. Não é para minha surpresa que a resposta da grande maioria das pessoas é que somos salvos do diabo e do inferno. Porém, quanto a esta questão, a bíblia tem outra resposta. Ela diz que somos salvos do pecado (MT1.21), e da ira de Deus (JO3.36 – RM5.9).

Talvez agora, você esteja espantado, e dizendo: “SALVOS DA IRA DE DEUS!”

SALVOS DO PECADO
O versículo de Mateus, diz que José, através de um sonho, foi avisado por um anjo que Maria daria à luz um filho que se chamaria Jesus pelo fato de salvar as pessoas dos próprios pecados.
Temos que ter o cuidado para não ensinar às pessoas que podem ser salvas do inferno sem jamais serem salvas dos próprios pecados.
Muitos ficariam felizes com tal ensino, pois imagina só.
.. salvos do inferno podendo pecar deliberadamente (IJO2.1). Ou seja, Deus salvaria as pessoas da penalidade mas as deixaria com o problema. Porém não é isso que a bíblia diz. Ela nos ensina que não devemos mais viver de acordo com as paixões dos homens, e sim de acordo com a vontade de Deus (IPE4.2). A bíblia também diz que Deus odeia o pecado (HC1.13), pois ele nos mata (RM6.6-14) e também nos separa d’Ele por toda a eternidade (IS59.2). Deus nos diz para sermos santos – separados (IPE1.16).
Quando a Palavra nos ensina que Jesus veio salvar as pessoas dos próprios pecados, é porque só o sangue d’Ele pode nos purificar de todo pecado. Mas a condição é somente se nós confessarmos os nossos pecados (IJO1.5-10).
Até agora, tudo bem – Jesus nos salva dos pecados para não sermos condenados e irmos para o inferno. Entendi. Mas esta segunda parte é que eu ainda não havia entendido. Até conhecia o texto mas não entendia o que isso queria dizer “salvos da ira de Deus”. Falei muito desse texto sem entendê-lo com mais amplitude. Preguei muitas vezes dizendo que aqueles que não tivessem recebido a Jesus como Senhor e Salvador, ainda estavam debaixo da ira de Deus. Como assim, não estão? Vou explicar com base no texto de Romanos 5. 6 a 11.
“Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.”
SALVOS DA IRA DE DEUS
Sei que este é um assunto que poderá gerar grandes polêmicas, pois envolve discussões sobre escatologia, tribulação e o juízo de Deus. Mas não é sobre isso que quero comentar, e sim sobre como Deus falou comigo através desse texto. Era uma tarde de segunda-feira e eu estava buscando algo de Deus para falar numa nova reunião de pequenos grupos. Quem me conhece, sabe que gosto muito da carta de Paulo aos Romanos, e por este motivo é muito comum eu começar uma leitura a partir dai. Como esta reunião era mais voltada para uma galera mais nova, quis falar sobre a justificação mediante a fé na obra de Jesus Cristo. Sei que a idéia de que Deus nos ama por aquilo que fazemos é bem comum e também errada, pois está escrito que não há quem faça o bem (RM3.10-12). Também sei que nós, apesar de termos conhecido Jesus, continuamos tentando ser mais gostados por Deus por aquilo que fazemos; e quando o que fazemos não está de acordo com o que é de fato é certo, caímos num profundo julgo do diabo. Ao ponto de pensarmos que agora já não somos mais merecedores do amor de Deus – como se antes fôssemos merecedores de alguma coisa boa.
Este texto diz que Deus prova o seu próprio amor, pelo fato de Cristo ter morrido por nós, sendo nós ainda pecadores, ou seja, estávamos totalmente mortos, separados e literalmente inimigos de Deus, e mesmo assim Ele já nos amava. O texto ainda diz: “… muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue… ” – simplesmente esta pequena parte tem me confortado – MUITO MAIS AGORA… – não posso ser mais querido por Deus pelo que faço, mas independente disso, sou justificado pelo sangue de Jesus que me reconcilia com Deus.
