Deus de carne


Vejam este texto de J.I. Parker:

Não é de admirar que pessoas ponderadas achem difícil crer no evangelho de Jesus Cristo, pois as realidades ali apresentadas ultrapassam o entendimento humano. Entretanto é triste ver que muitos tornam a fé mais difícil do que ela é, encontrando problemas nos lugares errados.

Tome, por exemplo, a expiação. Muitos encontram dificuldades nesse ponto e questionam: Como podemos crer que a morte de Jesus de Nazaré – um homem morrendo na cruz romana – tira o pecado do mundo? Como pode essa morte ter qualquer ligação com o perdão divino para nossos pecados hoje?

Considere ainda a ressurreição, que para muitos é uma pedra de tropeço. Eles perguntam: Como podemos crer que Jesus ressuscitou fisicamente da morte? Na verdade, é difícil negar que o túmulo estava vazio – mas certamente a dificuldade em crer que Jesus se levantou dele em um corpo incorruptível é ainda maior. Não será mais fácil acreditar na teoria da ressurreição temporária depois de um desmaio ou do roubo do corpo, em vez de na doutrina cristã da ressurreição?

Veja também o nascimento vaginal, largamente negado pelos protestantes dos últimos dois séculos. As pessoas perguntam: como pode alguém crer em tal anomalia biológica?

E os milagres do evangelho? Muitos acham neles uma fonte de dificuldades. Tendo como certo que Jesus realizou curas (é difícil duvidar que ele as tenha feito devido às evidências, e de qualquer modo a história conhece outros curandeiros), como é difícil acreditar que ele tenha andado sobre as águas, alimentado cinco mil pessoas ou ressuscitado mortos? Histórias como essas são realmente inacreditáveis. Com estes outros problemas similares muitas pessoas à margem da fé estão hoje profundamente perplexas.

O maior mistério

Na verdade, a dificuldade real, o mistério supremo com o qual o evangelho nos confronta, não se encontra aqui afinal. Não está na mensagem da expiação da Sexta-feira Santa, nem na mensagem da ressurreição da Páscoa, mas no Natal com a encarnação de Deus. A afirmativa cristã realmente estonteante é que Jesus de Nazaré é Deus feito homem, que a segunda pessoa da Trindade tornou-se o “segundo homem” (ICO15.17), determinando o destino humano, e o segundo representante da raça humana, e que ele tomou forma humana sem perder a divindade, de modo que Jesus de Nazaré era tão verdadeira e totalmente divino quanto humano.

Aqui há dois mistérios pelo preço de um – a pluralidade de pessoas na unidade de Deus e a união da divindade e da humanidade na pessoa de Jesus. É aqui, no acontecimento do primeiro Natal que jaz a mais profunda e impenetrável revelação do cristianismo. “A Palavra tornou-se carne” (JO1.14); Deus tornou-se homem; o filho divino transformou-se num judeu; o Todo-Poderoso apareceu na terra como um bebê indefeso, incapaz de outra coisa qualquer além de ficar deitado, olhar, mexer-se e emitir sons. Alguém que precisou ser alimentado, trocado e ensinado a falar como qualquer criança. Não houve ilusão ou embuste nisso. A infância do Filho de Deus foi real. Quanto mais se pensa sobre isso, mais surpreendente se torna. Nenhuma ficção é tão fantástica quanto a verdade da encarnação.

Está é a pedra de tropeço do cristianismo. E nela fracassam judeus, muçulmanos, unitaristas, testemunhas de Jeová e muitos outros que se sentem desconfortáveis com as dificuldades mencionadas (nascimento vaginal, milagres, expiação e ressurreição). Por causa da descrença, ou pelo menos da crença errada a respeito da encarnação, é que geralmente surgem dificuldades em outros pontos da história do Evangelho. Mas no momento em que a encarnação é compreendida (e isso para mim é somente pelo Espirito Santo que pode ser revelado/entendido), as outras dificuldades desaparecem.

Se Jesus tivesse sido apenas um homem piedoso e notável, seria imensamente difícil crer nos relatos do Novo Testamento sobre sua vida e obra. Mas se Jesus era a pessoa mencionada na Palavra eterna, o agente do Pai na criação, “por quem criou igualmente os mundos” (HB1.2), não é de admirar que novos atos de força criadora massacrem sua vinda a este mundo, sua vida aqui e sua partida. Não é estranho que ele, o autor da vida, se levante da morte. Se ele era realmente o Filho de Deus, é mais surpreendente sua morte que a sua ressurreição. “Todo este mistério! Morre o Imortal”, escreveu Charles Wesley; mas não há mistério comparável na ressurreição do Imortal.

