Perguntas que eu gostaria que todos me respondessem


Por definição, somos crentes por que acreditamos.

No que acreditamos está a base para o que fazemos.

Vivemos de acordo com o que cremos.

Mas se cremos que Jesus Cristo é único Senhor e salvador de nossas vidas, a maneira que vivemos já não poderá ser fútil. Esse tipo de fé deverá, no mínimo, fazer com que possamos enxergar o ideal de Deus para todo o homem e a realidade em que o mundo se encontra.

Andei pensando sobre o motivo que faz com que as pessoas aceitem as coisas como estão ou o porquê não lutam para ver uma mudança. Por isso também me fiz algumas perguntas e avaliei qual tem sido minha colaboração em relação a isso tudo. Farei as perguntas e depois as responderei por mim mesmo.

Estou conformado com o sistema religioso da minha época?

Em quais dessas definições eu me enquadro: conformado, religioso, visionário, sonhador, revolucionário ou reformador?

Eu tenho algum sonho ou visão? Se tiver, será que posso descrevê-lo? Se puder descrevê-lo, qual o estágio que me encontro para ver a realização do mesmo? Minha visão está mudando para se adaptar ao sistema ou ela está servindo para transformar o mundo e adaptá-lo a visão?

Posso dizer que não estou conformado nem com o sistema e nem com o mundo, pois existe em mim uma grande insatisfação ao ver como as coisas estão caminhando. Sempre tive o devido cuidado para pensar a respeito das coisas e também das pessoas, pois já entendi que o coração humano é tremendamente corrupto e rebelde. Por este motivo também nunca me atrevi a dizer o que realmente acho que sou, pois também sei de minha vaidade que poderá preceder a minha própria ruína. Hoje, porém eu tive que responder a essas perguntas, por isso eu escrevo que além de não me conformar, luto para arrancar a religiosidade que existe em mim e que pela cultura me foi ensinada – tenho dito que conto com o Espírito Santo no processo de desprogramação da religiosidade que há em mim.

Não me enquadro no termo conformado e luto para não ser religioso. É óbvio que todas as pessoas responderiam exatamente como eu respondi, e por isso, até aqui você poderá dizer “conta-me alguma coisa nova”. Logo se eu disser que eu também sou um visionário, você poderá acrescentar “você não é nada bobo e também não é diferente de ninguém, pois todos querem dizer que são visionários, mas não religiosos e conformados”. Por esse motivo que também me forcei a responder as demais perguntas. Aprendi que uma pessoa que diz ter um sonho ou uma visão deve ao menos para confirmar isso, conseguir descrever e escrever sobre o que está em seu coração e mente. Eu já escrevi dezenas de textos e centenas de páginas sobre o que está no meu coração. Mas, para ser objetivo, escreverei, mais uma vez, em poucas palavras o que tenho em meu coração.

Sonho com uma igreja (agora eu falo da instituição e não da Igreja invisível), sem os preceitos que servem para deturpar a realidade da graça de nosso Deus manifesta em Jesus Cristo e confirmada pelo Espírito Santo. Preceitos como a cobrança do dízimo como sendo uma lei de Deus para os dias de hoje – e quem já me conhece sabe que não falo de tal assunto apenas como um achismo, pois também sei que existe um princípio bíblico quanto a contribuição, que hoje tudo o que temos pertence ao nosso Deus e que somos apenas mordomos e daremos conta de tudo o que nos foi colocado às mãos. Sonho com uma igreja em que nem os dons espirituais, assim como a vocação de cada um, façam com que o indivíduo se torne o maioral dentre o povo. Que os dons realmente sirvam para edificação do Corpo de Cristo e não como poder para controlar o povo em favor de sua própria placa de denominação ou até mesmo para autopromoção. Que todos aprendam que nós somos templos e não o prédio de qualquer que seja a igreja local, que nossa vida deve ser um culto integral e não apenas o momento em que a igreja se reúne para celebrar a vida de Deus, que o nosso coração é o verdadeiro altar que temos diante de Deus e não o púlpito. Sonho com uma igreja que entende que Jesus Cristo cumpriu seu propósito como homem – mesmo sendo o Deus encarnado – e não como um “super-homem”. Sonho com uma igreja que valorize os membros do Corpo de Cristo, suas famílias e casas mais do que o prédio que serve para a Igreja reunir-se; que valorizem as pessoas como iguais entre si. Ainda poderia escrever muito mais, porém até aqui está bom para responder se tenho uma visão ou um sonho e se posso descrevê-la.

Sai de uma denominação local pelo sonho que tenho de ver uma igreja reformada. Abri mão do conforto da estrutura, da tradição, da reunião que tinha em minhas mãos, da história que ajudei a construir, da boa música, do bom grupo de amigos e do convívio de pessoas que aprendi a amar; para viver uma aventura em busca da realização de um sonho. Teoricamente um sonho não é algo concreto. Então, deixe-me dizer, descobri que me enquadro no termo “reformador”. Vou explicar por que.

Reforma implica forma. Implica que estamos tentando conformar o mundo a uma imagem particular; transformá-lo em algo que mentalmente já enxergamos. Pois não acredito em desenvolvimento automático – como a evolução – e também acho que o simples progresso das coisas pode ser equivocado. Progresso é uma metáfora para um simples caminhar ao longo da estrada – muito provavelmente a estrada errada. Mas reforma é uma metáfora para homens racionais e determinados: significa que vemos determinada coisa fora de forma e queremos colocá-la em forma. E sabemos qual é a forma.

Chesterton disse: “Não estamos alterando o real para que se adapte ao ideal. Estamos alterando o ideal: é mais fácil”.

Existe o ideal, o padrão de Deus para seu povo que nada tem a ver com a realidade que vivemos como instituição igrejeira. Isso é fato. Porém, como um reformador, eu não me conformarei com a realidade, mas lutarei para que a realidade tome nova forma – reforme – ao ideal de Deus. Isso seve para mim também.

Tropical

2 comentários em “Perguntas que eu gostaria que todos me respondessem”

  1. Igreja Emergente 17 de Outubro de 2008 às 22:56 #

    >A minha idéia, depois de tantas cabriolas é fazer o máximo possívelpara ajudar o presente da Igreja aprendendo com seus erros do passado,afim de construir um futuro que possa ser desconstruído em prol dos que virão!Como gostaria que a resposta estivesse pronta!

  2. Kedyma Galdez 5 de Janeiro de 2011 às 14:48 #

    >O texto é antigo, hein?! =))) Muito boa mesmo a essência. Menos 'chavões'. 😉

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