Coando o mosquito e engolindo um camelo


 

Sempre dissemos que não existe diferença entre pecadinho e pecadão, e que, afinal, pecado é pecado, mas a diferença está na conseqüência de cada um deles. Certo?
Pois eu diria que é justamente a conseqüência do pecado que é igual, pois é o pecado – pequeno ou grande que causou a inimizade contra Deus – morte.
Comecei este texto sem muita ambição quanto a argumentação. Comecei a escrever apenas como mais um pensamento, uma reflexão com algumas referências bíblicas. Pois se nós analisarmos alguns textos a mais, perceberemos que esse argumento de que não existem tamanhos diferentes de pecados, pode também ser uma teologia superficial.
Confundir pecadinho com pecadão é como coar mosquito e engolir camelo.
Talvez nada disso interfira em nossa salvação, pois ela está sujeita ao arrependimento de nossas obras mortas; mas brother, como está escrito, o erro é uma conseqüência da falta do conhecimento – das escrituras e do poder de Deus. Por isso temos ouvido e falado muitas coisas que nada tem a ver com o que está na bíblia. E com isso, cada vez mais se cria uma doutrina com preceitos meramente humanos.
Essa idéia nunca me caiu bem. Como poderia entender que os pecados têm o mesmo peso se na minha própria vida me senti muito diferente a cada erro cometido. Tentamos nos convencer e também convencer as pessoas de que pecado é pecado independente do tamanho – diga-se de passagem, isto é tão óbvio como dizer que banana é banana independente do tamanho. Mas nem precisamos argumentar muito sobre isto, basta lembrarmos da afirmativa que Jesus fez a Pilatos: “Aquele que me entregou a ti maior pecado tem” (JO 19.11). Num português claro, Jesus está dizendo que essa pessoa tinha um pecadão.
Comecei este assunto num grupo de e-mails do qual eu faço parte. Nem sempre as pessoas correspondem aos temas dos e-mails com tamanho interesse como foi o desse caso. Por conta disso recebi algumas repostas que acrescentaram bastante ao assunto e por isso também irei compartilhá-las em algumas partes mais interessantes.
Negligenciar o grau, ou tamanho do pecado é tão perigoso como desconsiderar o tamanho do amor. 
Segundo nosso Mestre, maior amor tem aquele que dá a sua vida por seus amigos (note que não é por seus inimigos). Ele também nos ensina que o tamanho do amor, para nós pecadores, está diretamente relacionado com o tamanho da dívida, ou melhor dizendo, do perdão. Aquele a quem mais foi perdoado mais ama. Dar o valor correto à obra de Jesus, ao seu perdão e à sua graça, é um pré-requisito para segui-lo e ser discipulado por ele. Sobre esse tema escreveu muito bem o teólogo alemão Bonhoeffer, o qual também pagou com sua própria vida por levantar-se em favor dos valores cristãos contra os absurdos do sistema nazista.
É verdade que todo e qualquer pecado separa o homem de Deus, e que a graça de Deus é gigante onde o pecado foi grande. Deus, em seu amor infinito, perdoa até as maiores dívidas humanas. Seus tesouros são inesgotáveis. Mas isso não é uma licença para um caos moral.
Roubar um ovo é bem diferente de assassinar o dono da galinha. Então aquela conversa de que se for pecar, peca direito, é uma grande baboseira. Tudo o que fazemos dentro de uma igreja local, as questões de quem pode ou não administrar um culto, é também um tema pra lá de secundário, enquanto está havendo idolatria, avareza, adultério e roubo de segunda a sábado. 

É nossa tarefa como cristãos que amamos ao Senhor, nos posicionar firmemente contra os absurdos que acontecem dentro ou fora do meio eclesiástico. Onde está nossa ira santa? Nosso zelo? A mídia, muitas vezes, banaliza coisas abomináveis. Assim, a nossa tolerância com coisas intoleráveis passa a ser nosso padrão de conduta.
Contentamos-nos em orar, em pregar ou escrever sobre o assunto, mas nunca partimos para uma ação concreta. Ou ainda quando agimos, faço isso isoladamente, tranqüilizando minha consciência achando assim que “fiz minha parte”. Antes não entedia bem a atitude de Jesus ao pegar no chicote e dar uma apavorada nos vendilhões do templo (hoje nós é que somos templos), mas, ainda bem que hoje percebo que existe uma grande diferença entre o nosso Senhor e Gandhi, aquele cara super bonzinho e equilibrado. Não podemos mais ficar nos escondendo atrás de uma mansidão que só revela covardia, enquanto milhares de inocentes pagam com suas vidas. Uma teologia inteligente e coerente que leve à prática é o que conduz à transformação de nossas mentes e ao inconformismo com esse mundo e os crimes hediondos que nele ocorrem. E somente bem organizados é que conseguiremos agir eficazmente contra os pecadões que estão se alastrando pelo nosso mundo a fora.
Boas ondas,
Tropical

P.S.: Texto extraído, em sua maior parte, do original de Rogério Brandão Ferreira

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3 comentários em “Coando o mosquito e engolindo um camelo”

  1. Caio 27 de Outubro de 2008 às 19:07 #

    >vc quer criar uma fac;cao crista?vai ser pacifista, ou armada??

  2. Fernando 30 de Outubro de 2008 às 14:20 #

    >Esse teeeexto…tá dando o que fala em truta 😉 101% Polêmico

  3. Kedyma Galdez 22 de Novembro de 2010 às 16:28 #

    >Coerência é fundamental.

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