Se o Filho de Deus se submeteu à prova da morte, não é estranho que ela signifique salvação para a raça condenada. Uma vez que tenhamos certeza da divindade de Jesus, torna-se pouco razoável achar dificuldades em qualquer desses pontos, pois todas as peças se encaixam perfeitamente. A encarnação é em si mesma um mistério impenetrável, mas dá sentido a todo o conteúdo do Novo Testamento. – J.I. Parker

No evangelho de João 1: 11-12, diz que para se tornar filho Deus, deve-se primeiro receber a Jesus Cristo. Mas o versículo 12 diz que isto não é pela condição humana e sim pela vontade de Deus. Pedro passa por uma situação que explica muito bem o que eu quero dizer. A bíblia conta que Jesus faz a seguinte pergunta aos discípulos (Mt16:13-23): “…Quem diz o povo ser o filho do homem?” E depois de algumas respostas erradas Jesus faz novamente a mesma pergunta. Só que agora era para os seus discípulos (vs15): “…Mas vocês, quem dizeis que eu sou?” E Pedro acerta na mosca (vs16): “…Você é Cristo, o filho do Deus vivo.” Mas Jesus explica que se não fosse pela revelação (vs17), jamais Pedro ou qualquer pessoa do mundo poderia dizer ou entender que Jesus é o Cristo.

Mesmo Jesus tendo explicado que era por revelação, Pedro deve ter se sentido o cara. Imagino o sorriso dele na frente dos seus amigos. Deve ter ficado com um sorriso congelado. Porque independente de qualquer coisa, ele havia sido usado por Deus. . . ele havia acertado na mosca. Imagine-se nesta situação! Eu, quando acerto alguma coisa já fico feliz. Como surfista quando escolho o pico certo para fazer uma bateria, acerto o pé na prancha e arrebento na vala; fico com este sorriso congelado no rosto o dia inteiro. E se pela revelação eu faço ou falo as coisas que Deus quer, fico mais feliz ainda.

Jesus encheu a bola de Pedro (vs18-19). Jesus começa a falar sobre a igreja e sobre o poder da oração. Pra isso, Jesus começa usando o nome de Pedro para fazer um jogo de palavras – nessas horas Pedro já deveria estar nos céus – por esse motivo algumas pessoas até acham que Pedro é o pai da igreja. Mas é um pensamento errado. Pois se continuarmos lendo o texto até o versículo 23, vemos que Jesus faz o mesmo jogo de palavras para repreender Pedro numa idéia errada. Jesus diz para os discípulos que deveria ir para Jerusalém sofrer muito, morrer e ressuscitar ao terceiro dia (vs21). Pedro – o mesmo que antes havia sido usado por Deus para trazer uma revelação sobre Jesus – agora dá um grande fora (vs22). Imagino ele ainda com aquele sorriso congelado puxando Jesus de lado e dizendo a coisa mais absurda: “…Jesus, tem compaixão de ti; você não irá morrer. Isso jamais te acontecerá. Vive para sempre ó Rei!”. Que fora! Tomou uma invertida de Jesus: “Arreda! Satanás você é para mim pedra de tropeço…” O sorriso congelado de Pedro havia sido quebrado neste momento. Poucos minutos atrás ele havia sido inspirado por Deus e agora a inspiração era diabólica. Pois estava contra o plano de Deus para redenção dos homens através de Jesus Cristo.

A verdade é que nós vivemos uma vida de acertos e erros. Eu preciso crer que a única maneira de viver uma vida de acertos é pela revelação do Espírito Santo em mim. Eu preciso que Deus fale comigo para poder tomar decisões. Se não for desta maneira só darei mancada – erros. Erros na hora de falar, erros para escolher, erros para pregar, erros para lidar com pessoas, erros e erros! Quando Pedro diz que Jesus é Cristo, o filho do Deus vivo, ele age pela fé da revelação. E quando Pedro diz que Jesus não deveria morrer e ressuscitar, ele age pela fé dos sentidos – uma hora escrevo sobre isso.

João 5:19 diz que tudo o que Jesus fazia era semelhante ao que via Deus fazer primeiro. Mas ele por si mesmo nada fazia. Isto sim que uma vida de acertos. Isto que é revelação: perceber o que Deus está fazendo e imitá-lo.

Gostaria de não fazer o que acho que deve ser feito e sim imitar o que Deus está fazendo para ter convicção da maneira que deve ser feito – acertos.

Esta é a grande loucura da pregação. Não precisamos tentar convencer ninguém a respeito de Jesus. Pois este papel é do Espírito Santo (Jo16:7-8).

Leiam também ICo1:18-31.

Valeu galera e boas ondas,
Tropical

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One Comment em “Deus de carne”

  1. Igreja Emergente 15 de Outubro de 2008 às 21:44 #

    >Paulo, o prazer é todo nosso!Bem, se caso nunca ouviu falar sobre “igreja emergente”, não se assuste quando ouvir! (Igreja emergente somente é um termo que denomina a nova jornada teológica do milênio). Enfim, meu nome é Nelson Costa e sou escritor do blog,faço parte desse agrupamento de cristãos insatisfeitos como você ,e como muitos aí de São Paulo, só que nos USA. Fico a disposição para qualquer pergunta, e posso te conectar com alguns amigos(“emergentes”,se posso dizer assim)no Brasil!Satisfação em conhece-lo!Grande abraço.Nelson.

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