O texto também apresenta três pontos importantes que devemos aprender. Primeiro, Deus estava irado – RM5.9 e JO3.36 – segundo, Jesus pagou a nossa dívida – RM5.10a – e terceiro, nos apropriamos da salvação quando aceitamos a Cristo pela fé – RM5.10b. Neste versículo 10, temos dois tempos relacionados com a nossa redenção. Vou repetir: quando Cristo morreu, a dívida foi paga (primeiro tempo); e nos apropriamos dela quando o aceitamos (segundo tempo). O grande lance é que Jesus veio estabelecer o que nós jamais conseguiríamos, a reconciliação com Deus. Para que isso acontecesse, era necessário pagar um preço que não podíamos.
No Salmo 85 diz, por acaso estaria Deus sempre irado, e sua ira seria prolongada por todas as gerações? Mas o salmista clama para que Deus revelasse sua misericórdia e com isso nos concedesse a salvação. E isso aconteceu de fato. Jesus nasceu e morreu pelos nossos pecados aplacando assim a ira de Deus e nos trazendo a reconciliação.
Sempre disse que se uma pessoa não aceitasse a Jesus no momento que estamos conversando sobre salvação, ela permaneceria debaixo da ira de Deus. Pior, muitas vezes falei às pessoas como se eu mesmo fosse esse “deus” irado. Imagino o profeta Jonas anunciando uma grande destruição ao povo que morava na cidade de Nínive (JN3.4) – uma pregação irada – desejando muito mais que o povo fosse consumido pela ira de Deus do que reconciliado com Ele. A diferença é que Jonas conhecia muito bem a misericórdia de Deus (JN4-2). Por esse motivo, Jonas sabia que o povo se arrependeria e Deus os perdoaria. Mas isso eu desconhecia, pois muitas vezes que falei de Deus às pessoas, sem que houvesse uma aceitação da parte delas, ficava inconformado acreditando que Deus, assim como eu, de fato gostaria de consumi-las. Ficava mais irado ainda quando via pessoas em situações de escândalos ou qualquer outro tipo de depravação. O meu sentimento era mesmo de subversão e condenação. Mas, como se não reconhecesse, desconsiderava a misericórdia e a graça de Deus. Fui poupado pela misericórdia e alcançado pela graça, mas mesmo assim não entendia. A bíblia diz que Jesus olhava a multidão e se compadecia delas (MT9.36). Isso significa que Jesus não somente olhava as pessoas, mas participava do sofrimento delas. Quando olhamos para as pessoas, não temos compaixão. Parece que é como se tivéssemos uma vissão parcial das pessoas, e as olhamos como coisas, números, árvores… não sentimos nada. Nessas condições, muito dificilmente sairá da nossa boca uma palavra de reconciliação.
O texto diz que recebemos a reconciliação com Deus por aquilo que Jesus Cristo fez. Em IICO 5.18 diz que tudo provém de Deus que nos reconciliou por meio de Jesus Cristo, e que também nos deu o ministério da reconciliação. Posso dizer que dentro do chamado comum para toda igreja – a crande comissão – o nosso ministério é o da reconciliação e não da condenação. A nossa pregação não pode ser irada e sim cheia de compaixão, pois o amor constrange os corações (IICO5.14).
Precisamos dizer às pessoas que Jesus Cristo pagou a nossa dívida quando morreu na cruz pelo nossos pecados. Precisamos dizer que a reconciliação com Deus já foi feita pela morte de Cristo e que agora todos podem se apoderar dela pela fé.

 PAULO DAVID MÜZEL (TROPICAL)

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2 comentários em “Salvos de quê?”

  1. Cisso 10 de Junho de 2011 às 22:14 #

    vc sempre se superando eim tropis? abracos bro… quero fazer um blog me da umas dicas ai ok? valew.

    • Tropical - AIRO 11 de Junho de 2011 às 13:01 #

      Fala ae Cisso… Ainda estou aprendendo a mexer com esta ferramenta – wordpress.

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